Militância aguerrida realiza conferência regional no DF contra o golpe

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No último sábado (7) reuniram-se na CUT em Brasília dezenas de militantes e representantes de organizações populares na Conferência Regional Aberta de Luta contra o Golpe, em preparação para a Conferência Nacional que se realizará nos dias 21 e 22 de julho em São Paulo. O encontro foi conduzido pelo Comitê contra o Golpe – Não à prisão de Lula do Distrito Federal – que vem articulando caravanas, atos locais e nacionais desde outubro de 2016. Participaram comitês da Vila Estrutural, do Jardim ABC (Cidade Ocidental), do Guará, da Asa Sul, da Asa Norte, de Taguatinga, da Ceilândia, do Congresso Nacional, além dos comitês setoriais do Serviço Público, de Arquitetos e Bancários.

O encontro foi organizado numa apresentação dos coletivos presentes, seguido de análises de conjuntura e intervenções gerais. Para Luiz Fenelon, militante do Comitê da Asa Sul, “foi a reunião mais organizada e propositiva” de que já participou. Houve consenso em torno à centralidade do eixo de luta contra o golpe, bem como da palavra de ordem de liberdade para Lula como anterior à questão eleitoral. Para os militantes e coletivos presentes, É Lula ou nada.

De modo geral, ficou patente a descrença nos processos institucionais como saídas viáveis para a derrotar o golpe. Somente com a mobilização popular, Lula livre e candidato é possível conferir legitimidade do processo eleitoral. Nesse sentido, para os presentes, qualquer candidatura à presidência que se coloque como alternativa à de Lula (o “Plano B”) é conivente com o golpe de estado em curso e com o aprofundamento do estado de exceção pelas urnas.

Estiveram presentes representantes de comunidades quilombolas de Goiás (Quilombo Mesquita) e do Santuário dos Pajés do Distrito Federal. O militante Marcos Cavaçani ressaltou ainda a necessidade de se organizarem no Distrito Federal comitês da juventude e de negros de luta contra o golpe.

As categorias de trabalhadores também se fizeram presentes de modo organizado. O Comitê de Arquitetos contra o Golpe elaborou um manifesto para a conferência, ressaltando o duro ataque da Lava Jato contra o setor da construção civil no país, o contínuo desmonte das instâncias de participação popular na definição de políticas públicas, bem como o ataque à legislação de regulamentação profissional dos técnicos do setor. Os servidores públicos ressaltaram que a categoria é a mais atingida pelos ataques golpistas: desde a brutal reforma administrativa promovida promovida por Temer, passando pela cassação do direito de greve, pelo congelamento de gastos públicos por 20 anos, até a iminência da terceirização das áreas fins, a recente portaria do Ministério do Planejamento que torna possível a transferência obrigatória de servidores federais entre órgãos.

A Conferência Regional definiu como prioridade o apoio às mobilizações nacionais que devem ocorrer na capital, prometendo levar a São Paulo o incentivo das organizações do Distrito Federal a um grande ato nacional de pressão pelo registro da candidatura de Lula à presidência no dia 15 de agosto, em Brasília. Além disso, ficou acordado o estabelecimento de uma rede de articulação entre os comitês do DF e entorno, de modo a multiplicar esforços de mobilização e comunicação dos coletivos.

A meta dos comitês do Distrito Federal é levar ao menos cento e cinquenta militantes à Conferência Nacional Aberta. Mais de trinta inscrições foram feitas somente no encontro, e muitas mais serão feitas numa grande festa de São João Eleição sem Lula é Fraude que será realizada no próximo sábado (14) na quadra dos Acadêmicos da Asa Norte para levantar fundos para as caravanas e atos.