Mais um massacre nas masmorras brasileiras

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O PSTU, que se tornou uma espécie de anti-modelo de partido trotskista, tem defendido, sistematicamente, a prisão para todos os “corruptos”. Moralistas, os morenistas desprezam qualquer método científico para a compreensão da sociedade e a divide em duas categorias: os “bandidos” e os “honestos”. “Coincidentemente”, essa é a mesma divisão que a imprensa burguesa tenta impor, sem real sucesso, para esconder as contradições do capitalismo.

Quem divide o mundo entre “bandidos” e “honestos” acaba chegando a uma única política, rasa, ineficiente e direitista: a política do prendam todos. Não é à toa, portanto, que foi exatamente a isso que o PSTU chegou: ao invés de denunciar os métodos fascistas que a imprensa, o Ministério Público e os juízes vêm utilizando, de denunciar o controle do imperialismo sobre o Poder Judiciário etc., o PSTU preferiu fazer uma frente única com a direita e pedir a prisão de todos os que a Rede Globo apontasse como “bandidos”.

Quem vai para a prisão, no entanto, não são os “bandidos”. Não são pessoas que têm “problemas de caráter”. São, em 99% dos casos, a classe trabalhadora, que produz riqueza e que é completa ou quase completamente despossuída, desprovida de qualquer perspectiva e de condições de vida digna. Quase em sua totalidade, a burguesia, que rouba diariamente a força de trabalho alheia está bem longe das cadeias.

O sistema prisional, que engloba desde os agentes carcerários e policiais militares, que torturam os trabalhadores e implantam provas para que estes sejam triturados, até o Poder Judiciário, que não tem nenhum escrúpulo em manter durante anos pessoas que foram presas sem quaisquer provas, é antagônico a qualquer noção de progresso. O sistema não é feito para “reformar” ninguém – embora alguns setores cínicos aleguem isso -, nem mesmo para conter a violência: é feito apenas para ameaçar e torturar a única classe progressista da sociedade, capaz de levar a revolução socialista até o fim.

Recentemente, no Pará, foi dada mais uma demonstração de que os presídios são uma verdadeira masmorra de massacre da classe trabalhadora: 22 presos foram assassinados em uma suposta “tentativa de fuga”. O acontecimento deveria ser encarado como um verdadeiro crime contra a classe trabalhadora. Afinal, ninguém é preso por vontade própria, e sim por causa da arbitrariedade do Estado capitalista. O mínimo que o Estado deveria fazer por um preso seria não assassiná-lo. No entanto, em um país que vive um golpe de Estado, em que seu maior líder popular também corre risco de ser assassinado na cadeia, tal acontecimento é tratado com naturalidade pela imprensa burguesa.