Inércia demagógica
Com todos os ataques feitos contra a juventude, a UNE, mais uma vez, se mostra completamente demagógica em sua política, desviando a verdadeira luta dos estudantes
Une
Iago Montalvão, atual presidente da União Nacional dos Estudantes. | Foto: Reprodução

Desde o começo da pandemia, a juventude tem sido um dos principais setores atacados pelo governo golpista de Bolsonaro. Em um primeiro momento, vimos isso se manifestar por meio do chamado ensino à distância, um projeto antigo da burguesia para privatizar e sucatear cada vez mais a educação pública. Em seguida, vieram os ataques contra as moradias estudantis e os auxílios, colocando os estudantes da classe operária em uma situação extremamente precária. Não satisfeito, Bolsonaro promoveu a volta às aulas, o que só pode resultar na morte de milhares de estudantes, como bem demonstra algumas pesquisas.

Em meio à tudo isso, chama especial atenção a postura da oposição do regime. Desde o princípio, pouco foi feito para barrar esses avanços contra a juventude e a população. A esquerda pequeno-burguesa, como um todo, procurou propagar a política da palavra de ordem do “Fique em Casa”, abrindo um abismo para que a direita pudesse avançar com seus projetos.

Dentro disso, vale ressaltar a posição das representações estudantis, que há muito têm demonstrado uma posição de extrema passividade frente ao governo genocida de Bolsonaro e seus aliados golpistas. Em especial, a UNE se colocou completamente contrária à mobilização estudantil no sentido de que não procurou mobilizar a juventude em prol da luta contra os algozes do povo. Muito pelo contrário: se escondeu atrás de pautas extremamente demagógicas, fingindo preocupação com as verdadeiras demandas da juventude.

Mais recentemente, procurou continuar sua luta – que nunca, de fato, ocorreu – visando cumprir as “reivindicações” dos estudantes. Indo de encontro à sua política frente ao adiamento do ENEM, anunciou mais um estágio de seus famosos “tuitaços” que consistem, basicamente, em enviar inúmeras mensagens atreladas à sua hashtag na rede Twitter com a intenção de promover uma frente virtual contra os projetos do governo.

O que deve ficar claro é que essa forma de luta é uma completa farsa. Afinal de contas, qual efeito prático isso tem no que diz respeito à pressionar o governo a acatar qualquer tipo de reivindicação? Todavia, além disso, é preciso denunciar a própria política da instituição, pautada para esconder a verdadeira luta dos estudantes.

Quando promovem eventos virtuais contrários à reprovação dos estudantes das escolas privadas e, ademais, contrários ao aumento das mensalidades no próximo semestre, desviam a atenção da juventude do que realmente importa. O ponto é que, caso o semestre tivesse sido suspenso e as aulas canceladas até que fosse seguro, nada disso seria necessário. A luta deve ser outra, extremamente distante dos pormenores ressaltados pela UNE.

No final das contas, é necessário promover a luta real dos estudantes. Como dito, a principal reivindicação dentro da luta estudantil deve ser a da suspensão do calendário acadêmico até que seja segura – além, é claro, do próprio Fora Bolsonaro, principal responsável pelos ataques feitos contra a população. Caso contrário, as escolas irão reabrir e a juventude vai morrer à rodo, vítima tanto da política genocida da direita quanto da própria imobilidade da esquerda. Deve ficar claro que, se não agirmos agora e tomarmos as ruas, o futuro do povo brasileiro não pode ser outro senão a morte generalizada de milhões de trabalhadores e estudantes.

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