Maduro é mais legítimo que Bolsonaro

MaduroAvenidaBolivar01SEP2016

Nicolás Maduro assume hoje seu segundo mandato como presidente da República Bolivariana da Venezuela. Ele foi eleito pela primeira vez em 2013, logo após a morte de Hugo Chávez, quando foram convocadas eleições nas quais a direita fez o possível e o impossível para fraudar o resultado e quase conseguiu, perdendo por uma margem minúscula, por 51% a 49%.

A eleição foi fraudada pela direita. Isso porque a fraude não envolve apenas a questão das urnas, mas muitos outros fatores, como a manipulação da imprensa (na Venezuela, cerca de 80% dos meios de comunicação são opositores), o grande financiamento que a direita recebe da burguesia e do imperialismo (há inúmeras evidências de que políticos e membros de partidos e ONGs de oposição recebem dinheiro de agências dos EUA) e a tradicional desestabilização comercial e financeira dos mercados e bancos para apresentar um cenário de caos caso a esquerda vença.

No entanto, a direita perdeu. E foi aí que começou a crise que dura até hoje, porque a burguesia e o imperialismo nunca mais deram sossego ao chavismo. A onda golpista veio logo após o resultado, quando Enrique Capriles, líder da oposição, não reconheceu o resultado. Os capitalistas, então, iniciaram a guerra econômica ao boicotarem a produção e impedirem a distribuição de produtos básicos, especialmente alimentos e medicamentos. Soma-se a isso o implacável cerco imperialista, que impôs um bloqueio econômico e financeiro à Venezuela, além de promover grupos de extrema-direita que realizam ataques em todo o país, ordenar a pressão de seus regimes fantoches de países vizinhos da Venezuela e ameaçar com uma invasão militar. O atentado da direita que tentou matar Maduro, no ano passado, teve envolvimento dos Estados Unidos e da Colômbia.

A oposição golpista venceu de maneira absolutamente fraudulenta as eleições parlamentares de 2015 (uma de suas raríssimas vitórias eleitorais nesses 20 anos da chamada Revolução Bolivariana). Deputados da direita se utilizaram de diversos esquemas ilegais para conseguir seus supostos votos que os levaram à Assembleia Nacional, mas isso foi descoberto e, com a impugnação da candidatura de três políticos, a oposição perdeu a maioria na Casa. Ela não aceitou a decisão e o governo e a Justiça Eleitoral consideraram a Assembleia como estando em estado de desacato. No entanto, ela continua funcionando até hoje, travando absolutamente todas as medidas do governo. Para driblar essa situação, o governo convocou o que está previsto na constituição, a realização de uma Assembleia Nacional Constituinte, em 2017, na qual grande parte das cadeiras foi destinada a representantes eleitos pelos trabalhadores, camponeses, indígenas, estudantes e outra parte por políticos, dos quais a esmagadora maioria são de esquerda.

A direita boicotou a Constituinte. E foi o mesmo em todas as eleições seguintes, em 2018: estaduais, municipais e presidenciais. Somente alguns partidos de direita participaram, mas não os principais partidos golpistas, que, sabendo sua chance quase nula de vencer (mesmo fraudando), preferiram continuar pela via abertamente golpista. Maduro venceu, em 20 de maio, com 67% dos votos. É bom sempre lembrar que não é apenas a eleição em si, o voto na urna, que conta. Na verdade, é o que menos importa. O apoio a Maduro é nítido nas ruas, onde praticamente todas as semanas milhares de pessoas, trabalhadores, jovens, militantes organizados dos movimentos populares, demonstram seu suporte ao presidente e seu repúdio ao golpe e ao imperialismo.

Os trabalhadores, na Venezuela, estão armados. Mais de 1,6 milhão participam das Milícias Bolivarianas. Patrulham as ruas dos bairros populares, participam da formação política do povo, fazem trabalho de base. Além das milícias, outros agrupamentos de trabalhadores, como os coletivos motorizados, portam armas e se organizam. Todos os anos são realizados exercícios cívico-militares, nos quais milhões de venezuelanos (homens, mulheres e até mesmo idosos) treinam suas habilidades de combate para proteger o país de uma invasão imperialista.

Se Maduro é ilegítimo, é um ditador que massacra seu povo, se ele é odiado pelo povo… então por que o povo não usa essas armas para derrubar Maduro? Possivelmente, a resposta da direita será que essas milhões de pessoas que manejam armas são corrompidas pelo governo. Mas como um governo consegue controlar milhões de pessoas de armas na mão que o odeiam? Basta ver as gigantescas manifestações populares: os trabalhadores declaram orgulhosos que estão dispostos a utilizar essas armas e sacrificar suas vidas para proteger a Revolução Bolivariana.

Entretanto, ignorando tudo isso (aliás, como sempre costuma fazer), o imperialismo utiliza seu monopólio dos meios de comunicação e seus governos lacaios para dizer que a Venezuela é uma ditadura e que Maduro é ilegítimo. O Cartel de Lima tem sido o ponta de lança dessa pressão regional a mando dos Estados Unidos. A ironia é que a maioria dos governos que compõem o grupo (todos de direita) são incomparavelmente menos legítimos que o da Venezuela.

Macri chegou ao poder através de uma eleição fraudulenta na Argentina, onde Cristina Kirchner é perseguida para não se recandidatar este ano. Piñera também venceu no Chile após a burguesia e o imperialismo despejarem uma montanha de dinheiro em sua campanha. Abdo Benítez é fruto do golpe de 2012 que retirou Fernando Lugo da presidência do Paraguai. E por aí vai…

Até chegar ao exemplo mais escancarado de ilegitimidade em todo o Cone Sul: Jair Bolsonaro. O fascista pau-mandado dos EUA foi “eleito” só por que Lula (candidato de mais de 40% dos eleitores) foi preso e impedido de concorrer às eleições, de maneira totalmente ilegal, justamente para que não vencesse. E o principal responsável por isso foi o juiz Sergio Moro, o “Mussolini de Maringá”, que foi presenteado pelos seus serviços prestados ao ser escolhido ministro da Justiça exatamente do concorrente do candidato que ele prendeu. Ou seja, prendeu Lula para eleger Bolsonaro e virar ministro. Fraude às claras, a céu aberto.

Bolsonaro é um presidente ilegítimo, que chegou ao governo em meio a um golpe de Estado. Não tem a mínima autoridade para dizer que Maduro é ilegítimo. Nenhum dos fantoches dos EUA que integram o Cartel de Lima têm. Esses sim devem ser derrubados por seus respectivos povos, porque sua política neoliberal é uma política contra o povo e que não tem o menor apoio popular.