MBL falsifica a história dos Palmares: escola sem partido é escola de ignorantes e falsários

Por ocasião da passagem do dia 20 de novembro, dia de Luta do povo negro, em homenagem a Zumbi dos Palmares, o vereador do partido herdeiro da ditadura militar, o DEM, e notório capitão-do mato, Fernando Holiday, publicou vídeo intitulado  A verdade sobre Zumbi dos Palmares, no qual procura de todas as formas desprestigiar a memória do líder negro, fazendo coro com os setores mais reacionários da burguesia golpista branca e racista.

Ele repetiu o que há de pior na historiografia oficial que busca mentir e ocultar os fatos históricos que tenham alguma importância para que os trabalhadores e a juventude possam compreender as lições da luta dos explorados de nosso País e dai tirar lições para a luta de classes contra a burguesia na etapa atual.

O vereador do partido dos banqueiros e latifundiários inimigos do povo negro, entre outras ataques, busca desqualificar toda a luta gloriosa do Quilombo dos Palmares, e com ela toda a luta do povo negro contra a escravidão, afirmando que a história que o movimento, os historiadores honestos e a esquerda proclamam não passaria de falsidade, segundo ele na “tentativa de construir um herói da liberdade” que não teria existido como tal.

A luta heróica de Zumbi e dos quilombolas, seria segundo Holiday uma “invenção” dos marxistas e intelectuais como Darcy Ribeiro, e Zumbi “um mito construído com base em fatos falsos”

Para atingir o dirigente do maior de todos os quilombos e que serviu de exemplo para centenas ou milhares de outros que se espalharam pelo País, o vereador que apoiou a ascensão golpista de Temer e a eleição fraudulenta de Jari Bolsonaro afirma que “o quilombo não era centro de luta dos negros” e que “Zumbi não pode ser chamado de herói, pois não fez grandes feitos, a não ser desafiar a coroa portuguesa”. Soa como um elogio ao guerreiro, vindo de um servo da burguesia branca, ativista de um partido, o DEM, e de um movimento fascista, o MBL, que tem como uma das principais características o seus servilismo diante do imperialismo norte-americano, o qual apoiam contra todos os interesses do povo negro e brasileiro.

Segundo o negro “pai-joão”, a exaltação a Zumbi “pretende ofuscar figuras que trabalharam pela abolição como a princesa Isabel”. Dessa forma, Holiday endossa a versão fantasiosa e depreciativa da luta do povo negro, de que a abolição teria sido uma concessão da monarquia branca e da oligarquia e não um produto direto da luta do povo negro, da sua organização em quilombos, em movimentos como os dos caifazes e das inúmeras rebeliões regionais que tinham como uma de suas bandeiras o fim do regime de escravidão.

Insultando Zumbi, sem ter o menor conhecimento dos fatos e sem apresentar quaisquer provas, o parlamentar à serviço dos banqueiros, latifundiários e outros sanguessugas defensores do extermínio do povo negro, ontem e hoje, tenta desqualificar sua luta afirmando que ele era uma “pessoa sedenta por poder que tentou desafiar a coroa portuguesa sem grande sucesso”, mostrando-se como um verdadeiro administrador não da luta dos seus antepassados mas dos escravocratas e massacradores do povo negro.

Fernando Holiday é um dos ativos defensores dos ataques e perseguição aos professores, dentre outras causas, por estes conterem o “crime” de estimularem os jovens a aprenderem da luta do quilombo e com Zumbi a rejeitarem a submissão dos negros diante dos brancos. Seu posicionamento na questão de Zumbi evidencia o caráter reacionário não apenas deste garoto-propaganda da burguesia racista e escravocrata como de todo o movimento que ele integra e lidera. Deixa evidente que o Escola com fascismo, por eles defendido, é uma escola de ignorantes e falsários, que estão dispostos a festejarem e a jogarem na lama toda a honrosa tradição de luta do povo negro para obterem, momentaneamente, vantagens pessoais, tais como os negros que sucumbiam ao regime escravocrata e se tornavam delatores e perseguidores dos seus irmãos negros, como capitães-do-mato, durante os mais de três séculos de escravidão no Brasil.

O regime de escravidão do negro no Brasil foi o último a ser abolido em todo o mundo, já no final do século XIX, quando seu potencial como regime de produção encontrava-se exaurido. As derrotas dos incontáveis movimentos de luta dos escravos na colônia e dos inúmeros movimentos revolucionários diante do poder centralizado do “império” está na raiz deste desenvolvimento histórico. Para liquidá-lo, mesmo assim, foi necessário uma das maiores mobilizações de massas a que o país assistiu em toda a sua história.

Holiday, a burguesia branca e racista e todos os inimigos da luta do povo negro gostariam de apagar da história estes e outros momentos históricos e heróicos da luta do povo negro e trabalhador no Brasil e em todo o Mundo, para evitar as consequências desse aprendizado nos tempos atuais, quando os negros e todos os escravos modernos precisam, como nunca, entender que a emancipação do jugo capitalista  só pode advir da sua luta, da sua organização independente. Para o que é fundamental deixar de lado a idéia fantástica da convivência pacífica entre escravos e seus donos, garantidos os direitos políticos e sociais dos primeiros. A história dos negros e de nosso País comprovou que a própria idéia de uma solução negociada para o problema do negro não tem qualquer fundamento.

A experiência da história assinala claramente que nada, absolutamente nada, que diga respeito às reivindicações dos explorados – e particularmente, da enorme população negra do país entre eles – foi conseguido sem uma luta encarniçada, prolongada e cruel. E isto serve para a situação presente do negro no país, diante do golpe de Estado, que faz retroceder como nunca as condições de vida do povo negro e de todos os explorados.