Quem ataca mais o povo?
Bolsonaro faz demagogia de que não vai privatizar enquanto privatiza, direita “civilizada” exige mais pressa na entrega do patrimônio nacional
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Presidente Jair Bolsonaro, participa da Cerimônia  de assinatura dos Contratos de Concessão da 5ª Rodada de Leilões de Aeroportos da Infraero.
Bolsonaro, o "mal maior" | Agência Brasil

Nessa terça-feira, dia 15, o presidente golpista, Jair Bolsonaro, visitou a Ceagesp para uma inauguração e diante de funcionários e trabalhadores do local afirmou que não tem intenção de privatizar a companhia. Em discurso, Bolsonaro afirmou que “nenhum rato vai sucatear [a Ceagesp] pra privatizar pros seus amigos”.

Claramente mais um discurso demagógico do golpista, que diante daqueles funcionários, dissimula sua intenção de privatizar o órgão, que desde 1997 é administrado pelo governo federal. A Ceagesp é o maior entreposto de alimentos da América Latina, mas ao contrário do que afirma Bolsonaro, ela foi incluída no Programa de Desestização em 2019. O ataque de Bolsonaro tem claramente a intenção de promover uma diferenciação eleitoral com João Doria, provável adversário nas eleições de 2022. O governador de São Paulo retrucou, dizendo que o rato deve ser o próprio Bolsonaro.

Diante desse episódio um tanto quanto grotesco, a direita tradicional, por meio de seus porta-vozes da imprensa golpista, aproveitou para atacar Bolsonaro. O escândalo fez com que a direita o atacasse por ser um estelionatário eleitoral, exatamente com essas palavras Bolsonaro foi chamado pelos jornalistas da Band News FM. Segundo eles, Bolsonaro não cumpre sua promessa de campanha de privatizar tudo e não é um orgulho para os neoliberais Mises e Milton Friedman.

Ainda segundo a imprensa venal, Bolsonaro, apesar de todas as promessas, é o presiedente que menos teria privatizado até agora. Tal acusação é bastante plausível, afinal, FHC praticamente não deixou muita coisa para ser entregue aos capitalistas.

Mas as acusações contra um suposto Bolsonaro nacionalista e anti privatização na realidade não passa de pressão para que o presidente golpista coloque em prática o plano de privatização.

Para a direita tradicional, as privatizações são parte fundamental da política econômica. A entrega do patrimônio nacional é urgente para satisfazer os desejos dos grandes capitalistas. Logicamente que a demagogia de Bolsonaro não o faz menos neoliberal, seu governo prepara o desmonte dos Correios e de outras estatais, mas a direita tradicional enxerga essa demagogia de Bolsonaro e seus discursos como obstáculos para levar adiante esses planos.

Esse episódio deixa bastante claro o delírio de setores da esquerda pequeno-burguesa que promovem a direita tradicional como “civilizada”. Os defensores da frente ampla que defendem ser necessário se aliar com todos para derrotar a “barbárie do bolsonarismo”.

Trata-se aqui de uma falsificação da realidade. Fica claro que, além de serem os principais responsáveis pelo golpe e pelo próprio bolsonarismo, esses setores da direita tradicional, representados por PSDB, DEM e PMDB, são ainda mais nocivos do que Bolsonaro. Exigem que o presidente fascista acelere sua política de destruição nacional, de ataques ao povo.

Esse é o “mal menor” que a esquerda defende como solução para derrotar o bolsonarismo. Em torno dessa política, vão se colocandoi cada vez mais a reboque de uma direita assassina e fascista, com a única diferença que Bolsonaro fala coisas escandalosos e essa direita bem pensante faz as mesmas coisas ou pior só que de maneira mais dissimulada, como bons políticos burgueses que são.

Essa política do “mal menor” agora deve ser reproduzida na eleição da Câmara dos Deputados. A esquerda pretende votar no candidato indicado por Rodrigo Maia, que se recusa a colocar em votação os pedidos de impeachment de Bolsonaro mas se apressa em aprovar todos os ataques contra o povo. Qual seria então o “mal menor”?

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