SÃO PAULO, SP, 24.10.2017: FÓRUM-SP - O juiz federal Sérgio Moro e o procurador federal e coordenador da Lava Jato no MPF, Deltan Dallagnol, no Fórum Mãos Limpas & Lava Jato, promovido pelo jornal Estado de São Paulo em São Paulo. (Foto: Jorge Araújo/Folhapress)
|

Uma nova reportagem do The Intercept Brasil aprofundou a compreensão sobre como os procuradores da Lava Jato e o juiz Sérgio Moro agiam de forma coordenada e política diante dos acontecimentos. Na primeira reportagem em parceria com a Folha de S. Paulo, o sítio trouxe conversas em que os procuradores da Lava Jato tentam proteger Moro de uma tensão com o Supremo Tribunal Federal (STF).

A reportagem mostra que, quando a Polícia Federal divulgou para a imprensa documentos da Odebrecht antes que Moro colocasse tudo sob sigilo novamente, apareceram vários nomes de pessoas com foro especial por prerrogativa de função sendo investigadas por Moro. O juiz de primeira instância deveria ter remetido esses documentos ao STF. A PF tinha divulgado os documentos dia 22 de março de 2016, o que Moro chamou de “bola nas costas”. Ele tinha acabado de ser repreendido pelo STF pelo vazamento de uma conversa entre Dilma Rousseff, então presidenta, e o ex-presidente Lula.

Pelo Telegram, Moro disse a Deltan Dallagnol, chefe da Lava Jato em Curitiba, que iria “parecer afronta ao STF”. Deltan respondeu: “Saiba não só que a imensa maioria da sociedade está com Vc, mas que nós faremos tudo o que for necessário para defender Vc de injustas acusações.”

Ou seja, não só os procuradores da Lava Jato agiam em conluio com Sergio Moro para condenar Lula em processo sem direito a defesa. Eles também agiam para se proteger mutuamente diante dos percalços surgidos de suas ações questionáveis. Uma gangue dentro do Judiciário agindo politicamente de forma ilícita, usando a justiça para perseguir politicamente lideranças de esquerda, como Lula. No caminho, alguns políticos de direita, o que poderíamos chamar de “passar recado de imparcialidade”, para citar outra conversa privada de Dallagnol.

Essa é mais uma prova de que os procuradores da Lava Jato e Sergio Moro agiam em conluio, como um bloco único. Ou seja, jamais existiu um julgamento em que Lula fosse julgado imparcialmente por um juiz equidistante das partes (a defesa representada pelos advogados e a acusação representada pelos procuradores). Essa é mais uma razão para reforçar uma reivindicação levantada desde antes de Lula ser preso arbitrariamente: liberdade para Lula!

Relacionadas