América latina
Mesmo em meio à pandemia do Covid-19, a população equatoriana saiu às ruas nesta segunda-feira (25) em protestos contra o governo neoliberal de Lenin Moreno
U.S. President Donald Trump greets Ecuador's President Lenin Moreno in the Oval Office of the White House in Washington, U.S., February 12, 2020. REUTERS/Tom Brenner
Lenin Moreno: capacho dos Estados Unidos | TOM BRENNER | Crédito: REUTERS

Nesta segunda-feira (25), mesmo em meio à pandemia do Covid-19, a população equatoriana tomou as ruas em várias cidades em protesto contra a política neoliberal do governo Lenin Moreno. Um sindicalista de Guayaquil disse que “se o coronavírus não nos matar, quem irá nos matar será o governo”. Os sindicatos estiveram envolvidos na organização das manifestações.

Estudantes dizem que não há alternativa que não seja a mobilização nas ruas. A Frente Única dos Trabalhadores (FUT), organização que congrega organizações operárias e sindicais, exigiu o cancelamento da dívida externa e a utilização destes recursos para atender à emergência sanitária. Em meio à crise do coronavírus, Lenin Moreno pagou 936 milhões de dólares sob a rubrica de dívida pública para as instituições financeiras Goldman Sachs, Credit Suisse e ICBC Standard Pic.

O direcionamento de recursos para os bancos e instituições financeiras foi seguido por uma brutal política de ataque ao conjunto dos trabalhadores equatorianos. Moreno propôs a redução da jornada de trabalho e confisco de 25% a 40% dos salários dos servidores públicos. No domingo (24), foi anunciada que a crise já deixara um saldo de 150 mil desempregados e, em vista disso, seria necessário extinguir empresas estatais, como a empresa aérea Bandera Tame e a Empresa de Ferrovias do Estado.

A política do governo é a responsável pela situação de calamidade que assola a população, bem como pelo avanço da pandemia do Covid-19. Os protestos no Equador começaram em outubro de 2019 e se estendem até hoje. Em outra ocasião, devido ao caráter insurrecional do movimento e os enfrentamentos com as forças de repressão nas ruas, Moreno foi obrigado a mudar a capital do país de Quito para Guayaquil.

As mobilizações são expressão do repúdio popular à política do tipo neoliberal do governo traidor e fantoche dos Estados Unidos. Os equatorianos percebem que o Covid-19 é tão letal quanto as consequências sociais da política neoliberal, que subordina o poder público e as riquezas do país aos interesses da oligarquia financeira mundial. Enquanto a situação do conjunto da população se agrava, os bancos registram lucros estratosféricos.

É preciso dar continuidade às mobilizações populares até a derrubada do governo Lênin Moreno. Este último, uma vez eleito com apoio da esquerda nacionalista equatoriana, foi cooptado pelo imperialismo e traiu o principal responsável por sua eleição, o ex-presidente Rafael Correa, e dedicou-se a montar um aparelho de repressão política e implementar duras “reformas” contra os direitos da população. Moreno ainda entregou o fundador do Wikileaks, Julian Assange, para os britânicos, em um gesto que demonstra total servilismo à Ingleterra, que violou a embaixada do Equador em Londres.

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