Vigilância para reprimir
Os serviços secretos e de informação interna da Alemanha anunciaram nesta quinta-feira (12), que será intensificada a vigilância à ala mais extremista do partido AfD
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Governo alemão "combate" o fascismo do AfD para combater, na verdade, a esquerda.Foto: Markus Spiske |

Os serviços secretos e de informação interna da Alemanha anunciaram nesta quinta-feira (12), que será intensificada a vigilância à ala mais extremista do partido, (AfD) por ser considerada uma ameaça à democracia.

A AfD, Partido de extrema-direita, que em português significa Alternativa para a Alemanha, fundado em fevereiro de 2013 é a  terceira maior força política no Parlamento alemão – atrás de CDU e SPD -, com cerca de 90 deputados, chegou ao Parlamento pela primeira vez em 2017, ancorada na insatisfação de uma parcela dos alemães com  o governo Merkel, no poder desde 2005, e seguindo uma tendência não só na Europa mas no mundo, a ascensão da extrema direita. Que se deve ao fracasso dos partidos tradicionais da burguesia e da esquerda nacionalista e pequeno burguesa estarem em completa crise.

Seu crescimento que outrora assustou, contudo, está estancado em nível nacional, com a legenda tendo de 13% a 15% das intenções de voto. A AfD como um partido contrário à União Europeia, mas, com o tempo, tornou-se uma força contrária aos imigrantes e a Merkel, rejeitando a política da chanceler de abrir as fronteiras em 2015 e 2016, quando o país acolheu 1 milhão de solicitantes de asilo.

A decisão dos serviços secretos e de informação segue-se a vários ataques mortais racistas que têm ocorrido na Alemanha. Em  fevereiro 2020, por exemplo, nove pessoas morreram em dois bares de fumantes de cachimbo de água (shisha), em Hanau. Também em outubro 2019, na cidade de Halle, duas pessoas morreram num ataque a uma sinagoga. Os sucessivos ataques mortais instalaram um clima de insegurança e levaram os principais partidos a acusar o AfD de encorajar a violência.

 

O dito popular pode explicar a manobra do governo alemão: “Pau que bate em Francisco também bate em Chico”. O governo alemão está espionando adversários políticos com a desculpa de combate ao extremismo, isso certamente está sendo ou vai ser usado contra a esquerda quando necessário, como quando o Ministério do Interior da Alemanha decidiu tirar do ar o site linksunten.indymedia.org, uma plataforma que é considerada como o meio mais influente na extrema-esquerda alemã. O site existia desde 2009 e segundo o ministério viola “em finalidade e atividade” as leis criminais e se opõe à ordem constitucional. Os símbolos da plataforma também foram proibidos.

Recentemente também na Europa, mas especificamente na Espanha, uma partida de futebol foi suspensa após um jogador sofrer com a hostilidade da torcida na arquibancada. No caso, a ofensa foi chamar um atleta de nazista.

 

A torcida do Rayo Vallecano time da segunda divisão, protestou contra o atacante Roman Zozulya, por ter ligação com movimentos de ultradireita da Ucrânia e por ter apoiado o chamado “Exército Popular”, unidade fora do exército regular do seu país e formado por neonazistas ucranianos. Em contrapartida, vários jogadores pela Europa sofrem de racismo, mas a medida de paralisar uma partida de futebol por ofensas racistas é usada quando um Nazista é chamado de Nazista.

O avanço da direita fascista só deve e pode ser contido também com o avanço da esquerda, ou seja, a ação popular, que deve ser usada de forma proporcional e com a mesma intensidade de força. Setores da esquerda querem iludir a população no sentido de que a justiça burguesa é imparcial, isto é, para combater a fascismo devemos usar os meios jurídicos…

 

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