“Mandato coletivo”: em meio a um golpe de Estado, PSOL brinca de ciranda na Alesp

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O movimento operário e revolucionário desde há muito aprendeu, na prática, que qualquer ato contra a burguesia e que tenda a levar a uma revolução somente poderá ter sucesso se for feito pela força unificada da classe operária através de um partido centralizado e democrático.

Exatamente por isso, a burguesia está festejando mais uma “inovação” do PSOL, que, como muita gente já descobriu, é a esquerda que a direita gosta, e gosta cada vez mais.

A onda agora é o “mandato coletivo” onde um grupo de pessoas, normalmente autoproclamadas de “ativistas” e sempre “apartidárias” entram artificialmente em um partido, usando-o para poder legitimar uma candidatura que seria baseada em uma pauta particularizada, propagandeada como “identitária”.

A organização, o programa e mesmo os militantes do partido são totalmente ignorados pelo tal grupo, que apenas se utiliza da estrutura partidária, rebaixado a simples legenda de aluguel, destruindo por completo qualquer identidade democrática do partido.

Evidentemente esta aparente inovação é propagandeada pela burguesia como um avanço democrático, apesar de ser exatamente o contrário, já que os membros do partido de aluguel se vêem totalmente alijados da discussão do grupelho que forma este “mandato coletivo”.

O PSOL, como não poderia deixar de ser, entrou de cabeça nesse esquema, e já alugou a sua legenda a um grupo representado pela jornalista Mônica Seixas, que não tem nenhum compromisso com qualquer viés programático do PSOL, se é que esse partido o possua de fato.

Ao contrário do que aparenta, esta é uma atitude totalmente antidemocrática, já que, somente em um partido que possua um programa claro e uma sistemática discussão política em seu interior, discussão esta seguida de perto por uma ação à qual aderem seus membros de forma clara e explícita, é que realmente se pode levar a efeito democraticamente a luta política.

A reunião de meros grupelhos, sem compromissos com ninguém, e que ainda usam do aparelho partidário para obter um cargo parlamentar, não dá lugar algum para a discussão e debate amplo de ideias e ações. Trata-se da velha fórmula, tão conhecida do PSOL, segundo a qual quem manda no partido são os parlamentares e um ou outro membro mais influente, à revelia de toda a militância partidária.

Naturalmente que este esquema é por demais frágil para qualquer ataque severo à burguesia e, exatamente por este motivo, é amplamente incentivado.

Em meio a um golpe que ora se aprofunda, o que a burguesia mais quer é exatamente uma esquerda que não a ameace, e este esquema tão facilmente aceito pelo PSOL demonstra que este partido é exatamente o modelo de esquerda mansinha que a direita tanto quer.