Futebol e Racismo
As demonstrações de racismos devem ser combatidas por processos de injuria racial para que a justiça burguesa decida? Ou pela organização dos trabalhadores e dos grupos explorados?
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Apresentação de Marinho no clube onde jogou o maior atleta do seculo XX | Fotos: Ivan Storti/Santos FC Site Flick

O futebol sem torcida, a nova invenção da burguesia para garantir seus ganhos, já se encontra o todo vapor  pelo Brasil. Só que tornou a principal paixão esportiva mundial  em algo extremamente sem graça. Todavia,  permite aprofundar a nossa compreensão sobre as tensões existentes na sociedade tanto no Brasil como no mundo.

A lição desta vez é sobre o tratamento que os jogadores, principalmente os negros, trabalhadores da bola, recebem no mundo do futebol. Esta lição transcorreu durante os jogos das quartas de final do Campeonato Paulista que contaram com a presença de duas das principais equipes brasileiras, o Santos e o Corinthians.  Estes times tiveram os seus destinos praticamente definidos por faltas cometidas por seus jogadores. Só que tanto o modo como os juízes quanto como os comentaristas trataram cada um dos jogadores  comprova a forma que lidam quando alguém é branco ou é negro.

No jogo Corinthians x Red Bull Bragantino, no dia 29 de julho, em uma jogada no primeiro tempo, o lateral direito Fagner, do “Timão”, um jogador branco e famoso por entrar “rachando” nas divididas, fez uma falta forte no adversário, o jogador Morato,  o chamado “agulhão”, ao deixar a perna alta depois de errar a bola.  O juiz considerou que ele foi só imprudente e ficou no cartão amarelo. Caso fosse expulso, a situação do Corinthians poderia ter se complicado bastante. Contudo, não se sabe de nenhum comentário depreciativo realizado pelos comentaristas esportivos. .

Já no jogo entre Santos e Ponte Preta, o jogador Marinho ao tentar retomar a bola em uma saída de bola errada do time da “Macaca”, deixou o braço esticado como uma represália ao zagueiro por este ter levantado a perna na altura do peito de seu peito, os dois caíram sendo que o jogador da defesa ficou rolando no chão alegando que foi duramente atingido.  O juiz mesmo com o recurso do Árbitro de Vídeo não teve dúvida e deu o segundo amarelo ao jogador santista ainda no primeiro tempo, desequilibrando o jogo. Mas este não foi o pior e sim o comentário de Fabio Benedetti na rádio Energia 97 FM. Ele chamou o jogador de burro e disse que estava na senzala e por isto seria expulso por uma semana.

O episódio teve uma repercussão bastante negativa com torcedores de vários times demonstrando sua desaprovação e significou possivelmente o fim da carreira de comentarista Benedetti, mais conhecido como um dos donos de um restaurante de comida espanhola em São Paulo. Esta ofensa vai ser somar a uma lista enorme de ofensas que têm acontecido pelo mundo inteiro, motivadas por racismo.

Uma reportagem do site do Jornal Extra traz um levantamento do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, mostrando que as expressões de racismo em jogos de futebol só têm aumentado ano a ano desde 2014, tanto que em 2019 foram registrados 56 casos de injúrias raciais, doze a mais que em 2018 – considerado o pior ano anteriormente.

Mas qual a origem deste aumento cada vez maior destas demonstrações de racismo? Com certeza não é uma comprovação do chamado racismo estrutural, criação das universidades estadunidenses. Inclusive racismo estrutural é uma expressão que agora até os jornalistas das organizações golpistas Globo empregam para se mostrar preocupados com a desigualdade racial. Uma expressão que tem a qualidade para a imprensa  burguesa  de esconder  o criador deste racismo que é o próprio capitalismo.

Este aumento de demonstrações que buscam rebaixar as pessoas diferentes de um padrão estabelecido decorre do avanço da extrema direita sobre regimes políticos em várias partes do mundo.

Uma vez que a extrema direita estimula a hierarquização dos grupos sociais, além de enaltecer os segmentos médios conservadores da sociedade e desqualificar os trabalhadores manuais e a classe operária. Classe que em nosso país como em muitos outros é em sua extensa maioria composta por negros. Todavia não se pode esquecer os vários estados africanos onde uma camada dos negros fica rica normalmente associada ao imperialismo, termo esquecido e negado pela esquerda pequena burguesa, e explora a classe negra trabalhadora.

Assim a superação do racismo não se dará processando por injúria racial todo idiota que diga uma sandice racista até por que o sistema jurídico burguês vai proteger quem ele deseja como já o fez até com o lobista da cloroquina no Brasil, o próprio presidente da República. É preciso que os trabalhadores, e nisto se incluem os jogadores negros, se organizem e enfrentem a extrema direita. Não através de um discurso identitário mas de classe. Pois  a superação do racismo se dará com a derrubada do capitalismo e a derrota do imperialismo e dos seus cães de guerra que é a extrema direita.

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