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O dia 15 de maio entra para a história do País como o início do fim. Enquanto cerca de um milhão de pessoas encheram as ruas de várias cidades gritando “fora Bolsonaro”, ele estava fora: em Dallas, no Texas, nos EUA, como auto-convidado. Nem o prefeito da cidade norte-americana, nem o residente ex-presidente George W. Bush, ninguém o convidou para ir lá, foram todos pegos de surpresa com a presença dele e o prefeito, da mesma forma que o colega de Nova York, se recusou a chegar perto dele. A assessoria do presidente ilegítimo criou para ele um factóide para transportá-lo a uma realidade paralela.

Enquanto isso, a verdade se impôs de tal forma que nem os jornalões puderam esconder em suas edições do dia seguinte. Todos estamparam, em suas primeiras páginas, fotos impressionantes das multidões nos protestos em suas respectivas cidades, embora minimizando os atos como sendo apenas motivados pelos anunciados cortes nas verbas da Educação, como se uma desistência dos tais cortes pudesse alterar o ânimo geral.

Ao nível do asfalto, para quem ouviu de perto e leu os inúmeros cartazes improvisados, escritos à mão em cartolinas, ficou claro que foi só a gota que faltava. As pessoas gritavam contra o arrocho às escolas federais, mas também contra a proposta de reforma da previdência e contra o governo de modo geral. Havia muitos professores e estudantes, mas também muita gente que não trabalha ou estuda em unidades de ensino federais.

Ainda mais depois que Bolsonaro, de lá dos EUA, declarou que os manifestantes eram “idiotas úteis” e “imbecis”, ficou claro que se tratava de um enfrentamento direto. Quem foi às ruas já aderiu, inclusive, a outras manifestações que foram convocadas, para 30 de maio e para uma greve geral em 14 de junho. A fervura só está começando.

São Paulo foi o estado com a maior quantidade de cidades onde ocorreram protestos no dia 15 de maio. A CUT avalia em 250 mil pessoas a manifestação na capital que tomou quase toda a avenida Paulista, desde a rua Consolação até a avenida Brigadeiro Luís Antônio, por onde a multidão seguiu em passeata até a sede da Assembléia Legislativa localizada no Ibirapuera.

Além da capital, houve atos de protesto em Campinas, Piracicaba, Sorocaba, Jundiaí, São Roque, Itu, Salto, Boituva, Avaré, Itapetininga e Porto Feliz. Também em Santos e outras cidades da baixada santista, em Cubatão e em Registro, no Vale do Ribeira. No oeste do estado, as manifestações eclodiram em Bauru, Ourinhos, Marília, Assis, Tupã, Presidente Prudente e Campina do Monte Alegre.

No Vale do Paraíba, os manifestantes saíram às ruas de São José dos Campos, Taubaté, Guaratinguetá e Bragança Paulista. No norte e noroeste, os gritos contra o governo foram ouvidos em atos nas cidades de Ribeirão Preto, Jaboticabal, Araraquara, Rio Claro, São Carlos, São João da Boa Vista, Araras, Catanduva, São José do Rio Preto, Araçatuba, Votuporanga e Ilha Solteira.

No estado do Rio de Janeiro, se estima que a maior manifestação tenha atingido cerca de 150 mil pessoas na Candelária e também houve atos em Niterói, Duque de Caxias, Itaguaí, Nova Iguaçu, Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Maricá, Cabo Frio, Valença, Volta Redonda e Angra dos Reis.

Salvador, na Bahia, reuniu cerca de 50 mil pessoas em protesto. Outras cidades do estado também saíram às ruas em manifestações, em Feira de Santana, Vitória da Conquista, Ilhéus e Juazeiro do Norte.

No Ceará, houve atos de protestos em Fortaleza, Juazeiro do Norte, Crato, Sobral, Tauá, Cedro, Iguatu, Canindé, Crateús e Quixadá.

Em Minas Gerais, além dos estudantes da UFMG, da UEMG e do Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais, que saíram às ruas com faixas e cartazes desde às 7h da manhã, escolas estaduais e municipais além de universidades e institutos federais das regiões da Zona da Mata e Campos das Vertentes também aderiram às paralisações e protestos. O mesmo aconteceu em Montes Claros, Almenara, Araçuaí, Janaúba, Porteirinha, Januária, Pirapora, Salinas, Teófilo Otoni, Uberaba, Uberlândia, Divinópolis, Barbacena, São João Del Rei, Viçosa, Santos Dumont, Rio Pomba, Araxá, Governador Valadares, Varginha, Poços de Caldas, Itajubá, Lavras, Muzambinho, Inconfidentes, Ipatinga e Timóteo.

Em Sergipe, os manifestantes bloquearam o acesso ao campus da Universidade Federal, em Aracaju, e também se concentraram na porta do Instituto Federal de Sergipe. O protesto seguiu para o centro de Aracaju com a adesão de diversas centrais sindicais.

No Tocantins, além de manifestações nos portões das universidades Federal e Estadual em Palmas, também houve atos em Gurupi, Araguaína, Dianópolis, Araguatins, Miracema do Tocantins, Brejinho de Nazaré e Paraíso do Tocantins.

Em Pernambuco o protesto reuniu movimento estudantil, sindicatos, associações e movimento social no centro de Recife e também em Caruaru, no Agreste, em Serra Talhada, no Sertão, em Petrolina, Serrita, Salgueiro e Terra Nova.

No Distrito Federal, enquanto os organizadores falaram que havia 50 mil pessoas na manifestação que se reuniu em frente à Biblioteca Nacional e seguiu até a Praça dos Três Poderes, a PM diz que havia 15 mil manifestantes.

Na Paraíba todas as escolas públicas de ensino básico, fundamental, médio e superior paralisaram suas atividades. Além de João Pessoa, houve atos em Campina Grande, Sousa, Monteiro, Cuité, Guarabira, Patos e Areia.

No Rio Grande do Sul, 20 mil pessoas, segundo os organizadores do ato, ou 5 mil, segundo a Brigada Militar, saíram às ruas em protesto. A polícia jogou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para disperar manifestantes na frente da UFRGS em Porto Alegre. Na região de Santa Maria, cerca de 50 escolas municipais e estaduais suspenderam aulas. Houve protestos em Rio Grande, Caxias do Sul, Panambi, Cruz Alta, Pelotas, Uruguaiana, Santo Ângelo, Santo Augusto e Santa Rosa.  

No Maranhão, houve atos de protestos em São Luís, Pinheiro, Balsas, Santa Inês e Imperatriz. Em Alagoas, professores, funcionários, estudantes e sindicalistas fizeram ato pela manhã em Maceió.

No Rio Grande do Norte, as escolas suspenderam aulas como forma de adesão e houve manifestações em Natal, São Gonçalo do Amarante, Mossoró, Nova Cruz, Currais Novos e Caicó.

No Piauí, além de manifestação em Teresina, foram realizados protestos em Parnaíba, Cocal e Angical. Em Goiás, as aulas foram suspensas e houve manifestações em Goiânia, Jataí, Anápolis, Itumbiara, Rio Verde, Luziânia e Catalão.

No Paraná, os manifestantes se reuniram na frente do prédio histórico da UFPR, em Curitiba, e também houve protestos em Maringá e Ponta Grossa. Em Santa Catarina, houve uma caminhada pelas ruas de Florianópolis com 10 mil participantes, segundo os organizadores. Também houve atos de protesto em Itajaí, Blumenau, São Francisco do Sul, Camboriú, Lages, Joinville, Concórdia, Chapecó e São Miguel do Oeste.

No Amazonas, houve protestos em Manaus, Humaitá, Presidente Figueiredo e Parintins. No Acre, as manifestações aconteceram em Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Tarauacá e Xapuri. Na capital, a manifestação teve 1,2 mil pessoas, segundo a CUT.

Escolas municipais e estaduais, além de instituições federais no Mato Grosso do Sul aderiram à greve de um dia contra os bloqueios na educação nas cidades de Campo Grande, Ponta Porã, Três Lagoas e Dourados.

No Mato Grosso, trabalhadores e estudantes de instituições públicas protestaram em Cuiabá. Instituições federais, estaduais e municipais de educação também aderiram à mobilização nacional.

Em Roraima, em Boa Vista, professores, técnicos e estudantes da Universidade Federal de Roraima (UFRR), fecharam os portões da instituição. Além da UFRR, participam do ato o Instituto Federal de Roraima (IFRR) e parte da Universidade Estadual (UERR). O Colégio de Aplicação da UFRR e a Escola Agrotécnica também paralisaram.

No Pará, as universidades federais paralisaram as atividades. Segundo sindicato, em Belém, mais de 10 mil trabalhadores técnicos, estudantes e professores da Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra) e Instituto Federal do Pará (IFPA) ficaram concentrados em frente ao prédio do Instituto de Ciências das Artes (ICA). Também houve atos em cidades como Marabá e Santarém.

Em Vitória, no Espírito Santo, estudantes e professores da rede estadual de ensino seguiram em protesto da Praça do Papa em direção à Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Também houve atos em Linhares, Colatina, Nova Venécia e Alegre.

Em Rondônia, Estudantes e professores do Instituto Federal de Rondônia (Ifro) fizeram um manifesto no campusde Guajará-Mirim (RO), na fronteira com a Bolívia. Os alunos e servidores se reuniram no Ifro e logo depois caminharam até a rotatória principal da cidade.

Em Porto Velho, estudantes da Fundação Universidade Federal de Rondônia (Unir) protestaram no centro da cidade.

Em Vilhena, a manifestação foi convocada por sindicatos de professores junto com instituições de ensino. Na cidade de Cacoal, alunos e professores protestaram no Centro. Também houve protesto nas ruas de Ariquemes.

E no Amapá, Estudantes, professores e servidores protestaram no campus Macapá da Universidade Federal do Amapá (Unifap). Com faixas, cartazes e caixas de som, o grupo fechou a entrada da universidade. À tarde, houve ato no centro da cidade: 25 mil pessoas participaram, segundo a organização; para a PM, foram 1,5 mil pessoas.

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