Mato Grosso presencia primeiro assassinato e tentativa de massacre contra sem-terra do ano

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Na madrugada de ontem, 5 de janeiro, mais um brutal ataque aos movimentos de luta pela terra aconteceu em Conilza-MT. O trabalhador rural Eliseu Queres foi assassinado dentro da Fazenda Agropecuária Bauru, conhecida como Fazenda Magali. O Conflito deixou outras nove pessoas feridas, três delas em estado grave.

O assassinato ocorreu quando os trabalhadores se dirigiam a pé ao Rio Traíra para buscar água e foram surpreendidos pelos seguranças armados, sendo alvejados de maneira vil e covarde. Após o ataque e assassinato a Polícia Militar não queria sequer deixar o SAMU ir buscar as vítimas no local da tragédia, sendo que inicialmente a própria polícia se negou a ir ao local.

Esse é o primeiro assassinato registrado pela CPT(Comissão Pastoral da Terra), em 2019, por conflitos no Campo.

No mesmo município e com o mesmo movimento de luta pela terra, em 19 de abril de 2017, há menos de dois anos, 9 trabalhadores rurais foram barbaramente executados, em uma das maiores chacinas ocorridas por conta da luta pela terra e pela reforma agrária em oposição à acumulação de terras e ao agronegócio, responsáveis pelos ataques e assassinatos na região.

A tragédia ocorrida neste sábado vinha há tempos sendo anunciada e denunciada pelo Fórum de Direitos Humanos e da Terra de Mato Grosso (FDHT-MT) e pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) no estado, na época entidades da luta pela terra e de defesa dos trabalhadores alertavam para o eminente conflito na região onde 200 famílias reivindicam o direito à terra e vivem sob a ameaça de aproximadamente 30 pistoleiros.

A área dos atentados contra os trabalhadores, conhecida como Fazenda Magali, se encontra em uma grande gleba de terras da UNIÃO (área já solicitada para ser destinada á reforma agrária), a região é de disputa entre antigos grileiros e o ex deputado estadual José Riva (PSD) em sociedade com o ex governador Sinval Barbosa, que supostamente adquiriram parte dessa área com dinheiro de desvios do erário público.

Em 7 de maio de 2013, José Riva foi afastado da presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, acusado de desvio de dinheiro público tendo que devolver mais de R$ 4,7 milhões aos cofres públicos. De acordo com o Ministério Público ele chefiava um esquema de desvio de verba dos cofres da assembleia. Em um dos processos, José Riva é acusado de pagar a uma empresa fantasma quase R$ 3 milhões.

O parceiro de Riva, o ex governador Sinval Barbosa é acusado de vários crimes, entre eles pagamentos de propinas a deputados em troca de aprovações de projetos de seu interesse, gravados por câmeras de vídeo. Esses são os principais suspeitos, que há alguns meses ameaçaram vários trabalhadores com capangas pagos e fortemente armados que eles colocaram na fazenda.

Entidades de defesa dos trabalhadores já haviam denunciado amplamente para o governo do Estado (Governador, Casa Civil, Casa Militar, SESP), bem como para o MPF, OAB e Assembleia Legislativa, solicitando as medidas cabíveis para estancar o conflito.

As vitimas da tentativa de massacre são:

Eliseu Queres (assassinado); Milton José da Silva, Moisés Ferreira, Valmir Nunes Januário estes gravemente feridos e internados em estado grave , além dos demais feridos:  Antônio José Maia, Manoel Ferreira Barbosa, Marcos Martins do Prado, Nalbes Apolinário, Tahik Bruno Oliveira, Tiago Alves Lopes.

Para a luta contra os massacres no campo e por uma reforma agrária profunda é necessário, antes de tudo, a derrota do golpe de Estado e do Estado Militar que cada vez mais vai se impondo, com a luta pelo Fora Bolsonaro e todos os golpistas, com a organização de comitês de luta e de auto defesa. Caso contrário, o governo fascista e seus apoiadores aprofundarão a crise no campo e a dimensão dos massacres.