O pagamento do Golpe
Provavelmente bolsonaristas, militares expropriam o já insuficiente auxílio emergencial destinado ao povo pobre
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A devolução dos valores pagos indevidamente foi determinada pelo TCU, mas até agora, nada. | Foto: Reprodução

Garantir o golpe ao longo do tempo custa muito caro aos cofres públicos. As formas com que são pagos os golpistas é variada. Vejam a expropriação que os militares, provavelmente bolsonaristas, praticaram contra o já insuficiente auxílio emergencial destinado ao povo pobre. A verbas ralas que deveriam chegar aos pobres foram interceptadas, 28 mil militares não devolveram o auxílio emergencial e, sabe-se lá se devolverão.

Dessa forma, o valor do auxílio emergencial pago irregularmente a pelo menos 28.867 militares ainda não foi restituído aos cofres públicos. O roubo foi consolidado, a verba depositada no nome desses funcionários públicos chega a R$17.343.600,00.

Nenhuma condição reuniam os militares para receberem o benefício. Como têm emprego formal e recebem acima de meio salário mínimo por mês, os militares não têm direito ao benefício segundo as regras do programa.

Tudo ficaria na surdina, mas, a informação foi obtida em levantamento inédito feito pela CNN ao cruzar essa base com a lista dos beneficiários do programa com a lista de militares da União, ambas abertas e públicas para qualquer cidadão.

O levantamento, em si, não é uma comprovação de que os profissionais da violência agiram de forma premeditada, mas que o governo, responsável pela liberação do benefício, aprovou a liberação do mesmo em nome dos CPF’s desses “agentes públicos” que este mesmo governo sabe que não necessitam do auxílio.

A devolução dos valores pagos indevidamente foi determinada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) há cerca de um mês. Segundo as regras do auxílio-emergencial, agentes públicos, pessoas que têm emprego formal, militares e beneficiários de transferência de renda federal (exceto Bolsa Família) não têm direito ao benefício.

Entre os beneficiados, estão soldados rasos, cabos, recrutas, grumetes, sargentos, a maioria de baixa patente. Sendo 88% deles do Exército (25,5 mil), 1.314 da Marinha e 2.050 da Aeronáutica. Mas entre eles há 38 tenentes e 41 aspirantes a oficial, com salário de até 24 mil reais.

Houve, na verdade, uma grande fraude. Todos esses pedidos irregulares jamais deveriam ser aprovados segundo os critérios do auxílio previstos em lei. Os Ministérios da Defesa e da Cidadania já admitiram que 73,2 mil militares receberam o auxílio emergencial, incluindo pensionistas, dependentes e anistiados. Todos estão em apuração.

Tanto o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, quanto o presidente da DataPrev, Gustavo Canuto, não responderam aos pedidos da imprensa para explicar os problemas ou dar entrevista. Em nota, a DataPrev afirmou que utilizou as informações contidas nas bases Siape, RAIS e TSE para identificar os servidores públicos federais civis e militares e que levantamentos com outras bases exibirão resultados diferentes.

Num governo de trevas os ensaios e fintas, de que vão apurar desvios e fraudes – que tranquilamente poderiam ser evitados – são promessas vãs.

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