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Demagogia em novela do SBT
Mais demagogia: SBT coloca negra de protagonista de novela
O canal de Silvio Santos exibirá pela primeira vez uma novela que tem como protagonista uma mulher negra!
Silvio Santos-1
Demagogia em novela do SBT
Mais demagogia: SBT coloca negra de protagonista de novela
O canal de Silvio Santos exibirá pela primeira vez uma novela que tem como protagonista uma mulher negra!
Silvio Santos e um de seus “ilustres convidados”. Jair Bolsonaro.
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Silvio Santos e um de seus “ilustres convidados”. Jair Bolsonaro.

Pela primeira vez o canal de televisão SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) exibirá uma telenovela em que o papel de protagonista será de uma negra, a atriz mexicana Elyfer Torres de 22 anos. Em quase 40 anos de existência e com mais de 70 telenovelas exibidas, o canal do empresário Silvio Santos nunca havia colocado uma mulher negra como protagonista. O que ocorrerá, enfim, na novela “Betty em Nova Iorque”, que estreará nos próximos meses.

A novela, que é uma releitura de “Bete, A Feia”, foi produzida pela Telemundo, emissora de TV de conteúdo espanhol com maior audiência nos Estados Unidos, e está sendo exportada para vários países.

O canal de Silvio Santos, tradicional em exibir conteúdos enlatados mexicanos, produzidos pela Televisa, dessa vez parece querer se afastar de material das reprises e material puramente conservador, aspecto mais evidentes dos dramalhões mexicanos. Ao que dizem os espectadores de outros países, a versão “Betty in NY” traz aspectos mais modernos, inclusive colocando uma negra no papel principal, o que seria uma busca por atrair novo público.

Logo se vê que, ao contrário do que defensores das chamadas pautas identitárias estão comemorando nas redes sociais, a jogada do SBT é, na verdade, pura demagogia para atrair um público que vem se afastando dos canais tradicionais de televisão, considerando ainda o maior uso de conteúdos via internet e aplicativos de exibição por demanda, como Netflix, Amazon e outros.

Silvio Santos, que é o mandatário do canal e uma das pessoas mais ricas do país, é o exemplo de burguês conservador e demagogo. Basta assistir ao programa que ele apresenta há décadas nas tardes de domingo, para ver o tratamento que ele dá ao público, fazendo brincadeiras sem graça e preconceituosas, aos funcionários, tratando com ironia e assediando, como foi o caso da funcionária que ele demitiu ao vivo durante o programa, as propagandas que faz da política da direita, como a propaganda pela Reforma da Previdência e pelo aumento da repressão, e pior, os convidados que ele leva ao programa para continuar com a propaganda reacionária, como Jair Bolsonaro e outros políticos direitistas. Além disso, outros apresentadores do seu canal seguem à risca a linha do patrão, como o apresentador Ratinho que fez propaganda descarada pela reforma da previdência e foi remunerado em 2 milhões de reais, e a apresentadora do jornal do SBT Rechel Sherazade, que durante os últimos anos tem aproveitado de sua popularidade à frente do canal para atacar a população e trabalhadores e defender a violência contra a população pobre, repetindo diariamente a frase “tá com dó, leva pra casa”.

O fato do SBT está colocando uma negra como protagonista de um programa ou em outras posições, em nada altera a política da empresa e seu tratamento aos funcionários ou ao público espectador, em geral. É preciso lembrar que, os atores são trabalhadores que devem ter seus direitos respeitados assim como qualquer outro, mas nas emissoras de TV, não é o que acontece. Muitos são contratados de forma precária, por um período curto, sem quaisquer garantias ou tem seus contratos encerrados de uma hora pra outra, pela simples mudança de planos do patrão Silvio Santos, situação que não é diferente nas outras emissoras. Devemos lembrar também, que estas produções possuem toda uma equipe de trabalhadores, como cinegrafistas, técnicos de som e imagem, que também não tem seus direitos respeitados pela empresa.

O direito da comunidade negra só será respeitado quando as concessões de rádio e TV estiverem nas mãos dos trabalhadores e não da mão da burguesia.