Ciência contra o racismo
O uso de tecnologias para a vigilância da população pobre e negra só servem para aumentar a repressão e revelam como a ciência é utilizada para o domínio de uma classe sobre outra
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Boicote visa evitar algoritmos racistas | Reprodução

Mais de dois mil matemáticos assinaram uma carta concordando em boicotar o trabalho colaborativo com departamentos de polícia e aconselhando seus colegas a fazerem o mesmo. A carta defende a eliminação das tecnologias policiais onde elas são produzidas, na academia. O que é muito positivo na luta do povo negro contra o racismo, que tem no seu cerne a luta pela dissolução da polícia militar, sua maior opressora.

Motivada pelos recentes assassinatos cometidos pela polícia de George Floyd, Breonna Taylor, Tony McDade e muitos outros, e pela subsequente brutalidade da resposta policial aos protestos do movimento “Black Lives Matter”, a carta é direcionada à toda comunidade de matemática, e ainda sugere que os departamentos dos cursos de ciência de dados devem implementar “resultados de aprendizagem que abordam as implicações éticas, legais e sociais dessas ferramentas”.

Os autores do documento citam “profundas preocupações sobre o uso de aprendizado de máquina, inteligência artificial e tecnologias de reconhecimento facial para justificar e perpetuar a opressão”. Dessa forma exigem que: “Qualquer algoritmo com potencial de alto impacto seja submetido a uma auditoria pública. Para aqueles que desejam fazer mais, participar deste processo de auditoria é uma forma potencialmente proativa de usar conhecimentos matemáticos para evitar abusos de poder.”

O uso de tecnologias para a vigilância da população pobre e negra só servem para aumentar a repressão e revelam como a ciência é utilizada para o domínio de uma classe sobre outra. É simplesmente muito fácil criar um verniz “científico” para o racismo, como afirmam os autores da carta. A inteligência artificial e a computação moderna estão dando nova vida e um verniz de objetividade a essas teorias desmascaradas, que já foram usadas para legitimar a escravidão e perpetuar a “ciência” da raça nazista.

Desde 2013, o policiamento preditivo é utilizado em estados dos EUA. O modelo é uma área chave onde alguns matemáticos habilitaram algoritmos racistas, que agora dizem aos policiais para tratar locais específicos como “pontos críticos” para potenciais crimes. Essa estratégia de policiamento, na qual a polícia age fortemente contra violações menores, na desculpa de que isso vai coibir crimes mais graves, tornou-se uma ferramenta de encarceramento em massa, enviando milhões de homens (especialmente jovens negros) para a cadeia por crimes não violentos. Sem contar a coerção das tecnologias de reconhecimento facial, já bem difundidas no mundo. Como pode ser visto na reportagem publicada no Diário da Causa Operária: Sistema de reconhecimento facial prende homem negro por “engano”.

Esses algoritmos treinados em dados produzidos por um policiamento racista acabam por reproduzir esse preconceito. Nesse sentido, essa carta é um movimento importante para apoiar a luta contra a repressão da polícia militar sobre o população negra e pobre.

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