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Mais uma vez, PSOL participa de ato popular somente para fazer discurso eleitoral
Mais uma vez, PSOL participa de ato popular somente para fazer discurso eleitoral

Nos atos do último dia 7, ocorridos em dezenas de cidades do país foi mais uma constatação de que a posição do Partido Socialismo com liberdade (PSOL) em apoiar a campanha pela liberdade de Lula ou pelo Lula Livre como batizou o PT, não passa de um discurso de tipo eleitoral.

O discurso eleitoral não é simplesmente aquele que os candidatos da burguesia e da pequena burguesia fazem a torto e a direito, durante os períodos eleitorais, prometendo mundos e fundos para a população com o claro propósito de tentar enganá-la, criar ilusão, enfim, prometer um mundo melhor, mais cor de rosa, quanto eles têm consciência que o que falam não passa de demagogia.

Existe também o discurso eleitoral fora das eleições. É aquele que os futuros candidatos e seus partidos fazem apenas por conveniência, para dizer que estão fazendo o que na prática não estão fazendo e com isso buscar angariar “dividendos” futuros.

Esse é o discurso do PSOL. Sua direção nacional aprovou a participação dos seus militantes nos atos do dia 7, mas o que se viu, na prática, foi a presença de “personalidades” do partido para fazer discurso, com a presença zero ou quase zero de seus militantes.

Essa não é uma política nova do PSOL, alias, diante do golpe, foi a prática constante. Serve para enganar os incautos com a aparência de que fez alguma coisa, sem nunca tem feito nada. Foi assim com relação ao impeachment de Dilma Roussef, foi assim diante da prisão de Lula e agora diante da campanha pela sua liberdade.

A política de se vangloriar em estar “lutando” já seria ruim se fosse apenas um engodo, mas ela tem um elemento de muito maior envergadura, que é justamente de estar fazendo o oposto do que diz que está fazendo.

Existe uma verdadeira frente única do partido com o setor da direita do PT, com o PCdoB e com os partidos golpistas (PSB, PDT) e que chega a Rede de Marina Silva e até o PSTU. Essa política consiste fundamentalmente em “virar a página” do golpe. Se adaptar ao novo regime político do fascista presidente Bolsonaro na vã ilusão de novas “conquistas” eleitorais nas eleições de 2020 e 2022.

Além de inviável, essa política ainda é extremamente sórdida. Ela traz no seu conteúdo a palavra de ordem de um pequeno segmento de militantes presentes no ato do dia 7, em Curitiba: “Lula presente, Haddad presidente” – felizmente profundamente repudiada no ato, que nada mais significa em transformar Lula, ainda muito vivo, em transformar a maior expressão da luta contra o golpe de Estado no Brasil e, portanto, na expressão maior da luta de classes, em um ícone a ser cultuado, sem vida, sem luta, sem nada.

O caminho seguido por essa esquerda é um beco sem saída para a classe trabalhadora e todos os explorados e vai de encontro aos erros colossais cometidos pela esquerda em momentos cruciais da história que reside justamente na capitulação vergonhosa diante da direita, justamente quando se apresenta uma perspectiva enorme de resistência e luta popular contra a direita e o fascismo.