Regime terrorista
Os novos casos de violência policial nos EUA e as novas manifestações demonstram a necessidade de impulsionar uma luta política radical que coloque abaixo todo o regime ditatorial
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Kenosha (United States), 25/08/2020.- Protestors are silhouetted against a burning business during a second night of unrest in the wake of the shooting of Jacob Blake by police officers, in Kenosha, Wisconsin, USA, 24 August 2020. According to media reports Jacob Blake, a black man, was shot by a Kenosha police officer or officers responding to a domestic distubance call on 23 August, setting off protests and unrest. Blake was taken by air ambulance to a Milwaukee, Wisconsin hospital and protests started after a video of the incident was posted on social media. (Protestas, Estados Unidos) EFE/EPA/TANNEN MAURY
Manifestações radicalizadas em Wisconsin | Foto: Tannen Maury/EPA/EFE

No último domingo, 23, mais uma tentativa de assassinato brutal praticado pela polícia norte-americana impulsionou novamente as gigantescas mobilizações contra a violência policial e o próprio regime político ditatorial estadunidense. Jacob Blake de 29 anos foi alvejado com 7 tiros pela polícia no condado de Kenshoa, no estado de Wisconsin. Blake retornava para seu carro, após apartar uma briga entre mulheres, quando levou os tiros. Apesar de não ter morrido, seu estado ainda é grave e tudo indica que deverá ficar paraplégico.

A violência contra Blake acontece três meses após a morte por asfixia de George Floyd na cidade de Mineápolis, estado de Minnesota. Floyd, assim como Blake, foi alvo da polícia. Todavia, não sobreviveu ao estrangulamento, e morreu no meio da rua após ser acusado erroneamente de ter usado um cartão de crédito roubado. Ambos os casos foram o estopim da revolta da população norte-americana, em especial dos negros e da juventude, contra o verdadeiro estado de exceção que se intensifica naquele país.

Após a morte de Blake, manifestações radicalizadas tomaram as ruas de Kenshoa e outras cidades importantes dos EUA, como Nova York, Portland, entre outras. Um protesto gigantesco está marcado para ocorrer neste final de semana em Washington. O caráter radicalizado ficou marcado no incêndio aos prédios públicos pelos manifestantes, na organização da auto-defesa armada contra as tropas policiais e no caráter massivo das manifestações.

A direita procurou responder utilizando o aparato repressivo do estado e seus cães de guarda fascistas. O presidente republicano Donald Trump aprovou em conjunto com o governador democrata de Wisconsin Tony Evers o envio de mil homens da Guarda Nacional para o estado, além de agentes do FBI. Nas ruas, a extrema direita tentou conter as manifestações. Um grupo de fascistas armados disparou contra  os manifestantes na última terça feira, em Antioch, Ilinois. Duas pessoas morreram e uma ficou gravemente ferida.

As mobilizações que se expressam contra o racismo e contra a violência policial, na realidade carregam em sua essência toda a revolta do povo norte-americano contra um regime político completamente falido e deteriorado. Se antes da pandemia do coronavírus, a crise econômica nos EUA era um dado agravante da situação, após a disseminação do vírus, isso se acentuou ainda mais. Os EUA, a maior economia do mundo, aparecem hoje em primeiro lugar no número de contaminados pela doença e no número de mortos em todo mundo. São 6 milhões de contaminados e quase 180 mil mortos.

O sistema de saúde norte-americano, dominado pelos monopólios privados da saúde, não foi capaz de dar conta da gravidade da situação o que levou ao completo descontrole da doença. O setor mais afetado são justamente os negros. Devido a situação precária em que se encontram, o número de negros mortos pela doença chega a ser quatro vezes maior do que o número de brancos.

Os impactos na economia estadunidense são desastrosos. O PIB teve uma queda história de 33% no segundo trimestre deste ano, assim como o índice de desemprego chegando à 14%. Cerca de 40 milhões de trabalhadores norte-americanos foram obrigados a solicitarem o seguro-desemprego no início da pandemia pelo fato de terem ficado sem trabalho.

Tal situação de crise profunda intensifica a polarização política, a qual só precisa de um estopim para vir às vias de fato. Neste caso o estopim foi a questão racial e a violência policial, um problema histórico da sociedade norte-americana. Todavia, conforme as mobilizações se desenvolvem, e conforme o problema da violência da policial não se resolve, como se pôde verificar nos dois casos de ataques, por meio da chamada luta parcial, ou seja, a “luta contra o racismo, “em defesa dos negros”, etc; fica cada vez mais evidente, a cada novo ato de violência da polícia, a necessidade de se impulsionar o caráter político do movimento, o qual é o fundamento de todas as mobilizações que ocorreram até agora.

É necessário transformar completamente a luta contra o racismo e a violência policial na luta pela derrubada de todo o regime imperialista e fascista norte-americano, uma verdadeira máquina de guerra contra seu próprio povo e os povos oprimidos do globo. Levantar um programa democrático, o qual no caso dos negros tenha como primeiro ponto a extinção de todo o aparato repressivo, polícia, guarda nacional, etc, e a organização das milícias populares, as quais já se desenvolvem em determinados locais, como as organizações negras armadas que atuam no enfrentamento contra a polícia e a extrema-direita. Somente assim a luta dos negros, da juventude e da classe trabalhadora norte-americana será consequente para o fim da desigualdade e da opressão.

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