“Metas cumpridas”: imprensa golpista intensifica campanha a favor de Bolsonaro

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O principal veículo de comunicação da imprensa golpista, as organizações Globo, através do G1, seu portal de notícias, noticiou no último dia 10, que “Bolsonaro já cumpriu mais promessas” de campanhas do que Dilma e Temer.

A aferição é um acompanhamento instituído pelo portal em 2015 para acompanhar o cumprimento de promessas durante o mandato feitas pelos candidatos durante a campanha eleitoral.

Segundo o G1, foram elencados 58 compromissos assumidos pelo então candidato Bolsonaro que podem ser mensurados . Destes, 12 foram cumpridos integralmente e 4, parcialmente, o que representa 25% do total contra 9% de Dilma e 6% de Temer.

Inicialmente, sem entrar no mérito do que são e o que significam as “promessas” cumpridas, o portal se utiliza de parâmetros comparativos absolutamente abstratos. Como comparar o que “cumpriu” Bolsonaro, eleito (pela fraude) com todo o apoio da burguesia imperialista e nacional com Dilma Roussef, que já assumiu o governo sob uma pressão enorme dessa mesma burguesia e já sob a ameaça de impeachment? Com o próprio Temer, embora ambos sejam produtos do golpe, também não tem base de comparação, pois o traidor golpista teve como papel central permitir que o aparelho golpista consolidasse a perseguição ao PT e ao seu principal líder, a expressão maior contra o golpe, Lula.

Bolsonaro foi o presidente eleito sob o manto de “virar a página do golpe” e, embora no momento anterior não tenha sido, inicialmente, o candidato preferencial dos golpistas, diante da própria crise do golpe, acabou por se transformar no candidato de toda a burguesia.

É aí que mora o embuste global, assim como de toda a imprensa venal. É preciso fazer demagogia em torno das metas cumpridas por Bolsonaro, como forma de apoiar o governo que seria “competente”, justamente em um momento em que a crise do governo é monumental, não por conta da competência ou não do capitão presidente, mas justamente pelas contradições ensejadas pelo golpe de Estado.

O G1 fala em metas cumpridas, mas que metas? “Não aumentar impostos”? “Não recriar a CPMF”? “Manter o preço dos combustíveis atrelados ao mercado mundial”? “Demitir servidores públicos”? Isso é café pequeno!

O que o governo de Bolsonaro fez até agora é muito pouco diante das necessidades do golpe, que foi dado para promover um profundo ataque às condições de vida das massas e de rapinagem das riquezas do país.

O problema é que essa política leva à cisão no interior do próprio golpe entre o seus verdadeiros donos, o imperialismo e o grande capital nacional a ele associado e os setores secundários da burguesia nacional.

A campanha da imprensa esgoto é uma tentativa de atenuar as contradições entre os setores em disputa, para fazer avançar os grandes propósitos do golpe, como a reforma da Previdência, as privatizações das grandes empresas, a total entrega do pré-sal, etc.

Há ainda um outro motivo que preocupa os golpistas: a tendência nítida da população de entrar em movimento contra o golpe, expressas nas grandes manifestações no carnaval pelo fora Bolsonaro e pela liberdade de Lula, que não evolui em uma intensidade maior por conta do freio de mão puxado das direções do movimento operário e popular.