Mesmo com maioria feminina, universidades são dominadas por reacionários

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Da redação – A Assembleia-Geral das Nações Unidas adotou o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres na Ciência. Se a criação desta data não fosse mera demagogia de organizações como a UNESCO, ONU Mulheres, UIT, que na prática só servem de maquiagem na luta contra a exploração imperialista dos Estados Unidos e União Européia sobre o resto do mundo, seria de fato uma benção.

Em entrevista recente para o jornal golpista O Globo, a bióloga Rafaela Falaschi relata que “era interrompida pelos homens, que a chamavam de “amarga” e asseguravam que não havia machismo nos laboratórios’’, o que a levou a criar o site “Mulheres na Ciência”, onde artigos poderiam ser compartilhados e comentados sob o ponto de vista feminino. Em apenas um mês, a iniciativa atraiu mil pessoas. E tornou-se um exemplo da tomada de espaços antes monopolizados por homens em diversas áreas de pesquisa.

Segundo os gráficos e levantamentos do jornal golpista O Globo (o mesmo que manipulou a opinião pública ao tirar Lula das pesquisas antes deste desistir de sua candidatura e que forjava uma popularidade na figura do fascista Jair Bolsonaro num cenário irreal sem a presença de Lula no páreo), cada vez mais mulheres assinam mais artigos e ampliaram seu registro de patentes e parcerias internacionais. Porém, o percentual de mulheres que permanecem dedicadas a ciência diminui à medida em que elas progridem na carreira por motivos especialmente voltados aos estereotipados “encargos” do gênero.

Apesar da tecnocracia da matéria aparentemente assertiva que os gráficos d’O Globo tentam causar (mais causam sono do que envolvem) numa conclusão rápida de que o machismo e esse tipo de geração de estereótipo da mulher são o principal inimigo em questão e de que o grande foco da luta das mulheres deve ser esse, o que fica claro é que o jornal procura mais desorientar o leitor (leitora, no caso) do principal inimigo em questão: o capitalismo.

Historicamente as mulheres são um dos setores mais explorados e oprimidos na sociedade, e isso vem se agravando depois do Golpe de Estado de 2016, contra a presidente Dilma Rousseff, eleita com 54 milhões de votos. Além disso, existe toda uma burocracia acadêmica na coordenação de pesquisas e dos cursos, uma vez que esses são controlados pelos direitistas nas reitorias e em cargos públicos alcançados por conta do próprio Golpe de Estado iniciado em Dilma e seguido na prisão ilegal e política de Lula que permitiram as manobras e ascensão de fascistas no poder, como Doria, Witzel, Bolsonaro e outros, uma vez que esses nunca chegariam lá num cenário minimamente democrático.

Por isso a esquerda não pode cair mais uma vez na manipulação da imprensa golpista, que conduz a luta das mulheres para um caminho cujos resultados não resolvem os seus problemas, que é um caminho no sentido de manter o seu regime de opressão, ou seja, dentro do quadro capitalista e neoliberal.

Precisamos organizar as mulheres e todos os setores oprimidos em Comitês de Luta Contra o Golpe para coletivamente lutarmos contra os reais inimigos em questão, que são os capitalistas e a opressão que vêm dos países imperialistas que querem nos transformar em seu próprio curral, e que, assim, levam as mulheres a caírem em uma opressão cada vez maior.

Despolitizar as pautas das mulheres, dos negros, dos LGBT etc com os tais discursos “identitários” é uma estratégia da direita para confundir e enfraquecer a esquerda na polarização contra o regime e na luta de classes. Por isso, com relação às injustiças alcunhadas contra as mulheres na ciência precisamos largar mão de ilusões identitárias e parlamentares e nos unir num único grito de ordem, pela liberdade de Lula e pelo fora Bolsonaro e todos os golpistas, só assim as mulheres terão condições de imprimir uma luta árdua, de forma organizada, por sua real emancipação.