O inimigo é o povo
Em meio a um retumbante fracasso da vacinação que, no ritmo atual, pode levar quatro anos, governo Bolsonaro “namora” Sputnik contra a infeciente Coronavac de Dória
Doria e Bolsonaro
Enquanto País tem mais de 1.100 mortos por dia e nova cepa, Doria e Bolsonaro acirram disputa | Foto: Reprodução
Doria e Bolsonaro
Enquanto País tem mais de 1.100 mortos por dia e nova cepa, Doria e Bolsonaro acirram disputa | Foto: Reprodução

Passadas duas semanas de todo o “show” do início da vacinação no País, dos enormes tropeços na distribuição das poucas vacinas importadas, uma chuva de denuncias de “sumiço
de milhares de doses da vacina (que analisamos nesta edição) e tendo o a “eficiente” direita alcançado a marca de cerca 0,8% da população brasileira vacinada, apenas com a primeira dose (e ter que ser, pelo menos duas), as estimativas de especialistas – não vinculados ao projetos de tapeação do povo dos governos – apontam que, no ritmo atual, a “vacinação” pode levar até quatro anos para alcançar a chamada “imunidade de rebanho” (como também é analisado nessa edição desse Diário).

O fracasso é tamanho que a imprensa capitalista assinala que o governo improvisado de Bolsonaro  acena com liberação da vacina russa, Sputnik, para não ficar apenas na dependência da empresa privada chinesa Sinovac que vem impondo ao Brasil a importação de grandes lotes da sua vacina, que tem uma das mais baixas taxas de eficiência do Mundo e que tem como “sócio” e garoto-propaganda, o governador de São Paulo, João Doria. Da mesma forma que a Astrazeneca, a Sinovac  cria dificuldades de envio ao Brasil da IFA (Insumo Farmacêutico Ativo), para que as vacinas sejam finalizadas no Brasil, visando claramente garantir uma maior margem de lucro para os poderosos monopólios farmacêuticos, um setor que já chegou a ter aumento do valor de suas ações em até 1.500% durante a pandemia, para eles não mais do que um lucrativo negócio, em que se ganha rios de dinheiro com a desgraça do povo.

Em meio à essa situação fora de controle um importante alerta. Fernando Reinach, biólogo, PHD em Biologia celular e molecular pela Cornell University, com base em estudo de David Ho que, segundo ele, “transformou a AIDS de uma sentença de morte em uma doença crônica controlável por um coquetel de antirretrovirais”, considera muito provável de que o Brasil esteja para ser atingido por um “tsunami” da covid-19, por conta da nova cepa de Manaus.

Segundo Reinach,

Tudo indica que um tsunami vai atingir o Brasil. A Europa e Manaus já estão sofrendo com novas cepas do Sars-CoV-2 que se espalham rapidamente. Elas são difíceis de controlar, aumentam o número de mortes por 100 mil habitantes, e conseguem ludibriar parcialmente o sistema imune dos já infectados e vacinados. A solução na Europa tem sido trancar a população em casa e vacinar em questão de semanas todo o grupo de risco com as vacinas da Pfizer e Moderna. E na falta destas, com a vacina da AstraZeneca. A questão não é se esse tsunami vai se espalhar pelo Brasil, é quando isso vai acontecer, qual a intensidade, e se vamos estar preparados.

O biólogo fala de várias pesquisas que estão sendo feitas sobre o tema e cita detalhes do estudo realizado por David Ho, com largo embasamento, para evidenciar que, muito provavelmente, o pior estar por vir e explica:

“Esse estudo não analisou a nova cepa de Manaus (semelhante à cepa sul-africana), e não analisou a capacidade das três cepas (Inglaterra, África do Sul e Manaus) de burlar as defesas criadas pelas vacinas Cononavac e AstraZeneca. Ou seja, não sabemos ainda as propriedades da cepa de Manaus nem como as vacinas que dispomos vão se comportar diante dessas novas cepas.

“É uma questão de tempo a disseminação dessas cepas pelo Brasil, mas muito provavelmente elas vão chegar antes de vacinarmos uma fração significativa da população. Nos EUA se acredita que elas serão dominantes nas próximas semanas.

“Desculpem o pessimismo, mas é melhor apertar os cintos e nos prepararmos para o pior. E lembrem: no início de 2020, quando o coronavírus demorou um pouco mais para chegar ao Brasil, muitos acreditavam que ele não chegaria por aqui.”

 

Fica evidente que acima dos interesses da populaçào estão os negócios em torno da vacina e os interesses políticos das diferentes alas da burguesia.

Além de mobilizar contra esses governos genocidas (Fora Bolsonaro, Doria e todos os golpistas!), é preciso lutar pela quebra das patentes da vacina e a sua produção em larga escala no Brasil, em empresas públicas, além de outras medidas que representem um efetivo combate à pandemia que, de fato, não existe.

 

 

Pressionado a abastecer o País com vacinas contra a covid-19 e pela dependência da Coronavac, que já foi chamada no passado pelo presidente Jair Bolsonaro de a “vacina de João Doria”, o governo federal tenta avançar na compra de outros imunizantes. A Sputnik V, da Rússia, é vista como uma das mais promissoras por interlocutores do presidente e do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, mas ainda esbarra na falta de dados para a aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nos bastidores, defensores dizem que a Sputnik poderia se tornar “a vacina de Bolsonaro”.

 

Sputnik V
Sputnik V é a vacina contra a covid-19 desenvolvida pela Rússia Foto: Juan Carlos Torrejon/ EFE

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No Brasil, ela será produzida pela farmacêutica União Química, que planeja trazer ao País 10 milhões de doses prontas até março. Além disso, programa produzir outras 150 milhões em 2021 – e espera fabricar o insumo farmacêutico ativo no País.

Bolsonaro reuniu-se na quarta-feira com o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, e um dos temas tratados, segundo apurou o Estadão, foi a aprovação da Sputnik V. Como mostrou a Coluna do Estadão, o Ministério da Saúde disse à União Química que está “disposto a formalizar as tratativas comerciais para eventual aquisição dos lotes do imunizante”, caso a empresa receba aval para o estudo de fase 3 e peça o uso emergencial à Anvisa.

A discussão ocorreu no momento em que o governo de São Paulo e o Ministério da Saúde travavam novo duelo pela Coronavac. A gestão Doria afirmava que, sem manifestação rápida da pasta, poderia até exportar as 56 milhões de doses da vacina que o Butantan deve produzir a partir de maio. O governo – que já comprou 46 milhões de unidades – entendia que podia responder sobre a compra dos lotes restantes até 30 de maio – mas, com a pressão, o contrato será assinado na terça.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, chegou a dizer anteontem, à Rádio CBN, que não descartava abrir mão da segunda compra da Coronavac, caso tivesse outras opções.

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