Manuela D’Ávila, a candidata “feminista”, desconversa sobre a questão do aborto

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Manuela D’Ávila, a pré-candidata a presidência da republica pelo PCdoB, em entrevista ao blog golpista BBC Brasil, no dia 9 de maio, e desconversou totalmente quando indagada sobre a questão do aborto.

“Manu”, como gosta de ser chamada, apoia sua pré campanha presidencial em demagogias esquerdistas como os direitos dos LGBTs e principalmente na luta das mulheres, mas quando tem a chance de fazer uma propaganda e enfrentar as posições direitistas da imprensa burguesa, deixa a desejar.

A direitista BBC Brasil pergunta: ” A senhora é a favor da descriminalização do aborto?”, Manuela responde: “Acho que o Brasil precisa tratar desse tema como um tema de saúde pública e que isso resultará na descriminalização.” Ela não diz nem que sim e nem que não, a típica politicagem oportunista para não descontentar nenhum possível eleitor, mesmo que esse eleitorado seja conservador a ponto de ser contra uma das principais reivindicação da luta das mulheres trabalhadoras.

E a entrevista segue com a pergunta: “Como seria conduzida essa descriminalização? Hoje temos um Congresso de maioria conservadora.”, aqui vale uma análise de cada frase que Manuela deu como resposta. A pré candidata do Partido Comunista do Brasil afirma:

“Um presidente tem relevância política no Brasil e precisa construir um diálogo com a sociedade e com o Congresso. E deve aceitar ganhar ou perder.”

Ou seja, vamos colocar em votação em um congresso burguês e dominado pela direita a questão do direito ao aborto, e devemos acatar caso esse mesmo Congresso seja contra a legalização, um direito fundamental das mulheres. Lembrando mais uma vez, Manuela se diz feminista, mas abre mão disso para não contrariar os possíveis aliados da direita no Congresso Nacional, com quem não se importa em trabalhar junto como veremos a seguir.

BBC continua: “Como a senhora lidaria com bancada ruralista, bancada evangélica, bancada da bala, três forças do Congresso, para avançar suas propostas?” E ela responde:

“Em algumas causas, estaremos juntos, em outras, não. Tenho uma experiência nisso. (..) É possível dialogar sem abrir mão dos nossos princípios.”

Vale lembrar que essa mesma política foi adotada antes por partidos da esquerda pequeno burguesas em outras eleições. Heloísa Helena, candidata pelo PSOL em 2006, tinha uma campanha como de Manuela e afirmava estar “na linha de frente da luta feminista”, porém era contra a descriminalização do aborto por medo de perder “os votos da periferia, onde as mulheres seriam mais conservadoras.”

Heloísa Helena ainda afirmava: “a mulher pode decidir sobre o seu corpo, mas não pode decidir sobre o corpo do outro, que por uma circunstância biológica está dentro dela.”, o mesmo discurso conservador da bancada evangélica no Congresso Nacional. E é essa bancada evangélica que Manuel D’Ávila disse que acataria caso votassem contra a legalização do aborto.

Se dizer a favor da luta das mulheres, é lindo para gravar vídeos no YouTube, porém quando a pesquisa de intenção de votos sobe a cabeça, toda a demagogia é revelada para se garantir migalhas de votos. Que Manuela D’Ávila fale abertamente que é a favor da descriminalização do aborto, ou então que pare de se autointitular a candidata feminista e entre para a turma da bancada evangélica junto com Heloísa Helena e o resto da direita.

Por fim, é necessário que as organizações representativas das lutas das mulheres, bem como o conjunto do movimento operário e popular, lutem e façam uma grande campanha pela descriminalização do aborto e, também, por sua completa legalização.