Catástrofe
Política da direita, muito mais do que personagens ou setores diversos, é o fundamento por trás do genocído
Foto: JORGE HELY/ FRAMEPHOTO/ ESTADÃO CONTEÚDO
Vítima fatal da pandemia sendo transportada. Coronavírus se alastra sem controle | JORGE HELY/ FRAMEPHOTO/ ESTADÃO CONTEÚDO

Três meses após o primeiro caso registrado, o Brasil ultrapassou a marca de 1 milhão de contágios pelo coronavŕius, que já atingiu 85% dos municípios e matou mais de 50 mil pessoas no País. Os números chocam ainda mais pela lembrança de que se tratam apenas dos casos que não puderam ser omitidos ou manipulados, uma vez que o expressivo fenômeno da subnotificação tornam as estatísticas oficiais, produzidas pelas secretarias de saúde dos governos estaduais e o Ministério da Saúde, absolutamente indignas de qualquer confiança. Os dados, produzidos tanto pelo governo federal quanto pelos estados, são mais um indicativo de que Bolsonaro é uma figura grotesca e ameaçadora, porém não está só.

A política levada adiante nos estados controlados pelos ditos “científicos” (com especial destaque para João Doria em São Paulo e Wilson Witzel no Rio de Janeiro), demonstram que a indiferença com a vida da população pobre e trabalhadora não é exclusiva da extrema-direita, por mais que o oportunismo da esquerda pequeno-burguesa (ávida por um acordo com a ala centrista da direita) se esforce para propagar a ilusão de que os governadores se opõem ao bolsonarismo por interesses em comum com a população, o que é uma loucura.

Não apenas Dora e Witzel mas também Eduardo Leite (PDS-RS), Ibaneis Rocha (MDB-DF) e todos os governos, nas esferas estaduais e municipais, têm revelado um descaso criminoso diante da pandemia, cujo alastramento segue desenvolvendo-se de maneira totalmente descontrolada.

Não há estruturas sanitárias sendo construídas, leitos adequados seguem em falta, não há máscaras e insumos de higiene, descobriu-se que inclusive os esgotos a céu aberto que dominam as paisagens dos bairros populares de norte a sul do país são um grande foco de propagação da pandemia, não há atendimento aos infectados, não há testes para controle, absolutamente nada é feito pelos “científicos” em favor da população. Não faltam, porém, medidas contra.

A tradição em responsabilizar o povo por toda a imundície feita pelo regime político profundamente ditatorial se manifesta novamente no crise sanitária. De conjunto, os governadores e prefeitos adotaram versões drásticas desta prática tradicional da direita, variando apenas o grau de repressão mas todos centraram sua política de controle da pandemia na criação de leis draconianas contra a população.

Destruindo as ilusões suicidas difundidas pelos defensores da frente ampla, estes setores da direita (anteriormente dita “civilizada”) acabaram revelado-se ainda mais eficientes na macabra arte de matar a população do que o próprio Bolsonaro, além de terem se mostrados mais habilidosos na construção de uma ditadura abertamente fascista.

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