Destruição do país
País pode ter chego a 31 milhões de pessoas na extrema pobreza, que ganham menos de R$ 155,00 por mês. Situação tende a piorar ainda mais
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Males como a fome só aumentaram com o golpe de estado no Brasil | Foto: Reprodução
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Males como a fome só aumentaram com o golpe de estado no Brasil | Foto: Reprodução

Em entrevista à Deutsch Welle, o economista e pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Daniel Duque, disse que com o fim do auxílio emergencial cerca de 20 milhões de brasileiros entrarão para a pobreza extrema, chegando a 31 milhões de pessoas que recebem menos de R$ 155,00 de renda per capita familiar.

No entanto, ainda segundo o economista, o número real de pessoas nessas condições não será divulgado tão cedo, já que o IBGE deixou de realizar a pesquisa PNAD Covid, que analisava mês a mês a renda da população brasileira. Com o fim do índice, somente no ano que vem será possível termos uma ideia do que ocorrerá de fato no Brasil ao longo de 2021, já que só restará o índice PNAD Contínua Anual.

A situação deve se agravar ainda mais do que o que diz o economista, já que, além do alto índice de pobreza já esperado no país, o ano abriu com dezenas de milhares de demissões e fechamentos de postos de trabalho, como é o caso da saída da Ford do Brasil, o programa de demissão voluntária do Banco do Brasil e da Volkswagen e o fechamento da Sony e da Yoki, anunciados recentemente.

Além disso, são inúmeras as privatizações preparadas para entregar o país ao capital imperialista, mesmo quando as necessidades da população se veem cada vez maiores. Uma prova disso foi a entrega recente do Parque Eólico Mangue Seco, que pertencia à Petrobras.

Soma-se a isso o preço cada vez mais crescente dos alimentos, com uma alta da inflação de 4,52% somente no ano passado, o salário mínimo que não sobe (e, pelo contrário, diminui) desde o golpe de 2016 e o índice de desemprego já anunciado no ano passado, que diz respeito a até setembro e que se encontra na casa de 14,6%. A porcentagem de desemprego no país, no entanto, é falsa, já que existem inúmeros índices que são desconsiderados pela burguesia para anunciar o desemprego oficial. Por exemplo, somando o número de desocupados, há mais de 90 milhões de brasileiros sem trabalho.

Não seria nem mesmo necessário lembrar que, no ano passado, Jair Bolsonaro deu 1,3 trilhão de reais para os bancos para que eles não falissem diante da crise do coronavírus, enquanto dava para o povo somente a esmola do auxílio emergencial por um pequeno espaço de tempo. Esse dinheiro gasto daria tranquilamente para expandir o auxílio por mais tempo, para mais gente e em um valor de no mínimo 1 salário mínimo, o que garantiria que o país não estivesse na pior crise de sua história.

O economista da FGV também criticou a divulgação do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), que indicou no fim do ano passado que 414 mil pessoas haviam conseguido empregos formais. Segundo Duque, o CAGED era um bom índice de medição até a divulgação desses dados, já que foram feitas alterações na maneira de medir o índice, uma manipulação que levou a um resultado fictício.

Com todo este panorama, fica fácil entender o motivo pelo qual o fim do auxílio emergencial levará a uma destruição ainda maior da economia do país e da vida da população brasileira. Por mais que o valor disponibilizado pelo auxílio fosse uma esmola, que não dava sequer para garantir a alimentação de quem solicitasse o auxílio, acabar de vez com a ajuda em um país que se afunda cada vez mais economicamente, é matar a população de fome.

Fica claro também que Bolsonaro e a burguesia de conjunto estão tentando esconder a dimensão da crise no país. Além dos dados do coronavírus subnotificados, da falta de testes e de todos os esquemas para mascarar a realidade da pandemia, também houve mudanças nos índices do CAGED e do PNAD Covid, como indicou Daniel Duque em sua entrevista.

O fato de que a burguesia esteja escondendo os dados é óbvio: ela teme que a população se revolte com a situação, o que colocaria em xeque o domínio da direita golpista no país.

Todo o desastre no país é fruto do golpe de estado de 2016. Os golpistas estão fazendo de tudo para entregar o quanto antes o Brasil ao imperialismo, que arquitetou o golpe de estado, mesmo que isso custe a vida de milhões de pessoas.

Com isso, fica também claro como a aliança com setores golpistas e tão fascistas quanto Bolsonaro para tentar derrubá-lo, não passa de uma farsa completa. Além de não combater Bolsonaro no essencial, principalmente no que diz respeito ao programa econômico de desmonte do país, a direita golpista que é tida como democrática procura manter a população longe das manifestações pela derrubada do regime golpista, enquanto busca um substituto que faça o mesmo ou até faça pior do que Bolsonaro contra a população.

É preciso, portanto, que as organizações de luta do povo brasileiro comecem a se mexer para tomar o controle da situação, tirar Bolsonaro e todos os golpistas do poder e reverter tudo o que foi feito nos últimos anos de destruição do país. Além disso, é preciso levar adiante um programa de luta e fiscalização das instituições para controlar a Covid-19.

Caso as organizações dos trabalhadores não comecem a se mobilizar imediatamente e não tomem a dianteira na luta política, afastando de vez a direita e combatendo o golpe de estado como um todo, exigindo o Fora Bolsonaro e os direitos políticos de Lula para que ele possa ser candidato em 2022, os milhões de pobres no país irão se multiplicar cada vez mais.

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