A saída é derrubar o governo
Nunca o mundo se encontrou numa situação parecida com a atual. Crise econômica desde 2008, crise com o vírus, e para arrematar uma dívida do tamanho do universo
27227375209_1a218bb783_c (1)
Christine Lagarde - Presidente do Banco Central Europeu | Foto: Reprodução
27227375209_1a218bb783_c (1)
Christine Lagarde - Presidente do Banco Central Europeu | Foto: Reprodução

A soma das dívidas pública e privada no contexto mundial, ou seja, da grande maioria dos países, chegou à casa dos US$280 trilhões de dólares. O valor supera a dívida dos países no final da segunda guerra mundial, onde as perdas em vidas humanas e as materiais já haviam sido para além de tudo que se conhecia até então.

Tanto o FMI (Fundo Monetário Internacional) como o Banco Mundial e o IIF (Institute of International Finance) consideram a situação extremamente grave e com consequências igualmente sérias para a economia mundial nos próximos episódios das crises econômica e da COVID-19.

Segundo o Instituto IIF, que reúne 400 bancos em 70 países, esse grau de endividamento não se compara a nada na história. Aumentou muito no período entre 2016 e 2020 e além do que era esperado após o início da pandemia.

Durante o período de 2012 a 2016 a dívida global teve aumento de US$6 trilhões, e entre 2016 e 2020 foi superior a US$50 trilhões de crescimento, sendo que US$15 trilhões foram em 2020. Isso representa, em média, mais de três vezes e meia o PIB mundial de um ano. 

Considerando apenas os países ricos, representa quase quatro vezes e meia o PIB deles. E duas vezes e meia o PIB dos países em desenvolvimento, considerados apenas eles. Juntas, as 30 maiores economias em desenvolvimento têm dívida pública com vencimento neste ano de US$ 7 trilhões

O FMI e o Banco Mundial consideram que esse gigantesco endividamento tem potencial para desacelerar o crescimento mundial. Porque havendo inadimplência do setor privado, os estados nacionais irão socorrer as empresas para evitar maior quebradeira e com isso aumentarão a dívida pública.

A inadimplência pode afetar também os bancos e novamente os governos irão aumentar mais sua dívida para salvar as insolvências. O que será muito caro para os contribuintes. E com isso novos empréstimos serão muito raros, reduzindo a atividade econômica. No caso do Brasil os trabalhadores arcam com cerca de 80 % da arrecadação de impostos. 

Um estudo do Banco Mundial em 2019 mostra que todo período de elevado grau de endividamento levou a crises financeiras, sobretudo nos países emergentes. Como foram a crise da dívida dos países latino americanos nos anos 80, a asiática nos anos 90 e o estouro da bolha dos créditos do “subprime” nos EUA nos anos 2000.

Com o grau de endividamento elevado pelos governos, empresas e famílias, é evidente que os mais prejudicados são as pequenas e médias empresas e principalmente a população trabalhadora. Sem dúvida.

O endividamento alto faz com que as empresas e o próprio governo reduzam os investimentos. O que terá como consequência a paralisação da economia, com mais desemprego, redução do consumo, num círculo vicioso numa espiral para baixo, como já bastante noticiado neste jornal. A pandemia têm efeito multiplicador dessa catástrofe, ainda mais com as novas cepas do vírus ainda mais mortais.

Como sabemos, toda dívida tem na ponta do crédito os bancos, maiores beneficiados do sistema, que com toda a crise que vivemos desde 2008 tem sido muito favorecidos com expansão do crédito e taxas elevadas de juros. Assim os lucros são sempre recordes todo ano.

Para tentar reduzir o impacto da diminuição da atividade econômica, os governos têm afrouxado os controles para a concessão de novos empréstimos. Com isso o risco de inadimplência se eleva e aumenta o risco da bolha estourar, piorando a catástrofe econômico-social e sanitária.

Relacionadas
Send this to a friend