Lucro acima da vida
Os sindicatos precisam sair da “quarentena” e mobilizar os metalúrgicos para defenderem suas vidas, empregos e salário.
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Foto: Shutterstock
Metalúrgicos trabalhando em uma montadora | Foto: Shutterstock

O Brasil continua numa trajetória crescente de casos do novo coronavírus. A linha que registra o número de infectados e de mortos não para de crescer de maneira assombrosa. Algumas projeções indicam que o número real pode ser 7 vezes maior do que o número oficial. Uma vez que a maior parte dos casos não são registrados de maneira consciente pelo governo Bolsonaro e pelos governos estaduais que não investiram para realizar testes em massa, como seria necessário. Conforme foi alertado por estudiosos infectologistas, assim como por este diário, o Brasil segue a trajetória para se tornar o novo epicentro mundial de mortes por Covid-19. O país apresenta no momento a maior quantidade de mortes por dia no mundo (1039 óbitos registrados apenas no dia 26/05/20).

O estado de São Paulo é o epicentro da epidemia de Covid-19 no Brasil. Foram registrados oficialmente até o momento 118.295 casos de infecção e 7.994 mortes. Para se ter uma ideia, é como se tivessem morrido cerca de quatro vezes a quantidade óbitos que foram registrados nos chamados “atentados de 11 de setembro de 2001” nos Estados Unidos. Os atentados das torres gêmeas foram utilizados como justificativa para o imperialismo norte-americano iniciar a chamada “guerra ao terror”, que foi a operação de guerra para invadir e massacrar o povo em países da periferia do capitalismo, mas com enormes riquezas minerais de petróleo, como o Afeganistão e o Iraque.

No Estado de São Paulo vigora uma grande operação demagógica para jogar a culpa pelas mortes de Covid-19 em cima do povo, que é a principal vítima do descaso do governo federal de Bolsonaro e do PSDB, que governa São Paulo há décadas. É como fizeram no acidente da TAM (Latam) em 2007. Colocaram a culpa nos pilotos que morreram no acidente. Morto não costuma se defender.

O PSDB é líder da campanha cínica do “fique em casa”. Ou seja, os governos que deveriam criar as condições para as pessoas de fato ficarem em casa (sem passar fome), simplesmente não fez nada para permitir que o povo fizesse a chamada quarentena. Exemplo dessa situação catastrófica é o ABC paulista, região tradicional da indústria brasileira. Mesmo com a diminuição da atividade industrial, a região ainda concentra uma parcela significativa das fábricas no Brasil.  Boa parte das indústrias sequer pararam para contar os mortos. As indústrias automobilísticas pararam por um curto período e estão retomando o trabalho no auge na pandemia.

Depois de 70 dias de quarentena, a Volkswagen retomou, nesta segunda-feira (1), a linha de produção na fábrica da Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), no ABC Paulista. Agora, já são cerca de 13,6 mil trabalhadores metalúrgicos na ativa, no chão das fábricas da região do ABC, ainda que o conjunto das montadoras locais não esteja operando em plena capacidade.

A Volks não foi a única montadora a retomar as atividades. A primeira a anunciar a retomada foi a Scania, em abril, seguida pela também fabricante de caminhões Mercedes-Benz, em maio. A GM (General Motors) retornou nas duas últimas semanas, em São Caetano. Já a Toyota, que mantém fábrica de componentes em São Bernardo, oficialmente retorna em junho.

As empresas alegam estarem realizando procedimentos de segurança para diminuir o risco de contágio pelos trabalhadores, mas o fato é que não há a menor garantia de que o Covid-19 irá se propagar nas fábricas. Os interesses econômicos dos grandes capitalistas falam mais alto do que a vida dos operários. Muitas fábricas sequer pararam as atividades no ABC e outras querem retomar a atividade no auge da pandemia no Brasil e no ABC.

Os sindicatos precisam sair da “quarentena” e mobilizar os trabalhadores para parar a produção e as fábricas. A vida dos trabalhadores é mais importante do que o lucro dos patrões. É preciso uma ampla mobilização para garantir o emprego, salários e a vida dos trabalhadores.

Com dados atualizados pelo sítio do governo do Estado de São Paulo, o ABC registrou até o dia 01/06/2020, 641 mortes por Covid-19. Os números crescentes na região refletem a continuidade da atividade industrial nas fábricas. Caso os trabalhadores não se mobilizem, como é o caso da principal categoria da região, os metalúrgicos, e entrem em greve para defender as suas vidas e de seus familiares, a situação  no ABC tende a se transformar um verdadeiro “inferno na terra”.

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