Mais de 1.200 ainda detidos pelos protestos de sábado França

Protesters wearing yellow vests kneel along the Champs-Elysees Avenue near the Arc de Triomphe as they face off with French riot police during a national day of protest by the "yellow vests" movement in Paris

Durante o último sábado (dai 8), a França foi mais uma vez sacudida pelas manifestações de centenas de milhares de pessoas, tendo à frente os “coletes amarelos”. Foi a quarta semana de protestos nos quais trabalhadores franceses mostraram sua indignação com a política arrocho econômico que tem sido posta em prática pelos sucessivos governos mas que se acentuou notavelmente após o início do governo Emmanuel Macron e sua política “pró-mercado”.

Só de policiais, foram mobilizados mais de 90 mil nas ruas de toda a França. Mais de 1.700 pessoas foram detidas, cerca de 650 só em Paris. Esse número é superior ao das manifestações das semanas anteriores. A decisão tomada pelo governo durante a semana de suspender o aumento dos combustíveis não serviu para arrefecer os ânimos dos franceses que não se detiveram ante as nuvens do gás lacrimogênio jogado em profusão pela polícia. Uma das palavras de ordem mais ouvidas era a que pedia a demissão do presidente.

Com medo das manifestações, Macron anunciou o recuo em relação ao aumento dos combustíveis, mas nada adiantou. O escolhido pela burguesia francesa para pôr em prática a política de guerra contra a população francesa, segundo os analistas é uma pessoa que jamais teve contato com o mundo real pois passou sua vida na academia e nos bancos. Citam como exemplo sua resposta inicial aos protestos: uma longa explicação quanto à necessidade de impostos altos sobre os combustíveis para proteger o meio ambiente.

Num esforço para amortecer a cólera popular o governo francês também congelou por seis meses as tarifas de energia elétrica, prometeu aumentar o salário-mínimo e debater uma reforma tributária assim como as despesas públicas. Apesar dos recuos a revolta popular não diminuiu, mas aumentou, diante da compreensão de que a política de esmagamento de 99% da população é a única que resta à burguesia para manter o sistema em funcionamento e que é preciso por uma derrota ao governo direitista.

Os estudantes secundários franceses também iniciaram protestos e neste sábado milhares deles estavam junto aos coletes amarelos em Paris. A divulgação em todo o mundo de fotos de adolescentes vigiados pela polícia ajoelhados e com as mãos na cabeça não ajudará na apaziguamento. No sábado também ocorreram protestos nas ruas de Bruxelas os quais foram alvo de repressão violenta. Dada a ofensiva feroz que o imperialismo está lançando mundo afora é de se esperar que em 2019 as demonstrações de massa se espalhem pelas ruas do mundo.