Marielle, Lula, jovens do PCdoB…: no aniversário do golpe de 64, o povo e toda a esquerda na mira dos fascistas

Mariellen, Lula, jovens do PCdoB...: o povo e toda a esquerda na mira dos fascistas
5 jovens assassinados em Maricá – RJ

Os cinco jovens executados em Maricá – a 60 km do Rio de Janeiro -, no último dia 25,  “não tinham envolvimento com qualquer atividade criminosa”, de acordo com a Delegada Titular da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, Bárbara Lomba. Eles integravam rodas culturais de hip-hop na cidade -projeto das secretarias de Participação Popular, Direitos Humanos e Mulher e da Cultura – e também, duas das vítimas, eram militantes da União da Juventude Socialista (UJS), ligada ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Segundo a delegada, eles foram “perfilados e mortos um após o outro, de forma brutal e covarde”, com tiros na cabeça, disparados por uma pistola calibre 38.

Dezenas de milhares protestam contra a execução da vereadora do PSOL, Marielle Franco, em todo o País
Enterro de Marielle Franco
Caravana de Lula mostra que é preciso os trabalhadores precisam defender-se por seus próprios meios 5
Fascistas atacam caravana de Lula

A chacina ocorreu na mesma semana em que mais de 10 pessoas foram assassinadas pela ação da Tropa de Choque da PM, na Comunidade da Rocinha, 11 dias depois do assassinato da vereadora Marielle Franco, do PSol- que denunciava a violência da PM contra a população pobre – e seu motorista, Anderson Gomes,  e nos dias em que se deram violentos ataques de bandos fascistas contra a caravana do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva que resultaram em espancamentos de mulheres, idosos e ativistas de esquerda desarmados e desprevenidos.

Tais fatos se somam a centenas ou milhares de outros como ataques a sedes de organizações de trabalhadores – partidos, sindicatos, CUT, MST etc. -, processos e assassinatos de lideranças de trabalhadores rurais sem teto e outros, evidenciando que o golpe de estado não veio apenas para atacar os dirigentes do PT, mas abriu caminho para uma ofensiva geral contra toda a esquerda e todo o movimento de luta dos explorados e de defesa dos direitos democráticos do povo.

Temer diz que o povo gostou de ficar sob a bota dos militares de 1964 a 1985.
Militares no comando do país

Mesmo com todas estas evidências de intensificação da ação ilegal e reacionária de grupos militares, paramilitares e grupos fascistas de um modo geral; da intervenção militar no Rio, das seguidas declarações a favor de um golpe militar da parte de importantes chefes militares e até da convocação de um ato comemorativo do golpe de 64, por alguns desses chefes, a maioria da esquerda, procura tratar os casos de forma isolada, não faz qualquer esforço para promover uma mobilização real para barrar a ofensiva e procuram manter o foco na questão eleitoral.

O vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino – por exemplo -, destacou que os “atentados buscam clima para tumultuar as eleições” [sem sequer citar os jovens de seu partido assassinados]. Em Nota Oficial, o “PSOL considera esses fatos um atentado contra a democracia. Não podemos permitir que o discurso de ódio e a intolerância vençam”, como se o problema fosse o que se diz e não a realidade de que a ação, bem concreta, da direita, dos golpistas está deixando um rastro de agressões, mortes, além de uma violenta destruição das condições de vida de dezenas de milhões de brasileiros.

No momento fúnebre em que lembramos o famigerado golpe pro-imperialista de 1964, é preciso repudiar essa atitude passiva e confusa da esquerda e dar a batalha para superá-la por meio da organização e mobilização dos explorados e de suas organizações de luta para enfrentar e derrotar a direita e o golpe de estado, fortalecendo e ampliando os comitês de luta contra o golpe, pela anulação do impeachment e contra a prisão de Lula, saindo às ruas e colocando de pé os comitês de autodefesa, para barrar a ofensiva da direita pelos meios que forem necessários.