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América do Sul

Mais um golpe: imperialismo promove extrema-direita peruana

A candidatura de Keiko Fujimori, sucessora política do ex-ditador Alberto Fujimori, é uma cartada do imperialismo nas eleições presidenciais em curso

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Keiko Fujimori disputará o 2º turno contra Pedro Castillo – Reprodução

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A situação política no Peru permanece marcada pela instabilidade política. No período anterior, o país andino foi palco de grandes mobilizações populares contra a direita e o imperialismo. As forças de repressão assassinaram três manifestantes e desapareceram com mais de 40 pessoas que estavam nos atos.

Nas eleições que estão em processo, as forças imperialistas devem apoiar a administradora de empresas Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori. Este governou por dez anos (1990-2000) e comandou o processo de repressão política interna contra a guerrilha Sendero Luminoso. O regime fujimorista apresentava características fascistas, uma vez que se destinava ao extermínio da esquerda e dos movimentos sindicais e populares sob o pretexto de “combater o terrorismo interno”. 

A ação da Lava Jato, organizada diretamente pelos Estados Unidos na América do Sul, como forma de intervenção interna contra seus inimigos políticos oculto pelo mote de “luta contra a corrupção”, mudou o panorama político peruano. Os contratos das obras realizadas pela empreiteira brasileira Odebrecht tornaram-se alvos de investigação. A operação fez com que o ex-presidente Kuczynsky renunciasse em meio a um processo de impeachment no Congresso. Ollanta Humala, presidente da era do nacionalismo burguês, foi preso com sua esposa. A pressão política sobre o ex-presidente Alan García o levou a cometer suicídio e outro ex-presidente, Alejandro Toledo, fugiu do Peru, sendo preso nos Estados Unidos, aguardando extradição.

O fujimorismo é uma opção para o imperialismo no Peru. Esta corrente política de extrema-direita é forte, pois conserva significativa influência política, e pode ser utilizado como uma carta na manga por parte da burguesia.

O segundo turno das eleições presidenciais está em disputa por dois candidatos: Pedro Castillo, supostamente um candidato da esquerda, e Keiko Fujimori. O problema, porém, é que Pedro representa uma esquerda muito direitista. Para se ter uma ideia, ele foi responsável pela formação de milícias paramilitares montadas para combater o Sendero Luminoso. 

O País andino parece seguir a tendência das eleições organizadas pelo golpismo imperialista. O projeto é apresentar candidatos de esquerda adaptados ao regime, inofensivos, promovidos pelos capitalistas para enganar a população revoltada contra o regime político nos marcados da política da Frente Ampla. A extrema-direita, por outro lado, apresenta candidaturas reacionárias ao estilo Jair Bolsonaro, caso da Keiko Fujimori.

A América Latina demonstra que os golpes de Estado não podem ser derrotados simplesmente através das eleições, quer dizer, do depósito do voto em uma urna. Em grande medida, o processo eleitoral é controlado pelas forças imperialistas, que se utilizam do controle sobre o aparelho estatal para manipular o processo e impedir a expressão da representação e soberania populares. O Equador recentemente mostrou o nível de manipulação das eleições, com a vitória de um banqueiro neoliberal, agente do imperialismo para privatizar e entregar as riquezas naturais.

A esquerda peruana, com exceção do Sendero Luminoso, submetido a uma dura repressão que levou ao isolamento político das massas, é praticamente nula como força política há vários anos. O partido mais tradicional da esquerda peruana, Ação Popular Revolucionária das Américas (APRA), está integrado ao regime político odiado que as massas se esforçam para derrubar nas ruas.

É preciso destacar que o golpe de Estado continental não será derrotado por meio das eleições. Na Bolívia, o recuo dos golpistas aconteceu como consequência de grandes mobilizações sociais, greves e fechamento de rodovias pelas massas, com participação da Central Obrera Boliviana (COB) e dos movimentos populares. Isto é, não foi a eleição que retirou Janine Añez do poder, mas sim as mobilizações que ameaçaram o governo e forçaram o recuo. O voto em Luis Arce, expoente da ala direita do partido político Movimento ao Socialismo (MAS) representou, digamos assim, somente a cereja do bolo de um processo de enfrentamento político.

A esquerda que prega a ilusão nas eleições prepara as condições para a vitória da direita e do imperialismo. A burguesia detém uma série de recursos para intervir no processo, sendo que o principal deles é o dinheiro. Somente a mobilização popular nas ruas é um contraponto real, capaz de desequilibrar o cenário em favor dos interesses populares.

O imperialismo “democrático” é o principal inimigo dos povos latino-americanos. Os golpes de Estado que afundaram os países no caos político e econômico, a partir do golpe militar em Honduras (2009), foram obras da articulação golpista das burguesias nacionais em conjunto com o imperialismo. Os Estados Unidos, na atual administração de Joe Biden (Partido Democrata), que procura se apresentar como defensor das minorias e propagandista da democracia, é o maior perigo para os países atrasados.

 

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