Meio milhão de crianças desnutridas na Colômbia: como não é a Venezuela, a imprensa se cala

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O governo colombiano reconhece que existem mais de 560 mil casos de desnutrição em crianças na primeira infância (0 a 5 anos). Além disso, a desnutrição crônica atinge uma em cada nove crianças do país. Ao contrário do que a imprensa golpista sugere por aqui, esses números são de um relatório oficial do governo da Colômbia. Esses dados são representativos dos últimos anos em que o país se submeteu completamente a política externa dos Estados Unidos.

Ao contrário do que diziam os coxinhas, a direita quer aplicar a mesma política imposta à Colômbia. O regime atual no país é controlado pela extrema direita que impõe um duro ataque de conjunto a maioria da população. Como se não bastasse a fome e a pobreza extrema admitida pelo próprio governo, inúmeros ativistas sociais e sindicalistas morrem pela repressão de grupos paramilitares ligados à direita. Mas, como não é na Venezuela e a Colômbia é um fantoche dos EUA, a imprensa se cala mundo afora.

Enquanto a imprensa se cala frente a um governo subserviente e antipovo, inúmeras crianças já vieram a morrer de desnutrição nos últimos anos. A maioria das mortes acontece nas periferias de grandes centros e em grupos indígenas.

Os números de desnutrição foram expostos pelo governo colombiano em um relatório feito em conjunto com a Fundação Grupo Êxito. A intenção do governo é, supostamente, criar um plano nacional da combate a fome em uma aliança do Estado com entes privados. Asim sendo, claramente uma ingerência em um assunto que qualquer governo minimamente democrático deveria ter prioridade em resolver.

“Temos que sacudir a mentalidade das pessoas e torná-las conscientes do problema. Que uma a cada nove crianças na Colômbia esteja desnutrida é gravíssimo, são 560 mil crianças no país (…) 90 mil menores em Bogotá”, disse o titular da Fundação Grupo Êxito, Carlos Mario Giraldo. Entretanto, quem deveria se ocupar do problema são as autoridades colombianas que mostra sua indiferença ao flagelo da maioria da população.

Essa estratégia de transformar o problema da fome em uma questão a ser tratada fora do Estado, por meio de iniciativas que envolvam entes privados, é uma velha tática da direita. Ao mesmo tempo, a fome produzida pela política neoliberal do governo, pode até mesmo motivar doações de recursos de pessoas bem intencionadas. Mas, não tenhamos ilusões, nem o governo de direita da Colômbia nem essas fundações ligadas ao imperialismo estão preocupados com a fome dos colombianos.

Com base nesses dados, fica difícil de encontrar alguma lógica que não seja a do golpismo na tentativa de entrega de ajuda humanitária à Venezuela. Na verdade, a Colômbia podia ter usado os dois caminhões que pegaram fogo na ponte com a Venezuela para alimentar suas crianças desnutridas e não para provocar e interferir em um país vizinho.