Ser condutor, cobrador, fiscal
Reduzida a frota de ônibus nas ruas, motoristas sobrecarregados, se desdobram em até 12 horas de trabalho por dia. Deles é exigido ser cobrador, fiscal e metas a cumprir
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Foto de Roberto Moreyra, agência Globo |

Coronavírus já matou 22 motoristas de ônibus na cidade do Rio de Janeiro, denuncia o Sintaturb, representante da categoria de trabalhadores. Fora as mortes, sindicato contabilizou outros 120 motoristas infectados.

Motorista é também cobrador. Adentram nos ônibus, todos ao mesmo tempo. Maioria com máscara. Alguns, não. O que fazer com os sem máscaras? Deveria o motorista, além de cobrador, ser também o fiscal, o orientador da fila? Parar o ônibus, já atrasado, lotado, tirar o passageiro sem a máscara, para fora do veículo colocar? Quem controla a revolta dos passageiros? A queixa de José Carlos Sacramento, vice-presidente do Sintraturb.

“Qual a segurança que o motorista vai ter para fazer isso? Não tem como. “Ele pode sofrer agressão”, destacou o vice-presidente do sindicato.

São 9 mil os motoristas na capital fluminense. Três mil na ativa 

Motoristas estão sobrecarregados. Trabalham até 12 horas por dia. A zona oeste, os bairros de Campo Grande e Bangu, são os mais afetados pela pandemia.

São poucos os ônibus. As empresas exigem que a gente ande com o carro superlotado, queixa-se o motorista, que prefere não ser identificado. Máscaras, álcool gel, até são disponibilizados para os motoristas. Na volta para a garagem ao final do dia os veículos são desinfectados. É pouco. A explosão de infectados e mortos provam que as medidas de segurança não existem ou são absolutamente insuficientes.

Menos passageiros. Menos ônibus. Os poucos carros, superlotados. Os motoristas são obrigados a cumprir a meta de passageiros mínimos. São levados então, a, mais horas trabalhar. Trabalham até 12 horas no dia.

Campo Grande é o segundo bairro em óbitos na cidade. Já soma 70 vítimas. Com 308 infectados, é o terceiro bairro do Rio em número de casos. Bangu contabiliza 62 mortes, fica atrás de Campo Grande. É o sexto mais infectado com 210 doentes.

A redução de passageiros não é motivo para a retirada de ônibus das ruas. Pelo contrário, para a garantia do distanciamento social dos passageiros, se impõe que mais veículos nas ruas sejam colocados. Sempre exigir, mas em época de pandemia mais. Exigir cobradores, fiscais para que atuem junto aos condutores. Redução de horário de trabalho e não extensão para até 12 horas.

Garantias de nenhum passageiro em pé nos ônibus, todos sentados, com máscaras, intercalar bancos ocupados com bancos vazios.

O sindicato deve parar o transporte público. Mobilizar toda a categoria. Exigir mais ônibus nas ruas. Redução da jornada de trabalho, sem redução dos salários. Exigir Equipamento de Proteção para todos os trabalhadores. Desinfetação dos veículos em todas as viagens. Exigir a parada de todas as atividades não essenciais. Parar totalmente o transporte até o atendimento das garantias mínimas de segurança. É necessário salvaguardar a vida dos trabalhadores. Não será o prefeito Crivella. Não será o governador Witzel, a evitar o genocídio. Será a mobilização geral dos trabalhadores. Estatização total dos transportes de passageiros no Rio de Janeiro. Fazer valer enfim, o slogam estampado no logotipo da categoria, “não somos conduzidos, conduzimos”, conduzam, então.

 

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