Política oportunista
A esquerda pequeno-burguesa e suas fórmulas eleitorais em busca de cargos
erikahilton
Erika Hilton é uma das "codeputadas" do Psol em São Paulo. |

Reportagem da Folha de S. Paulo de 6 de janeiro mostra como funciona os chamados mandatos coletivos, em particular o do Psol na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP). A iniciativa é do Psol: “Preciso lembrar que o mandato não é meu. Se, no limite, eu for cassada, não serei a única prejudicada. Tem mais sete comigo” (Folha de S. Paulo, 6/1/20). A afirmação é da deputada Mônica Seixas, do Psol.

Novidade no Brasil, os mandatos coletivos constituem-se basicamente por um grupo de pessoas que dividem a cadeira de deputado. Isso, claro,  teoricamente, pois o modelo legislativo brasileiro não permite esse modelo, conforme a própria matéria do jornal golpista explica. De qualquer modo, os “codeputados” seriam parte do mesmo mandato e portanto os projetos e decisões seriam de autoria de um debate coletivo. Por conta das regras do TSE, o nome de Mônica Seixas foi o escolhido para estar na urna e liderar o mandato. “Chamado pelos integrantes de experimentação democrática, o formato não é reconhecido pela Justiça eleitoral”, afirma ainda a matéria da Folha.

A propaganda do grupo do Psol feita pelo jornal golpista afirma ainda que o mandato coletivo é formado também por um membro da Rede e que além do Psol, legendas como o PCdoB, o PDT e até o DEM tem grupos organizando iniciativas como esta.

A própria matéria da Folha, elogiosa da iniciativa do Psol, e a constatação de que partidos burgueses e de direita, como o herdeiro da ditadura militar, mostram o real conteúdo desses mandatos coletivos. Na realidade, sob o pretexto de “mais democracia”, o que existe não é nada mais do que a velha política eleitoral do Psol e dos demais partidos burgueses.

Outra ideia que a iniciativa do mandato coletivo diz combater é a do personalismo na política. Logicamente que a ideia de se fazer um mandato coletivo parece à primeira vista sair da política “personalista” que a burguesia impõe justamente porque ela precisa de representantes que estejam no parlamento para defender os seus interesses econômicos. Os indivíduos são mais fáceis de serem corrompidos.

Mas a questão central é saber se a iniciativa dos mandatos coletivos realmente são mais democráticos e até mesmo se realmente são coletivos.

Sem uma política correta, tal iniciaitiva da esquerda pequeno-burguesa não é nada mais do que demagogia. Troca-se o indivíduo por um grupo de indivíduos que serão parte da política burguesa como qualquer político burguês. É esse precisamente o caso dos parlamentares do Psol, sejam eles coletivos os não.

O que esses grupos estão defendendo não é nada mais nada menos do que a mesma política eleitoreira e parlamentar do Psol. É uma nova forma de apresentar tal política e por isso mesmo uma demagogia. O Psol, também boa parte da esquerda, acredita que a eleição e parlamento são o caminho e que bastaria uma receita inovadora para melhorar essa via. Essa ideia esconde o fundamental: que não importa a receita, o parlamento será sempre um terreno da burguesia.

Por isso no mandato coletivo da ALESP está até mesmo uma representante da Rede, partido burguês. Bastaria portanto uma pequena reforma no parlamento para que o mundo fosse melhor. É o que acredita o Psol ou pelo menos é o que o Psol vende para sua base de eleitores de classe média esquerdista.

No fundo, com mandato coletivo ou com parlamentares individuais o Psol continua sendo o mesmo partido de esquerda oportunista, demagógico e eleitoreiro.

A iniciaitiva do mandato coletivo revela também que o Psol não é um partido de verdade. Se fosse, a política de seus parlamentares – coletivos ou não – estaria subordinada à decisões do partido. Nesse sentido, um partido centralizado já é um mandato coletivo por si só, já que seu representante está ali para defender o programa e os interesses do partido. Não é o que acontece com o Psol, até mesmo porque se trata de um partido de dezenas de tendências. Mas é preciso dizer que seus parlamentares não estão subordinados nem mesmo a essas tendências.

Os deputados dos mandatos coletivos afirmam que essa iniciaitiva “incomoda”. Não é o que dá a entender a divulgação dada pela Folha golpista e nem a conclusão da matéria afirmando que até mesmo o DEM está atrás de seu mandato coletivo. Justamente por se tratar de uma demagogia parlamentar a burguesia está disposta a conviver com isso.

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