Mea culpa, mea maxima culpa: arrependimento sim, mobilização não
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Mea culpa, mea maxima culpa: arrependimento sim, mobilização não
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Transcrevemos abaixo um trecho da análise política da semana, do dia 6 de julho, na qual o companheiro Rui Costa Pimenta, presidente nacional do PCO, analisa a política capituladora da esquerda frente à crise do governo Bolsonaro. A análise política vai ao ar todos os sábados, a partir das 11h30 da manhã, na Causa Operária TV, no Youtube.

“A coisa chegou a ponto tal, que eu vi essa semana, um mea culpa, porque nós estamos na estação do mea culpa, em função do Sérgio Moro. Todo o PSOL está batendo no peito, parece meu tempo de menino, quando você ia na igreja, de acordo com a liturgia católica, você batia no peito e dizia mea cupla, mea culpa, mea máxima culpa. Até a revista Veja tirou um editorial pedindo desculpa, acredite quem quiser nas desculpas da imprensa capitalista, venal, corrupta e safada. Aí apareceu o Jaques Wagner e declarou que ele cometeu um erro ao votar a favor a delação premiada. Mas, não foi só um erro em relação ao Lula, este é um erro que é uma coisa criminosa contra a população brasileira, porque nós agora estamos à mercê de juízes.

Eu vi essa semana, que o Jair Bolsonaro irá indicar mais de 3 mil juízes. Nós estamos à mercê desses juízes, indicados por ninguém  mais, ninguém menos do que o senhor Jair Bolsonaro. E os juízes podem botar você na cadeia e deixar você lá até você confessar crimes que nunca você havia pensado que havia existido. Por isso que antes de acusar o povo brasileiro, é preciso pensar nas lideranças do povo brasileiro, o que elas fizeram, o que está acontecendo, porque há ainda muita coisa acontecendo aqui.

Por exemplo, a esquerda votando aí a torto e à direito à favor da censura, e a censura comendo solta por aí, um monte de gente censurada, a esquerda votando pelo aumento das penas em pleno regime bolsonarista, e a polícia deitando e rolando aí, isso sem falar nos assassinatos políticos dos sem-terras, dos homossexuais, isso sem falar nesse aspecto do problema. A esquerda brasileira, o grande problema é que essa política continua vigente. 

Diante das revelações públicas do caso Sérgio Moro, era obrigação da esquerda chamar grandes mobilizações no país inteiro. Cadê as mobilizações? Não têm. Nenhum ato público, nada. É só discurso no Congresso, Facebook, Twitter, declarações bestas sobre o assunto, e a mobilização popular na hora que o regime está na corda bamba, nada, nada de nada. Aí setores da educação chamaram para o dia 12 um ato em defesa da educação e a CUT chamou um ato no dia 10 de julho em defesa da previdência. Porque é isso que nós temos que aprender com a esquerda, não tem que ter uma política relativa ao poder do estado, a política em relação ao poder do estado é o fica Bolsonaro. Deixa o Bolsonaro aí, ele está bonito lá no governo, vamos atacar algumas das consequências do governo Bolsonaro. Bolsonaro está destruindo todos os direitos da população, não tem problema. Vamos fazer aí uma manifestação a cada quarenta dias até a reforma ser aprovada, porque com tão pouca mobilização, como nós vamos impedir a reforma de ser aprovada.

O Bolsonaro está destruindo tudo, vamos aqui aparecer e falar da educação, não vamos falar do Fora Bolsonaro. Fora Bolsonaro é só em 2022. Quer dizer, nós estamos em 2019, nós temos 2019, o ano inteiro, 2020, o ano inteiro, 2021, o ano inteiro, 2022, em  2023, se as eleições não forem fraudadas, porque um fato a gente tem que dar razão à esquerda, quem que fraudaria as eleições no Brasil, em uma democracia tão consolidada como a nossa, não comporta fraudes, não vai acontecer nada, a disputa será limpa. O Lula não vai poder concorrer, porque ele não vai sair da cadeia de jeito nenhum, ele está prestes a ser condenado em um novo processo. Mas, nós temos os heróis nacional. O Flávio Dino já disse que irá concorrer, o Haddad disse que vai concorrer, porque ele é o substituto de Lula, grande candidato popular. Nós temos ainda o Rui Costa, na Bahia, que vai ganhar no país inteiro, menos na Bahia, por que a Bahia inteira está contra ele, por conta daquilo que ele fez no estado. Ou seja, uma grande expectativa, enche nosso coração de esperança saber que nós, não sei quem exatamente, vai ganhar a eleição para reverter tudo o que o Bolsonaro fez no país. Você acredita nisso daí, você realmente acredita nisso daí? Se você acredita nisso, você precisa de um psiquiatra.

Não dá para acreditar, esse é o problema que nós estamos vivendo hoje. A esquerda está paralisada e é preciso combater o governo. Só que a maior parte das organizações está em outra coisa, está em demagogia eleitoral, antes de 2022, nós vamos ter as eleições de 2020. Muito importante esta eleição. Será que nós conseguiremos capitalizar as denúncias contra o Sérgio Moro, para eleger um vereador? Esse vereador vai ter um peso na oposição ao Jair Bolsonaro, extraordinário. Vamos eleger um vereador no Rio de Janeiro, esse vereador vai ter um peso contra as milícias no Rio de Janeiro, esse vereador vai derrubar o Witzel. Não, não vai acontecer nada.

Por isso nós temos que insistir aqui e insistir em todos os lados, em todas as organizações do movimento popular, que é preciso mobilizar o povo agora contra o governo Bolsonaro. O governo está em crise, a esquerda está decidida para deixar passar essa crise, na expectativa de que a crise vai até 2020, onde eles vão ganhar cargos muito importantes para eles, pra mim não tem importância nenhuma, nas eleições municipais. Pra esmagadora maioria da população não tem importância nenhuma. Aí o Bolsonaro vai ficando mais fraquinho, até que em 2022 nós ganhamos a eleição presidencial. Não sei também se isso acontecesse, muito difícil de acontecer, se a situação iria mudar. Se elegesse o Rui Costa, ele iria fazer uma política diferente daquela que ele está fazendo na Bahia, e o Haddad, iria fazer diferente? E o Flávio Dino? Que política eles irão fazer se eles conseguissem o milagre de derrotar o Bolsonaro em uma eleição limpa em 2022, para continuar em 2023?”

Assista o trecho abaixo no canal da Causa Operária TV.