Menos de 1% dos advogados de grandes escritórios são negros

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Em pesquisa desenvolvida pelo Ceert (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) juntamente com a Aliança Jurídica pela Equidade Racial (FGV e escritórios de advocacia), chegou-se aos dados de que menos de 1% dos advogados em grandes escritórios são negros.

De uma amostra de 3.624 pessoas dos maiores escritórios de São Paulo (BMA, Demarest, Leofosse, Machado Meyer, Mattos Filho, Pinheiro Neto, TozziniFreire, Trench Rossi Watanabe e Veirano), foi retirado de que, entre os brancos, 10,1% são estagiários e 48,3% ocupam altos cargos (advogados juniores, plenos, seniores ou sócios). Dentre os negros, 9,4% são estagiários, porém, menos de 1% ocupam os altos cargos.

Nesse sentido, a pesquisa expõe a desigualdade de condições econômicas para que os negros possam ingressar e continuar suas carreiras nesses grandes escritórios. Uma desigualdade histórica que se verifica na dificuldade de pagar as mensalidades do curso, na compra da roupa, do sapato, dos livros, alimentação, xérox, transporte, o que dificulta a continuidade da população negra no bacharelado e na carreira jurídica. Essa disparidade não se limita no curso de direito, porém, também verificam-se nos cursos elitizados da medicina e engenharia.

Apesar da luta do povo negro conseguir conquistar o direito de cotas raciais nas universidades públicas e, assim, conferir o acesso à educação superior, o governo do Bolsonaro e dos golpistas ameaçam esses direitos. Os parlamentares bolsonaristas no Congresso Nacional querem retirar o critério racional da Lei de Cotas, fora os cortes de 30% das verbas para a Educação, prejudicando todos aqueles que dependem de bolsas para a pesquisa.

Em decorrência desse cenário político, do avanço das propostas neoliberais para o país, a desigualdade racial tenderá a se agravar visto que não só as políticas afirmativas estão sendo destruídas por esse governo, como também o direito básico à educação do povo está cada vez mais propenso a se tornar cada vez mais precário. É necessário, portanto, continuar com as mobilizações nacionais pelo Fora Bolsonaro e barrar nas ruas a ofensiva da direita golpista anti-povo.