Retrospectiva
O IBGE divulgou o número de 14 milhões de desempregados no país, mas na realidade este número é muito maior, reflexo da crise capitalista e do golpe de estado
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desemprego foto amanda perobelli - reuters
A carteira de trabalho, cada vez mais em desuso no Brasil | Foto: Amanda Perobelli/Reuters

Os mais recentes números divulgados pelo IBGE mostram que o problema do desemprego está se aprofundando no Brasil e que os números divulgados escondem a verdadeira natureza da crise atual.

Segundo dados do IBGE, no trimestre agosto-setembro-outubro de 2020 a taxa de desemprego no país ficou em 14,3%, um aumento de 0,5% em relação ao trimestre anterior (maio-junho-julho de 2020), que havia medido 13,8%. Estes números dizem que são 14,1 milhões de pessoas desempregadas no último trimestre, um aumento de um milhão de pessoas em relação ao trimestre anterior.

Se compararmos o período de um ano verificaremos que em outubro de 2019 havia 12,4 milhões de desempregados, o que significa um aumento de 1,7 milhões de pessoas em apenas 12 meses.

Houve ainda um aumento na taxa de informalidade, chegando a 38,8%, somando 32,7 milhões de trabalhadores, um aumento de 384 mil pessoas em relação ao trimestre anterior, resultado da política aplicada pelo ministro Paulo Guedes, que flexibilizou as regras em favor dos empresários.

Mas os números do IBGE são uma manipulação da realidade do emprego no país. Enquanto divulgam na imprensa burguesa o número de 14,1 milhão de desempregados, a verdade mesmo é que o número deve ser mais próximo de 92 milhões.

A imprensa burguesa tenta dizer que esta crise do desemprego foi gerada pelo problema da pandemia, que encolheu a economia mundial. Mas podemos verificar facilmente que isto não é verdade e que a crise tem raízes mais profundas e que ela cresceu aceleradamente a partir do golpe de estado de 2016 que derrubou a presidenta Dilma Rousseff e depois colocou Bolsonaro no poder.

A metodologia do IBGE

O IBGE divide a população brasileira (que em 2020 se compõe de cerca de 211 milhões de pessoas), em quatro categorias: ocupados, desocupados, fora da força de trabalho e abaixo da idade de trabalhar.

Como podemos verificar no quadro do IBGE são 82,464 milhões de pessoas ocupadas e 14,092 milhões de desocupados, além de 78,565 classificados como fora da força de trabalho. O problema é que segundo a metodologia do IBGE existem vários exemplos de pessoas, que embora não possuam um emprego, não podem ser consideradas desempregadas, como por exemplo um universitário que dedica seu tempo somente aos estudos e uma dona de casa que não trabalha fora.

O método usado hoje em dia pelo IBGE é chamado de PNAD Contínua, ou Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, que mede, entre outras coisas, o desemprego. Começou a ser utilizada em 2012, substituindo o método conhecido como PME, ou Pesquisa Índice de Medo do Desemprego, que foi utilizado entre 2002 e 2016.

O PNAD Contínua traz inúmeras distorções da realidade, considerando, por exemplo, que beneficiários do programa seguro desemprego trabalhando na informalidade (como motorista de aplicativo ou no comércio ambulante) são classificados como ocupados. Em outro caso, como os beneficiários do seguro desemprego, que não estão ocupados e não que não tomaram providências efetivas para conseguir trabalho, são classificados como “fora da força de trabalho”.

A imensa fatia dos trabalhadores classificados como “fora do mercado de trabalho” se compõe de 78,565 milhões de pessoas e dentre elas estão os chamados “desalentados”, ou seja, aqueles que não têm trabalho e já desistiram de procurar uma ocupação.

Ou seja, são diversas manobras feitas com o objetivo de modificar os números do desemprego para baixo. Se considerarmos a soma dos desocupados e dos fora da força de trabalho temos o espantoso número de 92,657 milhões de pessoas sem ocupação, algo muito mais próximo da nossa realidade.

A crise do capitalismo

A crise gerada pela pandemia foi a desculpa usada pelos capitalistas para atacar ainda mais os trabalhadores. O governo golpista de Bolsonaro, através de seu ministro neoliberal Paulo Guedes, aplicou duras medidas contra a classe trabalhadora cortando inúmeros direitos adquiridos. Além disso, deu à população mais carente um auxílio emergencial de valor irrisório enquanto foram liberados 1,2 trilhão de reais para salvar os bancos privados, um valor que é equivalente a 16,7% do PIB (produto interno bruto) do país.

Mais uma vez usando os dados do IBGE podemos notar a evolução da taxa de desemprego entre os anos de 2012 e 2019:

Podemos verificar que a partir de 2016 começa um crescimento constante da taxa de desemprego (desocupação). O ano de 2016 é justamente o ano em que a presidenta Dilma Rousseff esteve sob ataque dos golpistas que sabotaram seu governo.

Por isso fica evidente que a pandemia foi usada como desculpa pelos grandes empresários para forçar os governos a atacar os direitos dos trabalhadores. A crise já havia se instalado muito antes, num processo histórico de crise do próprio capitalismo. Por isso vimos medidas como o ataque à aposentadoria dos trabalhadores, as reduções de salário, aumento das horas de trabalho e diversas outras medidas cujo objetivo era colocar nas costas dos trabalhadores o peso da crise e aliviar para os capitalistas.

Por tudo isso podemos constatar que não é apenas a pandemia do coronavírus que está matando o nosso povo. É também o governo golpista que, a serviço do imperialismo, está levando uma política para matar o povo de fome e deixando os capitalistas ainda mais ricos.

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