Oposição onde?
O “opositor” de Bolsonaro, Baleia Rossi (DEM), tem 90% de alinhamento ao governo Bolsonaro; é realmente uma farsa toda propaganda de que esse bloco de Maia seria “democrático”
Baleia Rossi e Temer
O bloco de Maia não passa de um bloco golpista | Foto: Reprodução
Baleia Rossi e Temer
O bloco de Maia não passa de um bloco golpista | Foto: Reprodução

As eleições da Câmara estão sendo disputadas por dois blocos da direita golpista. O bloco de Arthur Lira (PP) e o bloco de Rodrigo Maia (DEM), agora tendo como cabeça-de-chapa a figura do MDB, Baleia Rossi, um personagem próximo do golpista Michel Temer.

Antes dessa ”surpresa” da indicação de Maia, a esquerda saiu em peso para se integrar a seu bloco, antes mesmo de saber o que estava por vir. Embora fosse algo extremamente previsível, já que o bloco é composto de partidos golpistas como PSDB, DEM e o MDB, os principais organizadores e artífices do golpe de Estado. Esse bloco se autopromoveu como uma “frente democrática” em oposição a Bolsonaro, já que Lira é apoiado diretamente pelo presidente ilegítimo.

Sendo assim, a direita fez uma propaganda vazia pela “democracia” e contra a ditadura, sendo que as principais forças que compõem o bloco foram os responsáveis por todos os ataques aos direitos democráticos da população. A contradição mais aguda desse bloco não é tanto sua demagogia, mas a presença dos golpeados no bloco, como PT e o próprio PCdoB que integram a frente. Isto é, aqueles que foram os maiores prejudicados, os alvos políticos de toda a operação golpista, compondo com seus algozes em nome de “combater” Bolsonaro. Basta ver quem é Baleia Rossi na própria Câmara que até mesmo isso não faz nenhum sentido. E que, diante disso, a esquerda ficou com um mico na mão 

Segundo a nota do bloco, “enquanto alguns buscam corroer e lutam para fechar nossas instituições, nós aqui lutamos para valorizá-las. Enquanto uns cultivam o sonho torpe do autoritarismo, nós fazemos a vigília da liberdade. Enquanto uns se encontram nas trevas, nós celebramos a luz.”. Seria então Baleia Rossi, um aliado próximo de Michel Temer, um grande defensor das instituições, uma vigília da liberdade, um celebrador da luz? A oratória poética cai em lástima quando se trata do conteúdo político que tem a carreira desse político tradicional e golpista.  

Rossi é deputado pelo Partido Movimento Democrático Brasileiro (MDB – antigo PMDB). Filho do político direitista Wagner Rossi (MDB), ex-deputado e ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, durante o governo do PT. Fez sua carreira política sendo uma sombra de seu pai, deixando de herança para o filho os cargos, alianças e benefícios da política burguesa que realizou em toda sua vida. Em 1992, aos 20 anos, foi eleito vereador de Ribeirão Preto (SP), começando sua política carreirista. Foi reeleito mais duas vezes, em 1996 e 2000, também tendo sido Secretário Municipal de Esportes. Deixou a Câmara de vereadores em 2002 para assumir o mandato de deputado estadual de São Paulo, o que era mais vantajoso para sua família, começando a galgar posições no regime político, aproximando-se cada vez mais da burguesia para ser seu representante. Foi candidato à Prefeitura de Ribeirão Preto em 2004, perdendo para o ex-deputado Welson Gasparini (PSDB). Como deputado estadual, foi líder da bancada do PMDB na Assembleia Legislativa de São Paulo em 2006. Foi reeleito em 2010 para seu terceiro mandato de deputado estadual e desde 2011 é o presidente do diretório estadual do PMDB em São Paulo, tendo um cargo importante dentro do partido de Temer. 

Em 2014 foi eleito deputado federal (2015-2018), tendo sido reeleito em 2018 (mandato 2019-2022). Carreirista profissional e de família, tornou-se líder da bancada do PMDB em 2016 e presidente nacional do MDB em 2019. Agora é o escolhido por Rodrigo Maia para presidir a Câmara dos Deputados em seu nome, para colocar em prática de maneira mais dura a política neoliberal sobre os trabalhadores, que é o objetivo dessa “frente ampla contra Bolsonaro”. Mas, além desse histórico aberrante, e no parlamento? Qual são as posições de Baleia Rossi?  

Para escancarar mais ainda a farsa, Rossi é muito mais alinhado a Bolsonaro que o próprio Lira. O candidato de Bolsonaro é menos alinhado ao programa governista que Rossi, o “democrata”, o “vigilante da liberdade”, a “luz do fim do túnel”. O dito que a luz pode muito bem ser um outro trem na direção de quem acha que estará escapando das trevas faz muito sentido nesse caso. Os números não deixam a desejar: Baleia Rossi tem 90% de votos a favor de projetos de Bolsonaro. Enquanto Lira tem 88%, menos que o pretenso opositor. Que “mal menor” em relação a Bolsonaro é esse que a esquerda tanto fala?  

A própria direita deu a letra nesse sentido. Na sessão de terça-feira (22), a última do ano, a deputada Celina Leão (PP-DF) disse que, se os candidatos do bloco de Maia não fossem do PT, não haveria chapa opositora a Jair Bolsonaro. “Um candidato do MDB e um candidato do meu partido, o PP, já são da base do Bolsonaro, não gastariam nem uma semana, com todo respeito, para estarem sentados com o presidente discutindo os problemas do Brasil, porque é histórico o MDB fazer parte da base”, disse a golpista. E ressaltou: “Sempre fez.”. Dito por um partido de esquerda, pareceria uma denúncia, mas dito pela direita, é de uma transparência e honestidade pouco vista. Celina Leão diz aquilo que toda esquerda deveria ouvir em alto e bom som: não há oposição à direita em nenhum dos blocos da direita na Câmara.  

É claro como a água que Baleia Rossi e Arthur Lira são ambos golpistas, igualmente alinhados ao regime político e à cabeça visível desse regime, Jair Bolsonaro, o “mal maior”. A política do “mal menor” está levando a esquerda a entrar em uma chapa que, primeiro, há todos os organizadores do golpe de Estado, segundo que não tinha nem cabeça-de-chapa definida e agora temos o “mico”: a “luz, “vigília”, o “anti-Bolsonaro” é mais alinhado a Bolsonaro que o próprio candidato dito bolsonarista. É um suicídio político de grande envergadura ficar a reboque da direita golpista que está 90% alinhada a Bolsonaro, isto é, em tudo que é fundamental, passa longe de ser esse chamado “mal menor”. O “mal menor” aqui não é nada mais que apoiar a pior mazela que poderia se suceder.  

Relacionadas
Send this to a friend