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Desde as declarações do governador do Maranhão, Flávio Dino, de apoio a Ciro Gomes (PDT-CE), ficou claro a que viera a postulação de Manuela D’Ávila pelo PCdoB à presidência da república. Trata-se de uma candidatura artificial, uma ponte de embarque de seu partido para o lado golpista.

É antiga a intenção do PCdoB de “virar a página do golpe” – ou seja, ignorar a ofensiva imperialista contra os trabalhadores e seguir conduzindo a sua política de conciliação dentro do novo regime de exceção. Como se o país não estivesse passando pelo golpe de estado, como se não houvesse a ameaça de golpe militar, como se as eleições conduzidas pelos golpistas fossem legítimas e normais.

O primeiro sinal de desembarque do PCdoB da luta contra o golpe ocorreu em julho de 2016, quando o Partido declarou abertamente apoio ao golpista Rodrigo Maia (DEM-RJ) na eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. Em seu discurso de posse, Maia revelaria que sua candidatura fora urdida em diálogo com Orlando Silva (PCdoB-RJ).

O segundo sinal de capitulação do Partido aconteceu em outubro de 2017, quando o PCdoB revelou a intenção de lançar candidatura própria à presidência da República nas eleições de 2018. Já à época,  falavam em abandonar a candidatura de Lula à presidência, e em formar uma “Frente Ampla” de esquerda. Desde 1945, o Partido não lançava candidato próprio ao comando do país, tendo feito aliança com o PT em todos os sete pleitos presidenciais depois da redemocratização.

No congresso do PCdoB, em novembro de 2017, consolidou-se o lançamento de uma candidatura própria , designando para a tarefa a Deputada Estadual do Rio Grande do Sul, Manuela D’Ávila. Na ocasião, a própria Manuela explicou do que se tratava:

Acreditamos que o golpe encerra um ciclo político e é por isso, que, para nós, 2018 não pode ser momento de mero debate sobre o passado. Nós não queremos fazer da eleição um momento de acirramento da crise econômica e política. Nós queremos fazer da eleição um momento de construção de saídas. 2018 é momento de debate sobre o futuro. Que brasil viveremos em 2, 4, 10 anos?

Embora houvesse mencionado a participação do PCdoB na luta contra o golpe, Manuela e seu Partido estavam naquele momento declarando encerrado aquele “ciclo”. Abraçavam a institucionalidade golpista e lançavam-se de antemão à discussão de programas eleitorais como se houvesse uma republicana disputa sobre propostas de país em curso. Mas por que a escolha de uma deputada jovem de relativamente pouca expressão para uma tarefa tão importante? Por que não colocar o governador Flávio Dino, a senadora Vanessa Grazziotin (AM), ou a veterana deputada Jandira Feghali (RJ)?

A resposta é simples: a pré-candidatura do PCdoB era uma mera peça de negociação por cargos independente do PT – e daí a recusa ao apoio a Lula, favorito em todas as pesquisas mas perseguido pelos golpistas. Não faria sentido sacrificar um cargo real de um expoente do partido nessa empreitada. Além disso, Manuela ganharia a visibilidade necessária à sua disputa pela prefeitura de Porto Alegre, nas eleições municipais de 2020. O objetivo portanto, não era discutir programa eleitoral algum, mas simplesmente negociar alianças. A candidatura de Manuela D’Ávila à presidência da república era artificial.

Algo já parecia estranho quando Manuela compareceu ao ato de 1º de maio dos patrões, organizado pela Força Sindical em São Paulo. A pré-candidata discursou e deu a mão ao deputado golpista Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

Uma semana depois, pressionado pela direita de seu partido após a prisão de Lula, Flávio Dino queimou a largada e anunciou abertamente: “sem Lula, PT, PCdoB e PSOL devem apoiar Ciro”. A própria Manuela confirmou essa política no mesmo dia, declarando que estava “aberta” à aliança, e que suas diferenças com Ciro “são pequenas diante dos desafios do nosso país e de nosso campo”.

Nada de luta contra o golpe. Apenas submeter-se ao panorama golpista e unir-se à candidatura de Ciro, provavelmente em troca de cargos. Isso porque a vice-presidência do pedetista sempre esteve reservada a alguém do setor produtivo do sudeste. Ou seja: alguém da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp. O nome viria à tona poucos dias depois. Ninguém menos que um dos cabeças do golpe de estado e um dos padrinhos políticos e ex-patrões de Ciro: o vice-presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch. O papel de ponte da candidatura de Manuela D’Ávila estaria então completo, permitindo ao PCdoB a acoplagem em qualquer grupo, mesmo que golpista, com chances de chegar ao poder.

 

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