Atlanta
Morte de mais um negro aponta a necessidade das mobilizações apontarem uma perspectiva direta: fim da polícia Já
maxresdefault
Restaurante onde Brooks foi morto foi incendiado por manifestantes no domingo, 14. | Foto: Reprodução

Menos de um mês depois do assassinato de George Floyd, um negro norte-americano morto em plena rua por um policial branco em Mineápolis, estado de Minnesota, mais um negro foi covardemente morto por policiais nos EUA na última sexta-feira (12).

O assassinato ocorreu na cidade de Atlanta, capital do estado da Georgia, localizado no sul dos EUA. Rayshard Brooks, de 27 anos, dormia no banco de seu carro, parado em um estacionamento de uma rede de restaurantes. Os policiais foram acionados após algumas pessoas reclamarem que o rapaz estava atrapalhando o deslocamento no local. Ao ser abordado, o homem coopera com os policiais. Um dos guardas, Garret Rolfe, tenta algemar Rayshard Brooks. Este resiste e é alvejado pelas costas pelo policial.

Brooks era casado, pai de quatro filhos. No dia em que foi morto estava voltando de uma comemoração do aniversário de uma de suas filhas. A morte de mais um negro de maneira covarde pela polícia intensificou a radicalização, já muito crescente, das manifestações contra a violência policial nos EUA. No domingo à noite o restaurante onde ocorreu o assassinato foi incendiado por manifestantes, cerca de 36 pessoas foram presas após uma onda de protestos.

A morte de Rayshard Brooks a poucos dias do assassinato de George Floyd revela qual é o caráter e o verdadeiro objetivo da polícia: atuar como uma máquina de extermínio da população pobre e preta. É preciso, portanto, exigir a sua imediata extinção. A reivindicação de dissolução da polícia é importante para se contrapor a política dos setores pequeno-burgueses que atuam no interior do movimento e que acreditam ser possível modificar a consciência dos policiais, torná-los mais humanos e menos assassinos. Uma verdadeira ilusão. É preciso colocar abaixo, destruir por inteiro este aparato de repressão do estado burguês. A segurança deve ser organizada diretamente pelas comunidades , com a participação dos trabalhadores, dos próprios negros, por meio das milicias populares.

Como forma de conter a tendência à radicalização, o policial Garret Rolfe foi demitido e seu parceiro afastado para funções administrativas. A prefeita da cidade de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, que é do Partido Democrata e possível candidata à presidência ao lado de Joe Biden, exonerou Erika Shields, chefe de polícia de Atlanta desde 2016. A medida também foi tomada como um forma de conter os ânimos.

Fato é que a radicalização nas ruas se acentua cada vez mais, após mais esse assassinato de um jovem negro. Um fator que expressa a profunda crise do regime político do principal país imperialista do mundo. É preciso intensificar a radicalização das manifestações e apontar uma perspectiva política que dê conta de fato de garantir a vida dos negros, é preciso levantar a palavra de ordem de fim da polícia já.

Relacionadas