Contra o Estado burguês
O episódio mostra porque é preciso defender o direito de autodefesa do povo
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Manifestantes ocupam o centro de Curitiba | Foto: Reprodução

As reações da torcida Gaviões da Fiel em São Paulo, no domingo (31) e dos Antifas em Curitiba, nesta segunda (1º), que reagiram à Polícia Militar, levantou o debate sobre se a forma de ação dos torcedores, antifascistas, é legítima ou “descaracteriza o movimento”.

Em Curitiba, na noite de segunda, a Polícia Militar do Paraná reprimiu duramente manifestação que se dirigia ao Centro Cívico, ao palácio Iguaçu. Os manifestantes reagiram, quebraram agências bancárias da Av. Cândido de Abreu e se enfrentaram com a PM.

Isso ocorreu após o ato antirracista que foi realizado a noite desta mesma segunda na praça Santos Andrade, sobre o que tem ocorrido nos EUA. Após o término deste ato em frente à UFPR, um grupo grande, 1.200 segundo a PM, dirigiu-se para o Centro Cívico em marcha. Para evitar que esse grande contingente de pessoas se dirigisse ao centro cívico, a PM então passou a reprimir a manifestação logo que ela chegou na Av. Cândido de Abreu, que dá acesso ao Centro Cívico. Foi então que os manifestantes se defenderam e passaram a revidar as agressões da PM, atacando agências bancárias e outros órgãos privados.

Ao chegarem ao Centro Cívico, os manifestantes pegaram a bandeira do Brasil, que fica hasteada no mastro em frente ao Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, e queimaram-na. A PM novamente reprimiu o ato e um novo confronto se iniciou, resultando em 8 pessoas detidas e boa parte do centro cívico com sequelas da repressão policial.

Essa atitude combativa, diante das agressões do aparato de repressão estatal, repercutiram por todo o País e dela foi levantada a legitimidade das ações dos “antifascistas” em relação aos demais manifestantes. O velho argumento de vandalismo foi destaque nos jornais burgueses e a própria esquerda acabou indo na onda da imprensa capitalista golpista:

“Os organizadores da manifestação contra o rascismo, aliás, divulgaram nota afirmando que o ato ocorreu de forma pacífica e ordeira, e apontam a suspeita de que os episódios de vandalismo ocorridos após o encerramento do evento podem ter sido provocados por ‘infiltrados’ organizados para criminalizar o evento.”

É preciso dizer que essa abordagem não poderia ser mais equivocada. O povo tem o direito de reagir e se defender de qualquer agressão, sobretudo agressões criminosas como as da PM. O ataque às agências bancárias e ao Palácio Iguaçu (com a queima da bandeira) é a expressão do repúdio ao regime. Essa expressiva manifestação ocorreu, inclusive, um dia após as torcidas organizadas e o PCO acabarem com a carreata bolsonarista no domingo apresentando um novo cenário da mobilização na capital e no país, que precisa ser defendida pela esquerda.

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