Aproximações sucessivas
Em Pouso Alegre (MG), militares aumentaram suas atividades
Pouso Alagre-MG_Exército
Bolsonaro. Exército de PA/MG-esquer. General Villas Bôas e seus presidentes-direita: DCO/DCM/YT |

Moradores de Pouso Alegre (MG) relatam que o Exército da cidade aumentou suas atividades de treinamentos após o Golpe de 2016. Segundo eles, o que mais chama a atenção são os exercícios de tiros e treinamentos noturnos. A intensidade desses tem sido comparada à das décadas de ditadura militar.

Durante a década de 80, na cidade pacata de Pouso Alegre, dois agrupamentos do exército entoaram na corneta o toque de recolher de uma ditadura militar que perdurou por décadas. A movimentação nos quartéis era intensa: tiros, marchas dentro e fora do quartel, gritos de guerra durante os exercícios físicos, olimpíadas e muitos helicópteros durante as reuniões de generais dos anos da ditadura. Com FHC na década de 90, as movimentações diminuíram drasticamente, ao mesmo tempo em que os horrores das torturas e assassinatos políticos já eram comentados em público. Pouquíssimos tiros, quase nada de gritos e, praticamente, zero nas demais atividades citadas anteriormente. No subsequente período democrático, o silêncio intencional e a falta de punições quanto aos crimes contra a humanidade e econômicos na ditadura, promoveram o esquecimento de aprendizados sociais valiosos.

Em 2017, as atividades militares passaram a ser mais intensas – principalmente após as “aproximações sucessivas” do então general Hamilton Mourão. Câmeras de segurança foram instaladas, mais cercas farpadas, movimentações tensas e questionamentos vindos dos oficiais se alguém inocentemente fica admirando as armas de guerra estacionadas no outro lado do portão de entrada. 

Já em 2018, segundo os relatos, as movimentações superaram as da década de 80. Durante a formação de oficiais, tiros incessantes dia e noite como em uma guerra. Gritos alucinados em coro de madrugada como se gladiadores estivessem se preparando para entrar em cena. Com tantos espetáculos ostensivos, discretos na medida do possível, certamente o toque da corneta ouvido pelos moradores não é mero ensaio.

As atividades diminuíram um pouco depois que o atual presidente assumiu. Porém, gradativamente as atividades voltaram a serem ostensivas, mas com uma particularidade: além dos treinos de guerra, táticas com escudos para conter manifestações, prática voltadas sobretudo para a PM até então.

Economistas afirmam que não há clima para golpe militar, Guedes diz para não reclamarmos se houver AI-5, enquanto o General Heleno diz que “tem que estudar como fazer” o AI-5.

De 2017 para cá, moradores de Pouso Alegre relatam que, devido a intensidade dos treinamentos do exército, estão a espera de alguma intervenção militar que aprofundará ainda mais a ditadura atual. Dizem que a intervenção no Rio de Janeiro foi apenas um treinamento.

Alguns cidadãos mais politizados, trabalhadores e/ou aposentados, se dizem perplexos e assustados com as ações da corporações militares e paramilitares milicianos, mas os relatos de maior espanto são devido aos comportamentos irresponsáveis da esquerda em geral.

As comparações dos preparativos militares com os preparativos civis nos traz outros questionamentos: Que dia a esquerda deixará de conciliar com o regime burguês, com esse estado burguês que coordena inclusive as Forças Armadas? 

As Forças Armadas já estão preparando a reserva para se apresentar na ativa no caso de necessidade. Pelas “aproximações sucessivas” operacionalizadas debaixo do nariz de todos nos últimos anos, com o treinamento da intervenção militar no Rio de Janeiro, com o aumento dos efetivos militares (inclusive as PMs), com as atuações junto ao executivo, legislativo, judiciário, mídia e nas redes sociais, é forçoso admitir que os enormes avanços já obtidos pelos agentes da repressão não são táticas meramente defensivas.

E a esquerda? Quando começará as atividades ostensivas? Vai deixar tudo para as eleições totalmente controladas pelos facínoras? Vai continuar ignorando o clamor do povo por “Bolsonaro vai tomar no c*” desde o Carnaval de 2019, mensagem clara de que não querem os Golpistas, tal como o “Vampirão da Tuiuti” do Carnaval de 2018? Vai continuar deixando o terreno livre para o avanço dos nazifascistas? Aparentemente, vai continuar aceitando todos os absurdos do golpe de 2016, e depositar tudo nas eleições fraudulentas de 2020. Chega de conciliar, fora Bolsonaro e todos os Golpistas. 

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