Militares ameaçam novamente o País em defesa da fraude da Lava Jato

Villas Boas

Imerso em um certo silêncio durante o último período, tentando manter uma certa distância e também um certo alheamento ao convulsionado e instável cenário político do país, a caserna voltou a rosnar essa semana diante das escandalosas e graves denúncias que aos poucos estão sendo apresentadas pelo site The Intercept, onde são revelados diálogos e trocas de mensagens dos integrantes da Força Tarefa da Lava Jato com o atual Ministro da Justiça, Sérgio Moro, à época o “todo poderoso e insuspeito” (para os incautos, obviamente) juiz da décima terceira Vara de Curitiba, responsável pela condução dos interrogatórios inquisitoriais e pelas sentenças condenatórias fraudulentas contra os impotentes réus.

O teor dos diálogos revelados pelo citado site trouxeram também, na quinta-feira, dia 13 de junho, relatos de conversas trocadas entre o Ministro Sérgio Moro, o Procurador Deltan Dallagnol e o Ministro do STF, Luiz Fux, onde ali se pode perceber claramente o grau de compromisso das instituições jurídicas do país com a conspiração golpista iniciada logo após a posse do governo eleito em 2014, culminando com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016.

O envolvimento direto de personalidades de “alta patente” do Estado nos diálogos e conversas revelados, não só torna ainda mais frágil o delicado equilíbrio das forças políticas que gravitam ao redor do movediço governo Bolsonaro, como é neste momento um fator de excepcional enfraquecimento do próprio regime político, evidenciando o esgotamento precoce do plano que a burguesia golpista colocou em marcha para fechar a conta da operação golpista de 2016.

Diante do que vem sendo declarado pelos autores das explosivas denúncias, asseverando que há ainda um farto e volumoso material a ser tornado público, tudo faz crer que o cenário futuro é ainda mais sombrio, para eles, com desdobramentos imprevisíveis, que podem até mesmo precipitar a queda do moribundo governo Bolsonaro. Todo esse cenário de profunda instabilidade sócio-política que atravessa o país evidencia, de forma clara e inequívoca, que o Governo Bolsonaro é uma frágil embarcação em mar revolto, sendo conduzida rapidamente ao precipício.

Esta é a motivação principal da ruptura do silêncio aparentemente reinante nas hostes militares entre os segmentos da ativa e também da reserva, onde os últimos sempre se manifestam em temas que envolvem a conjuntura política, em particular os militares  agrupados no golpista Clube Militar, instituição de onde saem as declarações de cunho mais direitista e abertamente fascista das Forças Armadas.

Seguindo esta linha, o ex-comandante do Exército e atual assessor do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência (GSI), general Villas Boas, declarou nesta semana que o país vive um “momento preocupante”. O general – de vocação inequivocamente golpista – disse ainda que o país vive um momento que dá margem “a que a insensatez e o oportunismo tentem esvaziar” a Operação Lava Jato. (G1, 11/06).

Indo um pouco mais além na própria insensatez e nas ameaças golpistas, o general que que colocou a faca no pescoço da nação ameaçando os ministros do STF – quando do julgamento de uma ação impetrada pela defesa do ex-presidente Lula – complementou dizendo que a “operação, que revelou um grande esquema de corrupção envolvendo a Petrobras, empreiteiras e políticos, é a “esperança” para garantir que as relações institucionais no Brasil transcorram em um “ambiente marcado pela ética e pelo respeito ao interesse público” (idem, 11/06).

Não sabemos muito bem o que o vetusto general entende por “ética e respeito ao interesse público”. Mas podemos assegurar que nos é muito familiar o vocabulário em tom ameaçador e golpista do ex-comandante do Exército e de seus oficiais ex-comandados, sempre a postos e dispostos a abandonarem os quartéis e intervir na vida política do País para favorecer os interesses dos poderosos, dos que sempre se colocam no terreno alheio e oposto ao “interesse público”.

Sempre que a instabilidade se acentua e a temperatura política do País se eleva, abrem-se também as portas do golpismo e das ameaças da caserna. As declarações do general Eduardo Villas Boas, hipotecando apoio, solidariedade e respeito ao juiz golpista e conspirador Sérgio Moro, Ministro de Estado da Justiça do governo ilegítimo de Bolsonaro, é um claro recado e, obviamente, uma ameaça ao País e à sociedade, deixando claro que os “éticos” militares estão de prontidão para garantir a “lei e a ordem”, ainda que para isso tenham que sair às ruas com tanques e fuzis para esmagar a população e, mais uma vez, pisotear a própria Lei, com em sendo feito – de forma escancarada – desde o golpe de Estado.