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Negro de alma branca
Mais um capitão do mato ganha cargo no governo Bolsonaro
Os capitães do mato da direita golpista devem ser tratados tal como qualquer outro golpista
Negro de alma branca
Mais um capitão do mato ganha cargo no governo Bolsonaro
Os capitães do mato da direita golpista devem ser tratados tal como qualquer outro golpista
Sérgio Nascimento, o capitão do mato da Fundação Palmares.
Sérgio Nascimento, o capitão do mato da Fundação Palmares.

O termo “capitão do mato” é a designação do serviçal, durante a escravidão, encarregado da captura de escravos rebeldes e fugidos. De posto tão repugnante, os agentes oficiais do regime se recusavam a fazer tal tarefa, contratando esses capitães para fazer o trabalho sujo. Era um posto oferecido pelo regime para retirar um escravo da sua situação e alçá-lo à condição de caçador de escravos. O mesmo que ocorre, por exemplo, com um policial militar negro.

Os golpistas, para mostrar que existe negro em suas fileiras, contrataram uma série de capitães do mato, sendo o exemplo mais bem acabado o vereador negro Fernando Holiday, também chamado de negro de “alma branca”.

O mais recente capitão do mato é o senhor Sérgio Nascimento, bolsonarista contumaz, que assumiu a pasta da Fundação Palmares sob indicação de seu chefe, Jair Bolsonaro, e que coordenará a fundação que carrega o nome do herói do povo negro brasileiro, que Sérgio faz questão de chamar de ditador, opressor, falso herói.

Tal como Holiday, a ladainha racista de Sérgio Nascimento é a mesma vista em demais bolsonaristas brancos. Ele é contra o 20 de novembro, dia de Luta do Povo Negro, data em que se celebra a vida de Zumbi. Para ele isso é “vitimismo”.

Não só, já afirmou que “merece estátua, medalha e retrato em cédula o primeiro branco que meter um preto militante na cadeia por crime de racismo”. Árduo defensor do sistema penal, e contra a militância negra, Sérgio defende os princípios básicos do bolsonarismo: cadeia para o povo negro e trabalhador, e o fim de suas organizações políticas. 

Em sua declaração ao saber de sua indicação para a Fundação Palmares, afirmou: “Fui nomeado nesta quarta-feira presidente da Fundação Cultural Palmares, a convite do secretário especial da Cultura, Roberto Alvim. Assumir o cargo será uma grande honra e ao mesmo tempo um desafio! Grandes e necessárias mudanças serão implementadas na Fundação Palmares. Sou grato a Deus por essa oportunidade. Minha atuação à frente da Fundação será norteada pelos valores e princípios que elegeram e conduzem o governo Bolsonaro”. Ele não gosta de música negra e chega ao cúmulo de negar a existência do próprio racismo.

Sérgio Nascimento foi rechaçado pelo próprio irmão, Wadico Camargo, que disse ter “vergonha de ser irmão desse capitão do mato”. Ambos são filhos do mestre da literatura negra brasileira, Oswaldo de Camargo.

As declarações de Sérgio Nascimento são, na verdade, declarações de guerra contra o negro, contra suas organizações políticas e contra a própria Fundação Palmares. É de alguém que destruir e ofender aquilo que diz representar. 

Nesse sentido, tal como Holiday, Nascimento precisa ser combatido à altura, e a resposta precisa ser em dobro. A missão de Nascimento é dificultar a luta do negro contra o racismo, e, por ser negro, deve ser ainda mais duramente criticado pelo movimento social, de conjunto. Na luta do negro contra o racismo, Sérgio Nascimento é mais um obstáculo que precisa ser removido.