Futebol nacional
Sim, mais um. Não é um fenômeno isolado, se trata de um projeto. No caso do Botafogo, a iniciativa se soma ao esforço em transformar a “Estrela Solitária” em clube empresa.
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Seleção Brasileira comemora gol contra a Bolívia de Cesar Farías em outubro. | Foto: Miguel Schincariol/CBF/Fotos Públicas

Logo após a chegada do português Abel Ferreira ao Palmeiras foi a vez do Botafogo anunciar que aguarda a liberação do boliviano Cesar Farías para fechar sua contratação junto ao clube carioca. Farías se torna mais um treinador estrangeiro a assumir uma equipe brasileira neste ano de 2020. Na falta de europeus, o sonho de consumo dos candidatos a coveiros do futebol nacional, vários treinadores sul-americanos estão ingressando nos clubes brasileiros.

Treinador da Seleção Boliviana, teve passagens por Tijuana (México), Cerro Porteño (Paraguai), The Strongest (Bolívia) e pela Seleção Venezuelana. Chega para ocupar o posto de Bruno Lazaroni, demitido após derrota do Botafogo no primeiro jogo contra o Cuiabá pela Copa do Brasil. No segundo jogo, a equipe não contou nem com um, nem com o outro. O resultado imediato foi a eliminação do Botafogo.

Um dado curioso é que a falha que originou o único gol dos dois confrontos contra o Cuiabá partiu dos pés de um jogador estrangeiro, o japonês Honda. Após a aposentadoria do craque Seedorf, surinamês naturalizado holandês, que conquistou os dois turnos do Campeonato Carioca de 2013 (Taça Guanabara e Taça Rio), o Botafogo parece ter se tornado um destino para aposentadoria de jogadores estrangeiros. Além do japonês Honda, a equipe atual conta com o marfinense Salomon Kalou.

Toda essa campanha, que tenta desqualificar nosso futebol pentacampeão, atende a interesses econômicos do imperialismo europeu. Os inventores do esporte desde muito tempo perderam o protagonismo nele para os sul-americanos, em especial para os brasileiros.

A geração de Pelé consolidou o Brasil como país do futebol, o reinventou como futebol-arte e o tornou o esporte mais popular do mundo. Tudo isso ajudou a criar um amplo mercado e como todo mercado está na mira dos parasitas da burguesia.

Nossa burguesia de país capitalista atrasado é dependente da burguesia internacional para manter sua dominação de classe. Com isso, secundariza até mesmo os próprios interesses econômicos em prol dos monopólios internacionais.

Esse é um fator central nessa discussão e é ignorado pela maioria dos que defendem os benefícios dessa importação de treinadores. Nenhum setor da economia funciona com independência em relação aos monopólios e o futebol, pelo seu enorme apelo popular, movimenta muito dinheiro. Nesse sentido, jogar pra baixo o futebol brasileiro joga pra cima, por oposição, o futebol europeu.

Ao invés de investir na formação dos nossos ex-jogadores, representantes do melhor futebol do mundo, jovens promessas são jogadas para escanteio e não têm tempo para mostrar seu trabalho. Quando afirmamos que o Brasil não tem nada para aprender sobre futebol com a Europa, alguns daqueles encantados com a realidade alternativa dos jogos de videogame torcem o nariz. Mas o que então terá a Bolívia para nos ensinar?

A solução para os problemas que observamos no futebol nacional passam por uma gestão popular da CBF e das entidades estaduais e locais. Se ao invés de boicotar, o estado financiasse e instrumentalizasse nossos clubes teríamos um cenário completamente distinto.

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