Marinho descarta aliança com Ciro e “plano B”, agora

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Refletindo as enormes pressões das bases do PT e de ampla maioria do ativismo que luta pela liberdade de Lula e contra o golpe, Luiz Marinho, presidente do Partido dos Trabalhadores de São Paulo e pré-candidato do partido ao governo do Estado, declarou que se opõe a buscar um “plano b”, ou seja, a indicação de uma outra candidatura presidencial que não seja a do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, como vem sendo preconizado pela direita (que faz aberta campanha para pressionar em favor de Ciro Gomes, do PDT) e por setores da esquerda burguesa e pequeno burguesa, de dentro e fora do PT. “Coligação do PT com Ciro está 100% descartada“, sentenciou.

Segundo Marinho, “o nosso candidato é Lula”. Acrescentando que “a candidatura de Lula será registrada e que, por isso, a aliança com Ciro está descartada”.

Centrando diante da pressão de setores da direita, o dirigente que foi presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse que não é fácil encontrar consenso dentro do partido caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não encontre meios legais para sustentar sua candidatura. Segundo ele, “esse é um pressuposto equivocado [a ausência de Lula do processo eleitoral], do nosso ponto de vista. Lula está em uma prisão temporária. Tem que caracterizar bem isso. Acreditamos, sinceramente, que as instâncias superiores corrigirão essa trágica sentença ridícula do juiz Sergio Moro. Há brechas legais e reais para Lula ser candidato.”  Com o que o dirigente procura indicar sua crença em uma saída que advenha das decisões do judiciário e não da mobilização operária e popular e com o que acena para a direita que a decisão de abandonar Lula possa ser tomada mais adiante.

Nessa mesma direção, procurou desconversar diante das declarações de outros dirigentes petistas que sinalizam no sentido da busca de uma aliança com Ciro. “Desconheço qualquer liderança nossa, com poder de decisão, que tenha dado esse passo já [construir uma frente]. São declarações hipotéticas. Isso não pode existir antes da hora. As possibilidades jurídicas de Lula ser candidato existem. Por que desistir? A decisão está tomada. Dia 15 de agosto, a candidatura de Lula estará registrada. Só se um julgamento do TSE e as instâncias superiores disserem “não, não é” é que cabe a discussão e inclusive perguntar a Lula quem é o candidato. Ponto.”

As declarações do ex-dirigente metalúrgico evidencia as enorme pressões estabelecidas sobre o PT. Pela direita, com a campanha em favor de abandonar a luta em favor da liberdade de Lula e contra o golpe e se lançar na campanha de um candidato com laços com os golpistas que sirva, supostamente, para atender a pequenos interesses regionais e eleitorais de setores da alta burocracia do partido e dos interesses dos próprios golpistas que desejam legitimar eleições fraudulentas, sem a participação de Lula, e com a eleição de um candidato comprometido com aspectos centrais da política antioperária e antinacional do golpe de Estado.

Por outro lado, pela esquerda, se amplia a compreensão – por conta da própria experiência política e da luta travada até o momento – de que é preciso rejeitar toda essa política reacionária de privilegiar as eleições e de acreditar em uma saída negociada com os golpistas para a crise atual. Em outras palavras: que é preciso intensificar a mobilização, reagir nas ruas à ofensiva da direita e que só através dessa luta será possível libertar Lula e derrotar o golpe.