Mais uma universidade cria comissão para decidir quem é negro ou não: a intenção é tirar os negros das universidades

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Os alunos aprovados por meio de cotas raciais, na primeira chamada deste ano da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), terão que se apresentar diante de uma comissão, que vai averiguar sua condição, nas cidades de Cuiabá e VárzeaGrande. Nos moldes do que foi imposto na Universidade Federal da Bahia (UFBA), este tribunal racial nas universidades, que tem o objetivo de comprovar se o estudante que pleiteia uma vaga destinada às cotas seja, de fato, negro, mesmo com a autodeclaração do candidato.

Os estudantes foram convocados por e-mails da direção da UFMT, para se apresentarem até sexta-feira (15) na Capital, junto à Comissão Permanente de Homologação e Acompanhamento de Matrículas por Ações Afirmativas, que fará a avaliação. Já no interior, o prazo para comparecimento terminou nessa quarta-feira (13).

Mesmo ante as denúncias de movimentos sociais e internautas com relação aos candidatos que, supostamente, não atendem aos critérios especificados para as ações afirmativas, esse processo tem retirado de negros a possibilidade de entrar na universidade, a partir da avaliação de uma comissão, geralmente composta por pessoas escolhidas pela própria burocracia universitária. É de interesse da direita, dificultar o acesso do negro às universidades que, a pretexto da ocorrência de fraudes localizadas, instalaram as comissões raciais nas universidades, para “reavaliar” este acesso.

Os critérios analisados são a pele (melanoderma, feoderma, leucoderma), nariz (curto, largo, chato), além de lábios grossos, crânio dolicocélico, mucosas roxas (boca), cabelo encarapinhado (!), pouca barba e arcos zigomáticos proeminentes, considerados critérios totalmente arbitrários, além de um exame humilhante que o negro é obrigado a se submeter para provar que é negro.

O correto, desde o começo da aplicação das cotas raciais, é tão somente a autodeclaração. Em caso de fraude, o que deve ser feito é que o movimento negro da universidade e fora dela possa combater politicamente o ocorrido, como uma reação política e legítima do movimento. Não se pode apelar para repressão da burocracia universitária. Conforme a UFMT, caso seja confirmado que o estudante aprovado não cumpra os requisitos, ele será declarado inelegível e, consequentemente, terá a vaga preenchida por outro estudante que se esteja na lista de espera.

A medida aprovada na gestão golpista de Michel Temer e quem vem sendo aplicada em algumas nas universidades federais como a da UFBA e a Federal de Pernambuco que possuem cotas raciais, já foi derrotada uma vez na UnB (Universidade de Brasília).