Genocídio
Enem tem mais da metade de abstenções, revelando impopularidade total da política genocida de volta às aulas da burguesia.
Alunos do sistema de ensino COC fazem simulado do Enem.
A volta às aulas só pode se barrada pela mobilização. | Carlos Ceconello/Folhapress
Alunos do sistema de ensino COC fazem simulado do Enem.
A volta às aulas só pode se barrada pela mobilização. | Carlos Ceconello/Folhapress

Realizado com a maior taxa de abstenção em sua história, o Enem, principal exame nacional e porta de entrada para a universidade, foi marcado pela presença de apenas 48,5% dos seus inscritos.

A campanha realizada pelo INEP, em conjunto com os governos federal e estaduais tornou-se um verdadeiro fracasso, e a prova cabal da impopularidade da política de volta às aulas em plena pandemia.

O Enem, teve como principal impulsionador a burguesia brasileira, interessada na realização das provas em todo país, com o intuito de estabelecer um avanço material na política de reabertura das escolas e universidades.  O evento, está sendo realizado enquanto o país atravessa, mesmo em números oficiais, um período consideravelmente pior do que visto no chamado “pico da pandemia”. Com o colapso total da rede pública de saúde em estados como o Amazonas, a população brasileira se deparou com uma verdadeira política de genocídio, que tem como único interesse, dar novo folego a falida economia capitalista.

Os dados comprovam este fenômeno. Cerca de 51,5% dos inscritos, não compareceram ao primeiro dia de prova, totalizando quase 3 milhões de pessoas. Esta, é a maior taxa de abstenção de toda a história do exame, e é admitida pelo próprio ministro da educação, como uma demonstração do “medo de contaminação”, porém, cinicamente culpando o “trabalho da mídia contrária ao Enem”.

Contudo, este medo não é a toa, os relatos expressos por diversos estudantes, revelam a falta de confiança não só no governo Bolsonaro, como todos os golpistas regionais. Além disso, o medo rapidamente tornou-se realidade para aqueles que decidiram ir ao exame.

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Com superlotação nas escolas, e alunos sendo retirados do exame pela falta de estrutura nas salas de aula, deixaram claro que o a burguesia brasileira já sabia do genocídio do qual estava preparando para a juventude, e mentiu descaradamente ao garantir, supostas “proteções” contra a contaminação.

Dessa maneira, milhões de pessoas foram expostas a contaminação, comprovando na prática o medo de toda a população.

É perceptível também uma outra faceta deste problema. Além do medo da contaminação e a total falta de confiança no regime político, a juventude também se deparou com o Enem mais antidemocrático de sua história.

Após o término de um ano onde grande parte da população sequer teve a possibilidade de estudar, a juventude trabalhadora foi drasticamente atingida. Sem acesso ao ensino à distância, sem meios para estudar de maneira virtual ou condições financeiras para contratar cursos especiais de vestibular, os setores mais pobres da sociedade foram completamente excluídos da prova. A chance de realmente realizar o exame, tornou-se ainda mais um privilégio para os setores mais abastados.

Porém, em contrapartida a disposição de luta expressa pelos estudantes em toda a semana que antecedeu o exame, as principais direções do movimento estudantil, controladas pela UJS, nada fizeram para mobilizar a juventude. Dessa maneira, a campanha contra o Enem resumiu-se a um confuso “#AdiaEnem” nas redes sociais, enquanto a juventude clamava pelo cancelamento imediato da prova.

Esta situação, põe novamente as claras a falência da política da esquerda pequeno-burguesa. O momento é de radicalização frente a um brutal ataque, que irá parecer pequeno, quando o real objetivo de reabrir as escolas ser alcançado. Dessa maneira, uma programa sério precisa ser levantado, por isso, a Aliança da Juventude Revolucionária (AJR), lançou-se na campanha não defendendo meramente o adiamento do exame, mas sim, o fim de todos os vestibulares.

Precisa ficar claro, que mesmo o Enem, exame do qual fornece minimamente mais condições para a classe operária ingressas na universidade, está muito longe de ser uma real política democrática. Os vestibulares, são na prática um afunilamento, e seleção de uma parcela minoritária da população a ter o direito a ingressar no ensino superior. Ao contrário do que fala a propaganda burguesa, a educação superior está longe de ser um direito da população, mas sim um privilégio de uma pequena camada.

Para combater este problema, é preciso abrir o livre ingresso à universidade, o tornar o ensino superior uma continuação direita dos ensinos básicos.

O Enem 2020, comprovou de maneira acabada este problema. O governo de Jair Bolsonaro, e todos os golpistas regionais, utilizam-se dos vestibulares como forma de esmagar a população pobre, e agora, de assassinar toda a juventude por meros interesses econômicos.

Após a realização do exame, o atual ministro da educação falou em “vitória”, contudo, precisa ficar claro que esta vitória parcial da burguesia, é uma derrotada a todo movimento estudantil. A realização do Enem é o ponto de partida para a retomada das aulas presenciais, que poderá ser apenas impedida por uma verdadeira mobilização dos estudantes. Sendo assim, a AJR, chama a todos a se juntarem aos comitês de luta estudantil, e reforçar a campanha por uma greve nacional contra a volta às aulas.

 

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