O bloco é com os pais do golpe
Querem derrotar a extrema direita e a esquerda para retomar o comando do Estado e seguir aprofundando o regime antioperário e pró-imperialista que impuseram com o golpe de 2016
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O presidente da Câmara dos Deputados anuncia a formação do bloco | Foto: Najara Araujo/Câmara dos Deputados

O cenário político foi marcado na última semana pelo anuncio de bloco de 11 partidos, na Câmara dos Deputados, sob o comando do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O bloco agrupa um amplo espectro do cenário político. Estão reunidas nele as bancadas de partidos da direita golpista como o DEM (Ex_arena, ex-PDS, ex-PFL), PSDB e MDB. Também participam pequeno partidos que são como “sublegendas” destas máquinas partidárias da burguesia, como é o caso do Cidadania (ex-PPS, há anos um “puxadinho” do PSDB), PV (também tucano) e Rede (da ex-senadora Marina Silva, sempre disposto a servir aos interesses do bloco dos partidos imperialistas). A primeira novidade é a integração ao bloco de partidos da esquerda burguesa, como PSB e PDT, que já algum tempo vêm se articulando extra-oficialmente ao lado da direita, como no cado do dos votos que deram para o golpe de Estado, por meio do Impeachment, em 2016; bem como para as “reformas” antioperárias impostas pela direita como a trabalhista e da Previdência, nos governo de Temer e Bolsonaro, bem como na recente votação da lei que abre caminho para a privatização da água e esgoto.

A presença do PCdoB no bloco não chega a ser uma completa novidade, uma vez que embora colocando-se ao lado da oposição parlamentar na maioria dos episódios citados acima (quando não tinha votos decisivos para mudar a situação), o partido vem atuando – há anos – com afinco em torno da formação de uma frente ampla com a direita, dentro e fora do Congresso Nacional, tendo sua bancada parlamentar votado em Rodrigo Maia para presidente da Câmara em três oportunidades.

Mas o grande destaque e ineditismo, é a presença da bancada do Partido dos Trabalhadores, partido que foi o principal alvo do golpe comandado diretamente pelos partidos da direita que comandam – de fato – o bloco -, que derrubaram a presidenta da República eleita pelo PT, Dilma Rousseff, que participaram diretamente da armação criminosa de prender o principal dirigente do partido e maior liderança popular do País, o ex-presidente Lula da Silva, que se uniram para impor um regime de arbítrio que impôs uma implacável perseguição à Lula, ao PT e à toda esquerda, visando – particularmente – destruir o PT, como parte essencial da política reacionária de eliminar a representação política do trabalhadores, como se viu – inclusive – nas recentes eleições municipais, nas quais todos os demais membros do bloco se articular contra o PT e seus candidatos em todo o País, com destaques para as campanhas ultra reacionárias da direita e da “esquerda” frente amplista no Recife, Fortaleza, Rio de Janeiro, São Paulo etc. onde buscaram a todo custo “tirar o PT da estrada” para garantir a vitória de um candidato da direita ou da “esquerda” sem vínculo com o movimento operário.

Nestas condições, a conformação do bloco  representa uma vitória da direita, que se disfarça de “centro”, e reproduz-se aquilo o que de pior assistimos ao longo desse ano: a capitulação da esquerda diante da política da direita de evitar a polarização entre a esquerda (liderança por Lula) e extrema-direita (comandada por Bolsonaro), forças reais e decisivas na situação política que são um obstáculo à consumação dos planos “neoliberais” da direita golpista.

Entres os principais pretextos, se não os principais, em favor da participação nesse bloco, por parte da esquerda, estão a necessidade da suposta formação de uma “oposição” ao governo Bolsonaro e defesa da “chama da democracia” que se manteria nas mão da Câmara sob a presidência de Rodrigo Maia. Em outras palavras, apoiar Rodrigo Maia e seu bloco, contra Bolsonaro e seus candidato seria defender a democracia, enquanto apoiar Bolsonaro e seu candidato (supostamente a única alternativa) seria a defesa do regime político golpista.

No documento divulgado na última sexta (dia 18), assinado por presidentes e líderes do bloco: Gleisi Hoffmann (PT-PR), presidenta do PT; Pedro Uczai (PT-SC); Luciano Bivar (PSL-PE), presidente do PSL; Felipe Francischini (PSL-PR), líder do PSL; Baleia Rossi (MDB-SP), presidente do MDB; Isnaldo Bulhões Jr. (MDB-AL), futuro líder do MDB; Alessandro Molon (PSB-RJ); Rodrigo de Castro (PSDB-MG), líder do PSDB; Mário Heringer (PDT-MG); Arnaldo Jardim (Cidadania-SP); Enrico Misasi (PV-SP); Orlando Silva (PCdoB-SP) e Gustavo Fruet (PDT-PR), se afirma em favor dessas teses, que

“Enquanto alguns buscam corroer e lutam para fechar nossas instituições, nós aqui lutamos para valorizá-las. Enquanto uns cultivam o sonho torpe do autoritarismo, nós fazemos a vigília da liberdade. Enquanto uns se encontram nas trevas, nós celebramos a luz”.

“Esta não é uma eleição entre o candidato A ou o candidato B. Essa é a eleição entre ser livre ou subserviente. Ser fiel à democracia ou ser aliado do autoritarismo. Ser parceiro da ciência ou ser conivente com o negacionismo. Ser fiel aos fatos ou ser devoto das fake news”,

O bloco seria assim a frente “da luz contra as trevas”, dos “vigilantes da liberdade” e da democracia contra o autoritarismo.

A esquerda assina assim uma espécie de bom comportamento, um “atestado de idoneidade” para os maiores vigaristas políticos, charlatões e golpistas da história do País. Uma completa falsificação da realidade.

Para isso, é claro, omite que Rodrigo Maia e seus aliados da direita são justamente os responsáveis pelo golpe de Estado (quando Bolsonaro tinha apenas um voto!); pela prisão de Lula e pela eleição de Bolsonaro (quando inauguraram sua “unidade” atual apoiando-o – de fato – contra o candidato reservou do PT, Fernando Haddad).

Pior do que tudo isso, e de tudo o que essa direita aprovou contra os trabalhadores nos últimos anos, promovendo o maior retrocesso nas condições de vida classe trabalhadora, é que o próprio Rodrigo Maia, o “vigilante da democracia”, a “luz nas trevas” que impede que tramite na Câmara dos Deputados, cerca de 60 pedidos de abertura de processos de impeachment contra o presidente ilegítimo,inclusive aqueles assinados pelo PT e PDcoB, e também por nós do PCO.

Ao contrário de ser um “pilar da democracia” – há muito inexistente – Mais é uma das mais sólidas estacas do regime golpista e ditatorial que se impôs ao País com o voto de 90% dos aliados que agora se apresentam como “vaga-lumes” do regime democrático.

Ao contrário de Bolsonaro que é um presidente improvisado, Maia é um dos principais articuladores do regime golpista, foi decisivo em todos os ataques contra os trabalhadores (congelamento dos gastos, “reformas” trabalhista e da Previdência etc.). Ele e seu partido, o DEM, seus aliados (como MDB e PSDB e seus satélites) foram decisivos no golpe de Estado, na manutenção do governo Temer, na eleição de Bolsonaro e, agora, para impedir os processo de impeachment e a desestabilização do governo e do regime que ajudaram a edificar e do qual tiram proveito (como se viu na fraude das eleições municipais).

Ao contrário do que afirma a esquerda, como pretexto para se juntar no bloco dos 11, numa situação hipotética, para desestabilizar o regime golpista, o “mal menor” talvez fosse, na eleição da Câmara a vitória do candidato apoiado por Bolsonaro, para desestabilizar o regime. Que visivelmente apresenta mais um dos muitos improvisos do governo que não tem força política para bancar um nome próximo do grupo mais próximo ao presidente e busca impor – por métodos nada democráticos, mas tradicionais no parlamento burguês como a compra e venda de deputados, por meio de oferecimento de cargos e verbas – um candidato que não esteja tão solidamente ligado ao bloco dos tradicionais partidos golpistas.

Esses partidos querem derrotar a extrema direita e a esquerda para retomar o comando do Estado e seguir aprofundando o regime antioperário e pró-imperialista que defendem, por meio de um candidato “João Biden”, uma alternativa direitista e reacionária ao bolsonarismo que vai ser usado como “espantalho” como se vê na Câmara, para tentar empurrar a esquerda para o apoio aos seus algozes e de todo o povo brasileiro, em nome da “defesa da democracia”.

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