Quase 70 torcidas organizadas contra Bolsonaro: é preciso formar comitês nos estádios

TO

O avanço da extrema-direita em praticamente todos os quatro cantos do planeta é um fato indubitável e coloca em alerta não só a classe operária mundial como também o conjunto dos trabalhadores em todo o mundo, sob o perigo que se avizinha. Cresce em todos os continentes uma inequívoca tendência ao fascismo nos regimes políticos, particularmente no continente europeu, sob as bênçãos e os olhares complacentes das ditas “democracias civilizadas” do velho continente.

No Brasil a extrema-direita ganhou força e vem se desenvolvendo de forma mais intensa e ousada a partir do golpe de estado de 2016, onde os golpistas e a direita investiram de forma ilegal e fraudulenta contra o governo eleito legitimamente pelo voto popular. As eleições de 2018 já são as mais fraudadas e manipuladas da história recente do país e buscam legitimar o golpe, conduzindo ao governo um elemento que aprofunde o ataque do grande capital imperialista contra os interesses nacionais.

As eleições, organizadas e fraudadas pela direita e os golpistas, já se mostraram completamente incapazes para dar uma resposta de conjunto à crise do regime, que se inclina cada vez mais à direita e à extrema-direita. Nas ruas, os bandos fascistas já atuam abertamente, atacando, espancando e agredindo supostos opositores do candidato oficial da extrema-direita e do regime golpista, o fascista Jair Bolsonaro, do PSL.

O futebol é a maior das paixões do povo brasileiro e também uma grande expressão da cultura nacional. Os estádios nacionais são palco de grandes concentrações populares e representam um momento onde as massas populares buscam o entretenimento e a diversão. No entanto, não é somente a diversão e o entretenimento que os trabalhadores buscam atualmente nos estádios. As torcidas organizadas representam hoje muito mais do que a paixão por seu clube, mas são um espaço de resistência e luta contra as arbitrariedades e a perseguição do Estado, materializada na truculência e na violência da Polícia Militar.

Nestas eleições mais de 50 Torcidas Organizadas de vários clubes em todo o país já se manifestaram contra o candidato da extrema-direta fascista, que vem anunciando a sua disposição de atacar os movimentos sociais, criminalizando a luta dos trabalhadores e as organizações de luta e resistência das massas populares. Em números precisos foram 69 torcidas e coletivos que se manifestaram contra o candidato fascista Jair Bolsonaro.

Para ser consequente com esta disposição de luta contra a direita fascista e a perseguição policial dentro e fora dos estádios, a tarefa que se coloca para o momento é o da constituição de comitês de luta e resistência para enfrentar o avanço da direita. Os bandos fascistas somente poderão ser enfrentados e derrotados se houver a mais ampla unidade em torno a luta pela auto-defesa dos trabalhadores, das torcidas e do conjunto da população explorada, que vem sendo não só diretamente ameaçada como agredida e assassinada pelas turbas fascistas, como são as dezenas de casos já registrados de violência contra principalmente a população pobre e explorada das periferias e dos centros urbanos das cidades em quase todo o país.

Os fascistas e seus bandos precisam ser enfrentados com os métodos de luta historicamente consagrados pelos trabalhadores, através da organização e do armamento da população. A incitação à violência por parte do candidato da extrema-direita e seus apoiadores está encorajando os bandos fascistas a praticarem abertamente a perseguição  e os assassinatos contra os negros, as mulheres os homossexuais e as populações pobres de uma forma geral. Os estádios podem e devem representar um importante espaço para fazer a luta e a resistência contra a extrema-direita. Mas para que isso de fato aconteça, as lideranças das torcidas devem organizar imediatamente os comitês de auto-defesa dos seus associados e integrantes. As torcidas devem exigir também a mais ampla liberdade de organização e manifestação em todos os estádios e praças esportivas do país

A ameaça é concreta e somente pode ser respondida e enfrentada através da criação e do fortalecimento dos organismos próprios de luta e resistência das massas populares, onde quer que elas estejam. Não há qualquer outro atalho nesta luta de vida ou  morte contra a extrema-direita e seus representantes. Neste sentido, o PCO e os comitês de luta contra o golpe conclamam as torcidas organizadas a discutirem e organizarem um plano de lutas e a criação dos comitês de auto-defesa em todos os estados e em todas as torcidas e coletivos do país.