As milícias no comando
Enquanto o mundo mágico das eleições ludibria a esquerda pequeno-burguesa, as milícias impulsionadas pelos bolsonaristas avançam no controle do território do Rio de Janeiro
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Complexo do Alemão | Mario Tama/Getty Images

Enquanto o mundo mágico das eleições ludibria a esquerda pequeno-burguesa, as milícias impulsionadas pelos bolsonaristas avançam no controle do território do Rio de Janeiro. Segundo dados do estudo realizado em conjunto pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI/UFF); datalab Fogo Cruzado; Núcleo de Estudos da Violência da USP; plataforma digital Pista News e o Disque-Denúncia, as milícias cariocas já tem nas mãos 25,5% dos bairros do Rio de Janeiro, em um total de 57,5% do território da cidade.

Os números, de fato, são de causar inveja às facções ligadas ao tráfico. Com um domínio de 15,4% do território, o tráfico de drogas (Comando Vermelho, Terceiro Comando e Amigos dos Amigos) obtêm 34,2% dos bairros sob controle. Diante desse poderio, era de se esperar que 3,7 milhões de pessoas vivessem em local controlado por algum grupo criminoso, o que corresponde a 57,1% da população vivendo sob o domínio do crime.

Além do território dominado, outros 25,2% da capital se encontram em constante disputa; são 2,6 milhões de pessoas – isto é, 41,4% da população vivendo sob constante pressão. Diante destes números (referentes ao ano de 2019), pode-se depreender que 98,1% do território municipal já pode ser considerado ocupado ou ao menos em disputa. Sob o chumbo do faroeste carioca, encontram-se 98,5% dos moradores. De acordo com o Censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Rio de Janeiro tinha 6,3 milhões de habitantes em 2010 e a projeção para 2020 era de 6,7 milhões de pessoas. Segundo o pesquisador Daniel Hirata, um dos coordenadores do estudo, “a questão do controle territorial é central para entender a questão da segurança pública no Rio de Janeiro”. Obviamente, com um controle territorial, obtêm-se um controle econômico e, portanto, político para as facções em disputa. No caso de dúvidas, deixemos que Hirata nos confirme o suscitado.

“Segundo o mapa, as milícias também entram em disputas territoriais violentas e atuam em territórios cada vez mais extensos, onde controlam esses bairros ilegalmente, cobrando taxas extorsivas sobre os mercados de serviços essenciais como água, luz, gás, TV a cabo, transporte e segurança, além do mercado imobiliário”, afirmou o pesquisador.

Na disputa pelo controle político e econômico, sabe-se que cada palmo de chão é valioso, e a Região Metropolitana não ficaria sem chefatura. De acordo com o estudo, as milícias detêm o controle de 21,8% dos bairros, pouco menos que o Comando Vermelho com seus 23,7%. Finalizando a partilha, cabe ao Terceiro Comando, seus 3%; e ao Amigos dos Amigos, uma fatia de 0,3% do território. Isso para não falar dos 18,1% dos bairros ainda em disputa. Só na Baixada fluminense, a milícia já possui o domínio sob 3,6 milhões de moradores. O Comando Vermelho, por sua vez, tem o controle sob uma área onde habitam 2,9 milhões de pessoas. Mas a exasperação não se resume aos territórios dominados – pouco mais de 4,4 milhões de fluminenses ainda vivem em locais que são alvo de disputa.

Já falamos sobre o controle da economia local. Cabe, aqui, relatarmos a luta política entre as facções criminosas. Sob a violência generalizada das milícias, das facções criminosas, dos grupos de extermínio e da polícia, repousa a trincheira do domínio político em questão. Há tempos, a violência da polícia já deixou de ser a única forma de domínio político contra a população. Se a suposta “luta contra o tráfico” era insuficiente na manutenção de um regime de terror, caberia às milícias, atuando como braço paralelo do Estado, exprimir toda a caracterização dos corpos armados do regime burguês – ora fardada, ora em trajes civis. E por que não interferir nas eleições?

A morte do candidato a vereador Domingos Barbosa Cabral (DEM-RJ), de 57 anos, na noite de sábado, 17, é a prova viva da luta pelo poder político da região. Outro caso, do candidato Mauro Miranda da Rocha (PTC-RJ), de 41 anos, assassinado a tiros também na região, é a prova de que a democracia só existe na mente dos diletantes pequeno-burgueses. Não restam dúvidas quanto a uma ofensiva da direita que, indubitavelmente, encontraram amplo apoio com o ascenso de Bolsonaro à presidência. É sabido que a direita apoia as milícias para ganhar dinheiro e reprimir a população.

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