Mais dois militares assumem secretarias no Ministério do Meio Ambiente

Brazil's President Jair Bolsonaro, Environment Minister Ricardo Salles and Vice President Hamilton Mourao attend a swearing-in ceremony for the country's new army commander in Brasilia

Em um vídeo divulgado no Twitter, o militar da Aeronáutica Eduardo Camerini foi nomeado pelo ministro Ricardo Salles para chefiar a Secretaria de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. A tenente Mirella Vargas será sua adjunta. ”Um importante tema confiado a quem conhece”, afirmou Salles.

O cargo ocupado por Eduardo Camerini estava vago. Antes de ocupá-lo, o militar trabalhava na direção do Departamento de Saúde e Assistência Social do Ministério da Defesa. Em seu currículo, há experiência em lidar com patrimônio genético, instrução de resgate e áreas como fisiologia aeroespacial e medicina.

No Ministério do Meio Ambiente, Camerini será encarregado de concluir um relatório sobre a biodiversidade brasileira que deve enumerar quais serão os compromissos assumidos para assegurar a diversidade de espécies no País até 2020. Este relatório já deveria ter sido enviado no ano passado para a Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU.

Na quarta-feira (17), o coronel Homero de Giorge Cerqueira já havia sido nomeado por Salles para presidir o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável por executar e fomentar os programas de proteção, pesquisa, conservação e preservação da biodiversidade brasileira, além de gerenciar as unidades de conservação federal. Ele era comandante da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo. Em suas declarações, Cerqueira afirma que “vai seguir as diretrizes que o ministro passar” e admite que a fusão entre o ICMBio e o Ibama é uma coisa boa. Vale lembrar que, em fevereiro, Salles mandou exonerar 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama alegando um suposto “aparelhamento ideológico” do Instituto.

As nomeações realizadas pelo ministro Ricardo Salles a pedido de Bolsonaro evidenciam o processo de militarização do Ministério do Meio Ambiente. Até o momento são, pelo menos, 12 militares. Dessa maneira, os bolsonaristas pretendem destruir o ministério e a legislação ambiental em favor dos latifundiários, das mineradoras e dos madeireiros.